segunda-feira, 27 de outubro de 2014

#MudaBrasil



Nos últimos dias, Lula fez discursos segregacionistas, preconceituosos e dignos de esquecimento.

Àqueles que, como eu, votaram e acreditaram no projeto apresentado por Aécio Neves, cabe agora não fazer o mesmo.

O país escolheu Dilma para governar o país nos próximos 4 anos.

Mas a oposição saiu fortalecida, com um grande líder e um grupo muito forte a sua volta.
Viva de democracia.

E o ‪#‎MudaBrasil‬ não acaba aqui.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Um domingo qualquer

Texto de MARILIA NEUSTEIN, publicado em seu blog 'Sem Retoques' - http://blogs.estadao.com.br/sem-retoques/

Quando eu era adolescente, detestava os domingos. Em especial, os fins de tarde dos domingos. A razão não era porque a segunda-feira se aproximava e eu teria de me preparar para a escola. O que não gostava era de lidar com a desaceleração. Diminuir a marcha, entrar em casa e ter de ir me preparando para “o fim do final de semana”. Porque, se pararmos para pensar, o domingo é um pequeno divórcio na semana. Apesar de ser oficialmente o começo, em nosso inconsciente coletivo é um fim. Além do que, depois de curtir a folga, a balada e o descanso… os programas de televisão me deprimiam, dando espaço para uma melancolia gratuita que só ia embora no decorrer da semana.



Com a idade, isso mudou. Parece até que o domingo é um dia feito só para os grandes. Aquela melancolia da adolescência se dissolveu completamente com a idade adulta. As ruas vazias e aquele ventinho de silêncio deram espaço para uma grande música gostosa. A música de domingo. Cheia de graça, essa tal domingueira. As manhãs, com suas bicicletas e seus cachorros. Almoços de família. Caipirinha com os amigos nos bares. Jogos de futebol. E “o fim”, de repente, tira essa tristeza estranha e inexplicável do caminho, dando espaço para um maravilhoso sentimento chamado calma. O fim do domingo é, para muitos, o momento de se preparar para a semana que começa. Devagarinho, mexer na geladeira, ver o que falta. Pensar na roupa de segunda-feira. Pegar um cineminha no final do dia, navegar sem objetivo na internet. Ler mais do que um capítulo de um livro. São coisas que, com muita sorte, acalmam. E calma é um sentimento bom, redondo, lunar. Domingo é isso. Não é o dia de decidir, de resolver, mas de desfrutar. O domingo não tem preconceito: aceita a preguiça de braços abertos. É o dia do sono, da leitura do jornal, do ócio. Do bacalhau da avó, de suco de tangerina, de siesta. É dia de aproveitar os sobrinhos. E é, acima de tudo, o dia do sofá. Convenhamos, o sofá é o melhor amigo do domingo. Ele abraça, acolhe, agrega. Começa na hora do almoço e só termina com o cair da noitinha.

Okay, sabemos que nem tudo é uma musiquinha suave. Lógico que, no fim do dia, muita gente tem de planejar coisas chatas, olhar a agenda, fazer cara feia para os compromissos, mas também – fazendo a pessoa que está de bem com a vida – é a chance de começar uma semana com o pé direito. E, no meio de tudo isso, ver, sem culpa, um pouco de bobagem na televisão.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sem rancor

Texto de ELENA LANDAU, publicado na Folha de São Paulo


Há pouco mais de 20 anos o Brasil convivia com uma hiperinflação e o impeachment de um presidente. Era difícil ser otimista. Passadas duas décadas, o país é outro. O divisor de águas foi o Plano Real. Sem ele, e a estabilização econômica que se seguiu, as políticas de inclusão social não teriam terreno fértil para prosperarem nos anos seguintes.

A continuidade que Lula deu às políticas do FHC foi fundamental para que o país hoje possa se orgulhar dos ganhos na área social e sonhar com um salto de qualidade nas políticas públicas.

Infelizmente nos anos mais recentes, os erros na condução da economia e o isolacionismo da presidente estão colocando em risco as melhorias obtidas tão duramente. Dilma é nossa Alice, no País das Maravilhas. Se recusa a reconhecer os erros do presente, abusa da mentira nas estatísticas e inviabiliza um debate sobre o futuro.

Sua campanha tem sido marcada por uma obsessão em disputar legados e desconstruir os avanços do governo tucano. Com isso, tenta aprisionar e limitar as propostas da oposição a uma mera discussão numérica: quilômetros, leitos, creches etc.

O apego a uma agenda eleitoral populista e ultrapassada me surpreende, especialmente após os movimentos de 2013. Até parece que foi só por causa de 20 centavos. Os grandes temas que afligem o eleitor --saúde, educação, segurança, mobilidade-- não vêm encontrando muito espaço. Melhor seria uma discussão menos quantitativa e mais qualitativa. Não basta universalizar serviços, mas garantir igualdade no acesso e boa prestação.

A agenda que o candidato do PV colocou no debate da Band repercutiu bem. Trouxe temas sempre evitados: a reforma política e o aborto sob perspectiva da saúde pública.

Por enquanto, o novo está simbolizado em Marina, apesar da candidata participar da política há décadas. O que é bom. Ela vem surfando na onda na terceira via aproveitando o cansaço de todos com o Fla-Flu eleitoral que vivemos. Pode conseguir deslocar o foco da campanha e melhorar o nível das discussões.

A polarização partidária não é o problema, mas, sim, o discurso raivoso que o PT tem imposto ao debate político nos últimos anos.

O novo para mim é a aceitação do diferente. Escrevo como eleitora, não sou analista política e meu voto não é segredo. Sou filiada ao PSDB, mas não só por isso acho Aécio o melhor candidato. Tem meu voto pelo programa que apresenta, sua capacidade de gestão e sua equipe. E por falar do futuro de forma concreta, sem platitudes e escapismos.

O atual protagonismo de Marina é muito bem-vindo. Ela acaba de lançar seu programa de governo. Nas próximas semanas teremos a oportunidade de discutir ideias e sua implementação. Sem rancor.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O livro das mulheres extraordinárias

Xico Sá, genial!

Não é de hoje que as mulheres que se desmancham pelo romantismo escancarado e exacerbado de Xico Sá. A nova obra do escritor é uma prova disso: 'O Livro das Mulheres Extraordinárias' traz 264 páginas nas quais faz odes a 127 moças diferentes, de Lygia Fagundes Telles a Gaby Amarantos, passando por musas do momento, como Isis Valverde e Fernanda Lima.

Segundo ele, o que o guiou nas escolhas dos nomes foi o desejo - e o tesão - que sente por cada uma das beldades.

"Todas as mulheres do livro me despertam uma forma de tesão. Nem sempre o tesão intelectual (risos). Toda essa diversidade só prova que não há padrão em matéria de mulher. O que vale é a lei do desejo."


UOL: Em Paraty, na Flip, você levou pequenas multidões para onde foi e muitas dessas pessoas eram mulheres. Acha que pode virar uma espécie de Wando das letras?

Xico Sá: Seria a glória em vida.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O Estado não é um prolongamento da família

Trechos extraídos do texto de mesmo nome, de Michel Zaidan, que pode ser lido na íntegra no endereço http://www.brasil247.com/+5m2yz


"Uma família, por mais ilustre e importante que ela julgue ser, não pode se arrogar decidir os rumos de uma campanha presidencial. Muito menos os parentes de uma família. O Estado republicano é maior do que uma oligarquia familiar, seja o nome que ela carregue."

"A condução do processo sucessório da chapa do PSB e o tratamento dado a esse processo pela mídia e as instituições competentes em legislação eleitoral no Brasil e Pernambuco não podem fechar os olhos para essa "ação entre familiares e amigos" que tem sido a questão sucessória do falecido candidato. Ou existe partido, instituição pública, com estatuto, comando e diretório, ou uma sociedade conjugal ou familiar se sobrepõe à organização partidária e decide como vai ser a disputa e eleitoral. O luto de ninguém autoriza tal aberração institucional."

"A escolha de uma militante pentecostal, vinculada por votos de fé à Igreja evangélica Assembléia de Deus, por decisão do irmão e da esposa do falecido, reduz à disputa sucessória a quem acredita em Deus, no criacionismo, na Bíblia, no casamento heterossexual etc."

"A esfera pública-eleitoral dessas próximas eleições não pode se reduzir a um debate pobre, fundamentalista, conservador como esse, enquanto os problemas econômicos, administrativos, sociais e de infra-estrutura aguardam pacientemente por uma solução."

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A morte de Campos em 3 comentários

Por Caio Lafayette



1 - A democracia brasileira, ainda jovem, pode gabar-se de já ter visto quase tudo. De impeachment ao falecimento de um de seus candidatos em plena campanha eleitoral. A morte de Eduardo Campos - e seus assessores - de forma trágica, marcará a história dessa e de outras eleições que estão por vir. Mais que um grande líder, o Brasil perdeu um símbolo da mudança, uma alternativa viável para desfazer a polaridade PT x PSDB. Acredito que o pernambucano seria Presidente da República. Não agora, mas seria.


2 - Difícil compreender as várias reações após a tragédia. Mesmo admitindo que somos todos seres humanos e, por essência, diferentes, não compreendo que haja a possibilidade de sentimentos distintos quando de um acidente fatal com 7 pessoas, pais de família, com uma vida inteira pela frente. Comentários e análises de ordem política em meio à procura dos corpos, insinuações de armação e apontamento de culpados. Não entendo, realmente. Todos deviam agradecer a Deus por estarem vivos e rezar pelas famílias atingidas pelo acidente.


3 - Marina Silva herda a vaga de Campos e inicia o processo com certo favoritismo. Imaginei, até, que por conta do desconhecimento real da história da candidata e da comoção natural em torno da recente tragédia, apareceria melhor na primeira pesquisa. Ela ainda representa a esperança de uma 3ª via forte, mas creio que por pouco tempo. Por ser competitiva, ao contrário de 2010, terá o seu histórico político, partidário e familiar exposto em rede nacional. Isso revelará seu conservadorismo, sua forma de fazer igual ou pior - ao contrário do que tenta vender. Arrisco dizer que terminará com menos do que os 19 milhões de votos de 2010. Chute. O PSB perdeu a chance de alçar quadros históricos, como Luiz Erundina, que, no mínimo, representariam melhor o anseio por mudança ao qual a chapa tenta se posicionar.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Agosto

"Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu sem o menor pudor, invente um. [...] Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados."

Caio F. Abreu