quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A dualidade do tema 'leitura'

Por Caio Lafayette



Como fundador de uma Associação cujo trabalho foca-se, principalmente, no incentivo e democratização do acesso à leitura, convivo diariamente com uma situação um tanto quanto curiosa: a leitura é extremamente valorizada e bem aceita na sociedade brasileira, seja em qualquer nível social, porém, tal valorização não se transforma, necessariamente, em prática – infelizmente.






Podemos explicar esse hiato entre a teoria e a prática se notarmos que falar que não gosta de ler é nadar contra a corrente, assumir um risco de tornar-se “do contra”, de negar uma tendência muito forte, afinal, leitura é também sinônimo de conhecimento – e quem não quer ser sábio?

Outro empecilho para o estímulo do exercício de ler é a forma subjetiva com que seus resultados se apresentam na vida das pessoas. Em pesquisa realizada pelo Instituo Pró-Leitura, cerca de dois terços dos entrevistados disseram não conhecer ninguém que “venceu na vida” graças à leitura. Poucas pessoas conseguem ter a percepção que a leitura não é um fim, mas uma parte de uma construção maior cujo resultado se apresenta na cultura e educação da sociedade.

Por fim, devemos considerar o fato da leitura ainda ser vista por muitos como uma atividade árdua, cansativa e que ainda demanda tempo e ambiente apropriado, o que nem sempre é possível em um mundo em que 24 horas já não são suficientes para todos os compromissos.

Com tudo isso, fica claro que a leitura ainda não está presente na vida cotidiana das pessoas. O hábito de ler deve ser construído por meio de uma participação familiar, na leitura de livros em casa para os filhos, na prática de trocar o noticiário da TV por um jornal impresso, na participação conjunta em atividades culturais. Ao poder público, cabe democratizar o acesso à leitura e oferecer o livro, afinal, as pessoas com mais livros ao seu dispor aumentam seu interesse em ler. Os resultados de um projeto de longo prazo de estímulo à leitura passarão a ser perceptíveis a partir das práticas de ética, cidadania e democracia que guiarão a sociedade a partir de então.

Um comentário:

  1. Estamos, pouco a pouco, tentando mudar essa situação, não é mesmo? Quem sabe um dia. Sou sonhadora!

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