sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A letra 'A'


Por Caio Lafayette

Na sala de aula o silêncio predominava. Todos concentrados na Avaliação Trimestral. Todos, exceto Nelinho e, talvez, Aline.

Depois de meio ano ele tomou coragem. Mas não foi à toa. No último mês falou por telefone com ela sete vezes, fez dois trabalhos em grupo, sentou junto na cantina por três vezes, por duas oportunidades quase tocou a mão dela e o melhor de tudo: ganhou um beijo no rosto no dia que levou-a em casa.

No intervalo da aula, pré-avaliação trimestral, Nelinho chamou-a:
- Posso te pedir uma coisa? – e pediu.
* * *
O silêncio predominava, todos concentrados na avaliação, menos Nelinho e, talvez, Aline. Ele pediu, mas a resposta ficou pra depois da aula.
* * *
E desde que voltaram à sala de aula a hora parecia não passar. Nelinho estava nervoso. Aline não se sabe. A prova era de História, matéria favorita dele. Mesmo assim, a ansiedade superava o ‘gosto’. Ele respondeu tudo ‘A’. ‘A’ de Aline; ‘A’ de Amor; ‘A’ de ACABA AULA!
* * *
O sinal tocou e a saída, costumeiramente calma e curta, se tornou tensa e longa. A distância até o portão parecia ter dobrado, senão triplicado. E Nelinho estava lá, em frente ao portão, à espera dela.

Aline chegou. Na verdade, quase passou sem notá-lo. Mas notou (ou foi forçada a notar?). 
Deu-lhe um beijo no rosto e disse:
- Gosto muito de você!
Entrou no carro dos pais e se foi.
* * *
A partir desse dia, Nelinho não tem mais certeza do que significa 'gostar' de alguém e tomou uma decisão: não responde mais a alternativa ‘A’ em hipótese alguma.

Um comentário:

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