sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Fim de Semana

Por Caio Lafayette


Ela era mais nova, mais bonita e muito mais simpática.
Ele, além de mais velho, dotado de menos beleza e muito menos simpatia, estava perdido naquela festa.
Uma festa comum: muita carne e cerveja; pessoas bonitas – por exemplo Ela; pessoas menos bonitas – por exemplo Ele; pessoas feias e pessoas muito feias. Motivo para a comemoração? Nenhum, como toda boa festa. Por parte dele, um único e solidário amigo, o Pedrão. Já ela conhecia todo mundo – a Li, a Má, a Claudia e até o Pedrão.
Ao chegar, ele notou a animação. Ele não estava animado e parecia não enxergar motivo pra ficar. Diferente dele, ela estava animada – dançava, se divertia e chamava a atenção. Acabou chamando a dele, inclusive. Seria um motivo pra animar a noite?

Ele conversava com o Pedrão. E muito. Bastante amigos. Falavam do trabalho, da cerveja, gelada, no ponto. Das mulheres.
- Pedrão, quem é aquela ali?
- Se interessou é? – zombou o amigo.
- Não, não é isso…éééé…
- É nada! Eu sei que sim. Conheço essa sua cara. Além disso, quem não se interessa por ela?
- É verdade né?! Não é pra gente… – brincou ele, e tornou a beber.
E ela? Ah, ela passava por todas as turmas, era conhecida e reconhecida em todas. Era linda. Boa de papo. E entre uma turma e outra, se aproximou:
- Pedrãaao!
- Oi querida! Como você está? Linda mais uma vez hoje!
- Ah, tô bem! E obrigada pelo elogio. Trouxe uma cerveja pra você e para o seu amigo.
- É verdade, esqueci de apresentar. André, essa é a Tina. Tina, esse é o André.
- Prazer André! Aceite minha cerveja – disse ela.
- Prazer. – disse ele, sem conseguir falar mais nada.
Foi diferente, pra ele. Pra ela também, mas quem poderia imaginar?
Ele manteve-se quieto, se dando apenas o trabalho de observar…ela. Ela, ainda dançava, se divertia e…retribuia os olhares.
Sem acreditar muito ele buscava mais cerveja. E mais uma. E outra. Ela, conquistadora, olhava enquanto dançava, enquanto conversava, enquanto bebia.
E o encontro se deu. Na cozinha, em frente a geladeira. Chegaram juntos. Coincidência?
Ele pegou duas cervejas e retribui o favor de outrora:
- Minha vez de te dar uma cerveja.
O silêncio pairou.
Foi a última vez que buscaram cerveja naquela noite.
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