quinta-feira, 17 de maio de 2012

Visita à Casa do Povo

Aproveito minha ida ontem à Assembléia Legislativa de São Paulo para reproduzir um texto meu, escrito em 02 de Junho de 2009 - lá se vão quase três anos - após visita à mesma casa. Algumas observações feitas naquela época talvez até tenham mudado, mas vale a pena que fiquem registradas.


VISITA À CASA DO POVO
Por Caio Lafayette

Ontem fui na Assembléia Legislativa de São Paulo em companhia do meu amigo Gabriel Freri (não é o mesmo que escreve no blog). E tenho algumas coisas interessantes a comentar.

A começar que o lugar é muito longe. Sofri, mas cheguei apenas 6 minutos atrasados – 9h06m. Mal sabia que a moda é se atrasar, mas esse assunto tratarei mais pra frente.
O objetivo da visita: participar da abertura da Semana do Meio Ambiente, evento que durará a semana toda, com palestras e apresentações visando a conscientização quanto ao assunto. Marcada para as 9h, percebi que eu e o Gabriel éramos um dos poucos a chegar próximo do horário – como eu disse, nos atrasamos em 6 minutos. Começamos a passear pela Casa e a primeira grande percepção: é muito fácil colocar uma bomba na Assembléia. Não que eu queira isso, que fique bem claro. Não tenho competência técnica para fazer uma bomba, nem dinheiro para mandar fazer. Além do que, não é da minha índole. Mas o fato é que andei pela Casa, tomei café, entrei em elevadores, corredores, salas, sem ninguém, ao menos, me perguntar quem eu era ou o que fazia ali.

Pontualmente às 10h – mesmo tendo sido marcado às 9h – começou a abertura do evento que me levou até ali. O incrível número de 15 pessoas tomavam um auditório projetado para duzentas. A mesa diretora tinha quase o mesmo número de pessoas que a platéia. Autoridades, deputados, presidentes de Ong’s. E então a segunda grande percepção: cada um que falava, elogiava imensamente os companheiros da mesa. Mas elogiava em exagero. ‘Rasgação de seda’ total. Chegava a ser chato. Será que para ser autoridade tem que ser falso daquele jeito?

Depois de uma apresentação de ballet, decidimos ir passear mais pela Assembléia. Não colocamos nenhuma bomba, apesar de não terem faltado oportunidades. Logo, a terceira grande percepção: nos murais, ficam expostos uma série de atividades que acontecem paralelamente nos auditórios. São temas diversos, todos de interesse dos cidadãos. A entrada é livre. A participação é aceita. E então achamos uma discussão sobre a Urna Eletrônica.



Com a presença de ministros, deputados e muita gente da OAB (o que fez eu me perguntar se esse pessoal só faz isso da vida), a discussão foi muito sadia. Tudo bem que era 11h e estávamos na palestra que começaria às 9h e acabaria 9h30m. Depois do coffe, ao meio-dia e marcado para 10h e 30m, mais discussões. O tema de fato interessante. Será que o voto que confirmamos na tecla verde é o mesmo que a máquina computa? Quem me garante isso? O software utilizado pela urna realmente é muito bem desenvolvido, mas ainda acho que a impressão de um comprovante seria o ideal para diminuir os riscos de fraude na eleição.

Uma da tarde, saída para almoço. Marcado para voltar às duas. Almoçamos e voltamos às 2h e 30m. Ainda não tinha começado. Aí tive a certeza e o que considero a quart a grande percepção: o certo é atrasar. É elegante estar atrasado. É ‘pomposo’. Faz você parecer importante.

Ao recomeçar as palestras, a discussão continuava pegando fogo. Alguns ‘brizolistas’ implicavam com tudo que os técnicos do TSE diziam, e vice-versa. Os ‘brizolistas’ eram um pouco ‘espalhafatosos’. O cara que presidia a sessão era engraçado. O pessoal da OAB estava em peso e devem realmente só ter isso pra fazer. A imprensa chegou. E tive a quinta grande percepção e talvez mais importante: apenas eu e o Gabriel estávamos ali por realmente se interessar pelo tema. Não éramos representantes de nenhuma instituição e nem pagos para esta ali. Estávamos exercendo nosso direito de cidadão e participando de uma discussão em prol da nossa ‘democracia de mentirinha’. E, quanto a isso, tenho que elogiar a Casa e criticar o povo. A Assembléia é mesmo a Casa do Povo. A participação em debates e discussão de projetos é livre, aberta para qualquer cidadão. E ninguém, absolutamente NINGUÉM participa. Me incluo nesse ninguém, afinal, foi a primeira vez que fiz isso. Mas vi o quanto é interessante. Falamos que nossos governantes não prestam, xingamos e tudo mais. Mas não procuramos saber quais projetos e discussões estão em pauta. Esse é o nosso erro. A Assembléia está aberta para cobrarmos e expormos nossas posições. Nós que não fazemos uso desse direito.

Quase 6h da tarde, acabam-se os trabalhos. Nenhuma conclusão, muita discussão. Mas pelo menos tive a oportunidade de ver que tem gente tentando melhorar as coisas. Saio da sala com a sensação de ter cumprido meu papel mais nobre de cidadão. Ando pelos corredores da Assembléia já quase vazios. Agora nem teria graça mesmo colocar uma bomba. Dou tchau para o Policial Militar na porta de saída. Desço a rampa e volto à realidade. Tenho que achar um ônibus que me leve embora, e já imagino o trânsito caótico que estará a cidade de São Paulo. Mas tenho certeza que foi mais uma experiência interessante em minha vida: representei o povo em sua própria casa.

Um comentário:

  1. Acho muito dificil ter ocorrido alguma mudança huahauhau desde aquela data! Praticas milenares

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