segunda-feira, 11 de junho de 2012

Dia dos nAMORados (só para quem odeia)!

Em semana de dia dos namorados, começo as postagens sobre o tema utilizando o texto do amigo Eliton Ramos, escrito especialmente para essa data, mas no ano de 2009. O texto fez bastante sucesso em meu antigo blog e tenho certeza que fará agora, novamente. Continua atual e essa é a coisa mais mágica dos bons textos.


Dia dos nAMORados (só para quem odeia)!
Por Eliton Ramos

Definitivamente, nunca fui muito “ligado” ao dia dos namorados. Mesmo porquê nunca levei um namoro efetivamente a sério, a ponto de arrastar asa, me deixar dominar ou me expor a situações efervescentes e engraçadas que a paixão platônica impõe.


Mas se a gente começa a pensar a respeito, surgem mistérios, admiração, encantamentos, dúvidas. E, quando isso acontece, começamos a achar que estamos perdendo alguma coisa.  
Uma perda naturalmente caracterizada pela prudência egoísta que nada arrisca, como dizia o poeta, e que nos incomoda silenciosamente.

Acuados em nossos cantos, imersos em nossa própria arrogância, esse incômodo se intensifica e ganha mais força com a chegada do dia dos namorados. Não que eu ligasse. Até porque, o fato de eu nunca ter tomado uma coca-cola a dois não me deixa grilado. Não mesmo. Eu até encaro numa boa. É claro que abrir de trinta a quarenta e-mails, todos os dias, e não ter nenhum com a frase “Eu te amo” também não me incomoda. É. Não me incomoda.





Só porque eu nunca ganhei um 'Vivo' no dia dos namorados não quer dizer que fico pensativo. É bem verdade que eu gostaria de ganhar, mesmo que o aparelho viesse acompanhando um carnezinho das Casas Bahia, porque o legal é ganhar, e isso significaria que eu represento alguma coisa para alguém em algum lugar. Mas e daí? Eu já disse que não ligo.


Tudo bem que eu faço aniversário e só vou lembrar duas semanas depois, mas isso não quer dizer que ninguém se importa. E mesmo que não se importasse, eu já disse que não ligo. 


Mas mudando de prosa, ainda ontem, voltando para casa, desci do ônibus e chovia muito. Já passava da meia-noite e não tinha ninguém em especial me esperando com um guarda-chuva. É claro que o guarda-chuva não ajuda muito, porque no fim, com ou sem guarda-chuva, a gente sempre chega molhado. Mas o que conta mesmo é a presença e a intenção da pessoa que se dispõe a se molhar com você… 

Mas que droga! Eu já disse que não ligo!

Mas mudando de assunto, meses atrás encontrei um amigo que, assim como eu, tinha uma enorme dificuldade para arranjar uma namorada. Ele vivia se queixando que quando morresse iria doar todos os seus órgãos, menos o coração (para que ninguém sofresse tanto quanto ele). Mas ele conheceu uma moça. Simpática. Sorridente. Educada. Hoje, por acaso, nos encontramos novamente numa fila de supermercado. Ele parecia muito feliz. E seu discurso havia mudado também. Ele me garantiu que era doador integral e que seu coração, agora, podia sim bater no peito de outra pessoa. Senti uma pontada de inveja. Ops!.. Digo, eu não ligo. 
Ora bolas!

Só porque eu vivo em um planeta habitado por seis bilhões de pessoas e ninguém vai com a minha cara não quer dizer que eu deva ir para outra galáxia. Ou que eu nunca vou receber uma carta, um telegrama, um telefonema…

Mas, sem querer cortar a conversa e já cortando, daqui dessa varanda, observando a lua, aquela gravidade, penso em coisas tão complexas que o homem já conseguiu fazer, como plantar uma bandeira e deixar suas pegadas há milhões de anos-luz do nosso planeta, e, no entanto, aqui numa realidade mais próxima, eu não consigo fazer coisas tão simples como cativar alguém, por exemplo… A propósito, eu já disse que não ligo? É, eu não ligo.
Mas cá entre nós (só entre nós), quando o dia dos namorados vai se aproximando e nos damos conta de que não temos companhia, sejamos brancos ou pretos, ricos ou pobres, terráqueos ou marcianos, a vontade mesmo é de pegar carona num rabo de cometa…
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