quinta-feira, 9 de agosto de 2012

10 Perguntas para... Floriano Pesaro

Por Caio Lafayette

A segunda entrevista do blog é com o Vereador Floriano Pesaro.

Natural de São Paulo, Floriano Pesaro é sociólogo formado pela USP, com especialização em Processo Legislativo e Relações Executivo/ Legislativo pela UNB. Fez curso de Extensão na Escola de Governo de São Paulo e Pós Graduação "Lato Sensu" MBA com especialização em Gestão de Negócios, Comércio e Operações Internacionais na FIA Fundação Instituto de Administração. Ao longo de sua carreira exerceu importantes funções nas três esferas de governo - Federal, Estadual e Municipal. Atuou na Casa Civil da Presidência da República e no Ministério da Educação. Em São Paulo foi Secretário-Adjunto da Casa Civil do Governo do Estado de São Paulo e, Secretário Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social da cidade de São Paulo. Em 2008, foi eleito vereador de São Paulo com 31.733 votos.

No primeiro mandato como vereador de SP, é líder da bancada do PSDB e membro da Comissão de Saúde, Promoção Social, Trabalho e Mulher e é Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e da Juventude e presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Microempresas, Empresas de Pequeno Porte, dos Microempreendedores Individuais e das Cooperativas. Na Câmara Municipal foi Presidente da Comissão Extraordinária do Meio Ambiente, membro da Comissão de constituição e justiça, membro da comissão de finanças e orçamento, vice-presidente da Comissão Extraordinária Permanente em Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente e da Juventude, membro da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pedofilia e de Enfrentamento à Violência Sexual Infanto – Juvenil, da Frente Parlamentar para implantação do Conselho de Representantes da Cidade de São Paulo (vice-presidente) e da Subcomissão de Acompanhamento do Plano de Metas 2012 (relator). Ganhou, em 2011, o Prêmio de Boas Práticas Legislativas (1ª edição), com o projeto “Aquisição de Papéis com Certificação”, na categoria “Inovação”. Também foi finalista na categoria “Excelência”, com a Lei 15.276, que estabelece diretrizes para a Política Municipal de Prevenção e Combate ao Trabalho Infantil em Suas Piores Formas.

10 perguntas para... Floriano Pesaro




1. Vereador Floriano Pesaro, você militou por algum tempo na Juventude. Conte-nos como foi essa experiência. Como você avalia a militância Jovem do seu partido hoje?
Militei na juventude durante um bom tempo. Ali, aprendi a fazer política e a pensar politicamente. No colégio e na faculdade, participei intensamente do movimento estudantil. Filiei-me ao PSDB no mês de sua fundação, em junho de 1988, no diretório do Jardim Paulista, onde exerci a função de tesoureiro da juventude estadual (JPSDB) e, em seguida, nacional. No mesmo ano, fiz parte da campanha de Jose Serra à prefeitura de São Paulo, como assessor de agenda. Em 1989, participei do Movimento Covas Presidente (MCP) e, no ano seguinte, ajudei Mario Covas na sua campanha para governador. Em 1993, fui recrutado pelos meus professores da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), Jose Álvaro Moises e Jose Augusto Guilhon Albuquerque, para participar, como estudioso, dos debates sobre a mudança do regime e do sistema de governo: Monarquia ou República e Parlamentarismo ou Presidencialismo. Foram longos meses de discussões em faculdades, sindicatos e rádios durante os quais defendi o sistema parlamentarista republicano. Perdemos o plebiscito que modificaria a Constituição. Já em 1994, recebi da amiga Maria Helena Gregori um convite para coordenar a juventude FHC durante sua campanha à presidência. Depois de militar por muito tempo na Juventude do PSDB, nos mais diversos temas, fui enxergando no Poder Público o meio mais efetivo e eficaz para transformar a vida das pessoas. Hoje a militância jovem do PSDB vem fazendo uma bela articulação nas redes sociais, por exemplo, e com isso mobilizando cada vez mais e mais jovens. Mostrando que não é feio ou fora de moda atuar politicamente. Os partidos são os meios legítimos de representação em uma democracia representativa como a nossa. Todos deveriam se engajar de alguma forma.


2. Sua carreira política pauta-se em uma relação muito estreita com movimentos sociais e organizações do Terceiro Setor. Porém, muitos acusam o seu partido, o PSDB, de um distanciamento desse segmento. Isso é verdade? E qual a importância desse setor na elaboração de políticas públicas?
Isso não corresponde à realidade. E para constatar isso basta olhar não só a minha forma de atuação como no Programa Ação Família – Viver em Comunidade, por exemplo. Vale também olhar para o “berço” dessas ideias. Um exemplo é o início do que hoje conhecemos como Bolsa Família. No início do Governo FHC, em 1995, surge, das ideias e das experiências acumuladas de Ruth Cardoso, uma das propostas mais inovadoras e arrojadas deste país: o programa Comunidade Solidária, uma ação integrada voltada ao combate a fome e a miséria nos municípios mais pobres, uma espécie de cesta de programas federais a serem ofertados nos bolsões de pobreza do país. Atuávamos nas áreas de alimentação e nutrição, serviços urbanos, desenvolvimento rural, geração de emprego e renda, defesa de direitos e promoção social. E sabe como? Em parceria com entidades privadas e organizações não-governamentais, espalhadas por todos país. Algumas dessas instituições detém, de fato, o conhecimento e a capacidade técnica de ajudar o Estado a implementar ações, dando mais capilaridade as políticas públicas. Precisamos entender que unindo forças todos temos a ganhar.


3. Você fez parte do Governo FHC durante os 8 anos em que ele esteve na Presidência. Depois disso, passamos 8 anos com Lula e, agora, mais 2 com Dilma. Você saberia resumir as principais diferenças entre os 8 anos do PSDB no Governo Federal e os 10 anos do PT?
Gosto sempre de analisar a questão social. Não só porque estive diretamente envolvido nessa área durante a era FHC, mas, principalmente, porque entendo que aí ainda está uma das questões em que ainda temos muito que avançar. Lembro-me que, numa transição democrática sem precedente no País, os programas condicionados de transferência de renda (PTCs) até então existentes (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Bolsa Alimentação e Auxílio Gás) foram entregues, junto com o Bolsa-Escola Federal, o maior dentre eles no que dizia respeito à abrangência – 5,1 milhões de famílias (mães), representando 8,7 milhões de crianças, cadastradas em 5.545 dos 5.561 municípios brasileiros à época –, ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2002. Já em 2003, o programa, acompanhado do Bolsa-Alimentação e do Auxílio-Gás, passa a fazer parte de um mesmo pacote, batizado de Bolsa- Família (o Peti é incorporado a ele em 2006). Os impactos inéditos que se seguem na redução das desigualdades sociais no Brasil foram fruto dessa herança que não é maldita. Como demonstram inúmeras pesquisas, houve uma queda na concentração de renda no País entre meados entre 1995 e 2005. Os dois maiores responsáveis pelas mudanças no quadro social brasileiro: Plano Real e os PTCs. Na minha opinião, o Governo Lula agiu corretamente ao dar continuidade aos Programas de Transferência de Renda que vinham sendo desenvolvidos. O erro está em enfraquecer a vinculação entre benefício e contrapartida. É exatamente na contrapartida (a presença na escola, a carteira de vacinação em dia, o peso adequado da criança, etc) que reside o segredo para os avanços sociais de longo prazo. O dinheiro resolve a urgência imediata e a contrapartida garante que essa família tenha as condições mínimas para ascender socialmente, rompendo, de uma vez por todas, com um ciclo histórico de miséria.


4. Em Dezembro deste ano você completa 4 anos na cadeira de Vereador da maior cidade do hemisfério sul. O que essa experiência acrescentou em sua vida? Fale um pouco de como avalia sua atuação nesse mandato.
O mandato de um Vereador na capital tem o tamanho de uma cidade de médio porte, cada vereador responde por 220 mil habitantes. E a responsabilidade é imensa não só pela quantidade de pessoas, como também pela pluralidade que encontramos em nossa cidade. Sempre soube que para conseguir atender as demandas de uma cidade tão diversa, teria que trabalhar agregando pessoas, valores e conhecimento para criar consensos e avançar. Guiado pelo tripé do Desenvolvimento sócio-econômico-ambiental busquei, durante o mandato, um olhar integral de São Paulo. Os resultados? Toda minha equipe sabe da importância de agirmos sempre em parceria com cada cidadão que nos procura. Por isso, dos 75 Projetos de Lei que apresentamos, houve sempre uma mobilização social. Uma construção coletiva em busca de uma solução capaz de se reverter em um bem comum. Por isso me sinto orgulhoso das 30 Leis que aprovamos. Sinto-me motivado para continuar este trabalho exatamente por isso. Agindo com transparência, aliás, qualquer cidadão pode ter acesso à prestação de contas do mandato no site floriano45.com.br, e somando forças. É nisso que acredito para que finalmente alcancemos uma São Paulo mais justa, humana e solidária – uma cidade melhor para TODOS nós vivermos.





5. Agora, candidato à reeleição, em que áreas acha que pode ser mais importante para a cidade? Quais serão suas principais bandeiras na campanha e projetos caso reeleito?
Minha principal luta é, foi e sempre será pela defesa dos Direitos Humanos, contra a discriminação e pela igualdade de direitos em todas as áreas e setores da sociedade. Mais específica e atualmente, entretanto, temas como transparência na gestão pública, mobilidade humana e a perigosa relação entre álcool e direção tem me preocupado bastante. Ajudei a criar a Frente Parlamentar da Mobilidade Humana, sou cicloativista e elaborei projetos como o das Cidades Compactas (as empresas que contratarem funcionários residentes em áreas próximas ao local de trabalho receberão incentivos fiscais). Sobre o alto consumo de álcool por motoristas (que no ano passado fez vítimas fatais no trânsito paulistano), apresentei um PL que proíbe a venda de bebidas alcoólicas em postos de gasolina e outro que obriga bares, restaurantes e casas noturnas a disponibilizarem um bafômetro para os motoristas fazerem automedição na saída. Sou co-autor da Lei da Ficha Limpa Municipal e apresentei o PL sobre Dados Abertos, que inspirou as leis estadual e federal.


6. Voltando a falar de Partido, como avalia o processo de prévias do PSDB na cidade de São Paulo? O resultado, do ponto de vista institucional, foi positivo?
Depois de 22 anos, o PSDB realiza as prévias na cidade mais importante do País. As prévias foram importantes não só para reafirmar o compromisso do PSDB com a democracia como também com a militância. O resultado foi extremamente positivo. Nas reuniões, quando havia os debates entre os pré-candidatos, o PSDB foi solidificando uma visão para a construção da cidade que queremos. Cada militante contribuiu. E no final, todos concordaram que José Serra era o nome certo para apresentar este plano à população e, claro, implantá-lo.


7. José Serra foi escolhido pelos militantes do partido como candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. Você considera ter sido a melhor escolha? Por quê?
Serra, sem dúvida nenhuma, é hoje o político brasileiro mais identificado com a cidade de São Paulo. Serra personifica a devoção ao trabalho, a solidariedade com o próximo e a determinação inquebrantável que são marcas profundas do povo paulistano. E o povo de São Paulo vê refletidas em Serra essas suas qualidades; não à toa, nas últimas três eleições que disputou – para prefeito, governador e presidente – Serra obteve mais de 50% dos votos da cidade. O povo de São Paulo reconhece em Serra alguém que fez muito para melhorar as suas condições de vida. O deputado que viabilizou o programa seguro-desemprego, o ministro que introduziu no Brasil os medicamentos genéricos, o prefeito que acabou com as escolas de lata, o governador que investiu como nunca antes no Metrô e nos trens da CPTM. São realizações de Serra que mudaram pra melhor a vida das pessoas, em especial as que mais precisam.


8. Você ainda é bastante jovem para o currículo que tem. Isso demonstra competência comprovada nas atividades que se dispôs a exercer. Onde o Floriano ainda pode chegar? Pensa em ser, um dia, Prefeito, Governador ou até Presidente? Quais os planos para o futuro?

Neste momento,especificamente, meu objetivo e prioridade é minha reeleição. Quero dar continuidade ao trabalho iniciado na Câmara. A longo prazo, gostaria de voltar ao Executivo.


9. Aos mais jovens, militantes políticos, que sonham um dia chegar a um cargo eletivo em suas cidades, estados ou país, que dica daria para que o sonho se torne realidade? Existe algum segredo?
Conheça muito bem sua cidade, seu Estado e seu País. Estude incansavelmente, ouça as pessoas, ande, participe de grupos sociais e reuniões, pense em soluções possíveis para os problemas coletivos com os quais se depara. Converse com todos os que pensam como você e aprenda a argumentar, ouvir e debater com aqueles que pensam de forma diferente da sua, sempre com muito respeito e tolerância. Sonhe alto, projete a cidade, o estado e o país dos seus sonhos. Mas, sobretudo, aprenda a interpretar os sonhos e desejos coletivos.


10. Sou um dos fundadores da Associação Amigos da Leitura, que trabalha como um agente de desenvolvimento cultural por meio do incentivo e da democratização do acesso à leitura. Portanto, peço que indique um livro aos leitores do blog e nos diga o motivo pelo qual decidiu indicá-lo.
Teria vários para sugerir, mas acho que todos devem ler uma série obrigatória, de cinco obras excelentes, editada pelo iFHC, chamada “O Estado da democracia na América Latina”.
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