segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Copa do Mundo em 10 momentos

1 – O ANÚNCIO

Em Outubro/2007 veio o anúncio que tanto se esperava, mas já se sabia: o Brasil sediaria a Copa do Mundo de 2014. Tanta certeza se dava por conta do rodízio que a Fifa decidiu adotar, levando o campeonato mundial a todos os continentes, sendo 2014 a vez da América, cujo único candidato a sede era o Brasil.

Junto com o anúncio, veio a promessa subentendida de grandes investimentos em infraestrutura, turismo, telecomunicações, além dos estádios, claro. Das 18 pré-candidatas a cidades-sede, ficaram 12. O número foi exagerado, as distâncias enormes e algumas das cidades muito mal escolhidas. Assim começou a Copa no Brasil.


2 –AS CRÍTICAS E A DESORGANIZAÇÃO


A caminhada até a abertura do mundial foi marcada por críticas e desentendimentos entre a Fifa, o Governo Federal e seu Comitê Organizador.

Jerome Valcke, Secretário Geral da Fifa, se tornou figura constante nos noticiários do país, quase sempre criticando a organização e os atrasos nos estádios. E olha que sua preocupação estava, principalmente, com a questão esportiva. Do ponto de vista de infraestrutura, quase nada foi feito e não é exagero afirmar que o legado deixado pela Copa do Mundo é quase zero.


3 – A ABERTURA E O PRESSÁGIO DAS FALHAS DE ARBITRAGEM


Críticas à parte, o espetáculo começou no dia 12 de Junho. No jogo inaugural, vitória do Brasil, como deveria ser. Mas houve muita polêmica com relação ao pênalti marcado em Fred pelo juiz da partida. Realmente, não houve pênalti. Mas o erro na abertura só veio para nos avisar o quão ruim seria a arbitragem durante todo o mundial. Juízes erraram quase sempre, permitiram jogadas violentas sem mostrar cartões – será que por orientação da Fifa? - anularam gols legais, validaram gols ilegais... um verdadeiro desastre, coroado pelo Senhor Nicola Rizzoli, na final, com péssima atuação.


4 – O NAUFRÁGIO DA CAMPEÃ


A imagem da atual campeã Espanha sucumbindo no primeiro jogo frente a uma até então desacreditada Holanda será um dos retratos mais lembrados desta Copa. A derrota representou muito mais que não somar pontos na estréia. Foi a pior derrota de uma campeã em seu primeiro jogo após o título, significou, no mínimo, uma reflexão sobre a efetividade do estilo de jogo adotado pelos espanhóis há anos – o Tiki-Taka, manchou a imagem de alguns ídolos nacionais, como é o caso do goleiro Casillas, e culminou em uma eliminação precoce, já na segunda partida, contra o forte Chile.

Também ficarão na memória belo gol de Van Persie, de cabeça – pra mim, o mais bonito da Copa – e a primeira das tantas boas atuações de Robben – pra mim, o melhor jogados do campeonato.


5 – A SURPRESA CHAMADA COSTA RICA



Ela caiu em um grupo com três campeãs mundiais, fato inédito graças ao esdrúxulo critério da escolha de cabeças-de-chave adotado pela Fifa. Muito se falou que os classificados do tal grupo da morte, com Itália, Uruguai e Inglaterra, poderia ser definido no saldo de gols e quem fizesse mais gols na Costa Rica poderia se beneficiar. Pois o time da América Central bateu os bi-campeões uruguaios na estréia, os tetra-campeões italianos na segunda partida e empataram com a campeão Inglaterra no último jogo. Passaram pelos gregos nas Oitavas de Final e só caíram nas quartas, contra a Holanda, nos pênaltis.

Destaque para o goleiro Navas – pra mim, o melhor da Copa.


6 – LUIS SUÁREZ


O grupo da morte teve uma Costa Rica surpreendente, um jogaço entre Uruguai e Inglaterra, mas também teve a mordida de Suárez em Chiellini. O jogo ainda estava zero a zero quando ocorreu o fato. O juiz não viu – ou viu e não o puniu. No fim, Uruguai venceu, se classificou e eliminou os italianos. Mas foi o fim da linha para o melhor jogador do time – e um dos melhores do mundo. Por reincidência, a Fifa puniu o atacante Uruguai com 9 jogos pela seleção de seu país e 4 meses longe dos gramados. Considero a punição exagerada.

De toda maneira, a imagem ficará marcada na história das Copas.


7 – A COLÔMBIA SUL-AMERICANA


A Colômbia foi Colômbia. Ou foi Brasil? Vestiu amarelo, jogou bonito, encantou e teve o segundo melhor jogador da Copa, que usava a 10 nas costas: James Rodriguez. Representou da melhor maneira um futebol sul-americano com grande destaque em todo o mundial. O Chile foi forte como poucas vezes se viu; Brasil e Argentina foram semi-finalistas; o Uruguai passou pelo grupo da morte e depois perdeu para a própria Colômbia.

O bom técnico José Pékerman conseguiu aliar o já conhecido futebol técnico e alegre dos colombianos a uma disciplina tática incomum às seleções daquele país. O resultado foi um 5º lugar inédito.


8 – MINEIRAZO


Um time que estreou fazendo um gol contra, passou pela primeira fase com certa dificuldade, não teve preparo psicológico para enfrentar um Chile tradicionalmente freguês. Um capitão que chorou na hora da decisão, uma emoção descontrolada na hora de cantar o hino, um centroavante inexistente. Um Hulk apenas esforçado. Um único craque que foi tirado da Copa por uma entrada imprudente de um colombiano. Ligação direta entre defesa e ataque. Um time sem padrão tático.

Ainda assim, um semifinalista.

Melhor que não fosse. Foram sete gols sofridos contra a Alemanha. Quatro deles em apenas seis minutos. Reflexo de uma convocação muito mal feita, falta de opções pra formar uma equipe sem seu principal jogador – Neymar – e do descontrole psicológico demonstrado desde o início do mundial.

O Brasil deixou a Copa em seu país de forma melancólica, deixando o sentimento de necessidade de mudança, não apenas da seleção, mas do futebol brasileiro.


9 – ARGENTINA EM CASA


“Brasil, decime que se siente / quedar afuera del mundial. / Te juro que aunque pasen los años, / nunca nos vamos a olvidar.”

Se antes havia a confusão em todo o mundo sobre qual a capital do Brasil, agora todos devem achar que é mesmo Buenos Aires.

Muito mais confortáveis que o próprio anfitrião, a torcida argentina fez do Brasil sua casa e apoiou sua seleção até a final, o que não ocorria desde 1990.

O time argentino quase saiu do Brasil campeão vencendo por pouco ou até mesmo empatando, sem grande brilho das principais estrelas – inclusive Messi, escolhido injustamente o melhor da Copa – e com um sistema defensivo coletivo, sólido, que garantiu o sucesso da equipe.

Faltou a taça. Mas os ‘hermanos’ fizeram a festa no Brasil.


10 – É TETRA!


Foi feliz do começo ao fim. Assim podemos resumir a Alemanha da Copa 2014.

Chegou apontada como uma das favoritas e, sem dúvida, apresentando o melhor futebol dentre as 32 participantes do mundial. Interagiu com o povo brasileiro, tanto na estadia na Bahia quanto nas redes sociais. Conquistou a simpatia de todos, mesmo após a goleada em cima da seleção brasileira. Foi perfeita taticamente, compacta, decisiva. Mostrou equilíbrio no elenco, com as melhores opções de banco e bons jogadores em todas as posições.

Acima de tudo isso, se preparou para ser vencedora. Após a crise pela qual passou nos anos 90 – futebolisticamente falando – a Federação Alemã investiu pesado na formação de atletas, em reforçar ainda mais a liga nacional. Formou uma geração que seria lembrada mesmo sem o título. Mas nada mais justo que alcançar o tetra. A seleção mais regular da história das copas ainda estava atrás de Brasil e Itália em títulos. Agora não mais. Apenas o Brasil segue à frente. Talvez, por apenas quatro anos, afinal, muitos dos agora atuais campeões deverão estar na Rússia em 2018.

Em suma, a ‘Copa das Copas’ teve média de gols alta, grandes partidas, futebol ofensivo com o equilíbrio defensivo, zebras, tradição, goleiros incríveis, técnicos mudando jogo e a Alemanha campeã com muitos méritos.
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