quarta-feira, 23 de julho de 2014

O fechamento da Santa Casa de SP


"A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, considerada o maior hospital filantrópico da América Latina, suspendeu nesta terça-feira (22) o atendimento de emergência no pronto-socorro. 

O hospital alegou que não tem mais dinheiro para comprar materiais e medicamentos" 


Por Caio Lafayette

A notícia é recente, de ontem, mas, ao contrário do que alguns veicularam, não é surpresa.

Não é de hoje que a tabela do SUS não passa por correção de valores. Para se ter uma ideia, o repasse feito pelo Ministério da Saúde para casos de parto normal é de R$ 443, sendo que o custo mínimo para esse tipo de parto é de R$ 900. Outro exemplo se dá na diária da UTI: o SUS paga R$ 478; ela custa R$ 1.000.

Há 12 anos, o Governo Federal participava com 60% do total do SUS no Brasil. Nos últimos anos essa participação caiu para menos de 45%.

Para tentar minimizar o déficit, o Governo do Estado de São Paulo investiu, entre 2011 e 2013, R$ 1,8 bilhão nas santas casas, e prevê o investimento de mais R$ 1 bilhão no ano de 2014. Somente à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, serão repassados R$ 168 milhões este ano, totalizando R$ 345 milhões desde 2011.

Além disso, as santas casas e os hospitais filantrópicos contam com o programa Saúde SP, uma linha de crédito especial para quitação de dívidas e aquisição de equipamentos hospitalares, em parceria com a Desenvolve SP.

Fica, então, a preocupação com relação ao tratamento que o Ministério da Saúde dará ao caso. Não adiantam mais médicos apenas, sejam eles do país que forem. O que a saúde no Brasil precisa é de gestão. E atualizar a tabela do SUS se faz item prioritário, ou então, veremos mais hospitais sendo fechados.
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