sexta-feira, 27 de abril de 2012

A garota de São Paulo

Aproveitando o clima de Outono que enfim parece ter chegado e que é a cara de São Paulo.





A GAROTA DA SÃO PAULO
Texto de Marcelo Rubens Paiva


Existem mais de cem tons de cores. Mas prefere o preto.

Cítricas?

Só quando vai à praia.

E costuma cobrir suas pernas esticadas, finas, com meias pretas.

Usa botas. Não existe mulher que se veste melhor do que as paulistas. E que saiba qual bota escolher e como andar sobre elas.

Sabe o equilíbrio entre o moderno e o convencional. Senso estético apurado. Dona do seu próprio estilo.

A paulista não anda, caminha apressada. Vem e passa. Sem balanço. Sem mar para ir atrás. Moça do corpo pálido. Saturado pela pressa. Beleza que passa sozinha.

Não faz questão de chamar atenção.

Nem tanta questão de ser gostosa, mas magra.

Sempre de dieta.

Sempre em guerra contra a balança.

Malha para se afunilar. Intensamente, pois sabe que a gastronomia da cidade é uma tentação. Massas, pizzas, doces, sorvetes, doces, nhá benta, tesão…

Academia?

Prefere pilates, que estica até o limite das juntas, quase rasga em duas.

E corre, se quer emagrecer urgentemente.

Olhando o chão, pois já tomou muitos tombos por causa das calçadas irregulares da cidade, uma anarquia de desníveis, pedras, buracos, pisos sem um padrão seguro para o seu caminhar apressado de botas, meias e pernas finas.

Rebolar?

Fora de questão.

Olha para o chão e se lembra do que esqueceu, do quanto falta, do que faz falta, do que está errado.

A garota de São Paulo é perfeccionista, gosta de estar ajustada, como as engrenagens de uma indústria. Quer a precisão da esteira de uma linha de montagem.

Passa e olha para o chão, pois pensa nas atividades, nos prazos atrasados, nos compromissos da semana, na agenda do mês.



quarta-feira, 25 de abril de 2012

Manifesto do PSDB-SP contra cessão de terreno para Instituto Lula




Vimos manifestar nossa discordância ao projeto de lei nº 29/2012, que visa ceder ao Instituto Luiz Inácio Lula da Silva – Instituto Lula, mediante concessão administrativa, independentemente de concorrência, pelo prazo de 99 (noventa e nove) anos, o uso de áreas municipais situadas na Rua dos Protestantes, Centro, objetivando a instalação do Memorial da Democracia.

A eventual concessão desta área pública de mais de 4,3 mil m2, é estimada pelo mercado em cerca de R$ 20 milhões, numa região que passa por intenso processo de requalificação e consequente valorização. É, portanto, não só legítimo, como também necessário, que se debatam publicamente as alternativas possíveis para o seu uso, em termos do proveito para a população, e as contrapartidas exigidas do Instituto Lula, uma entidade privada.

Está claro que um imóvel desapropriado por utilidade pública, deve receber destinação pública, geradora de benefícios concretos e claros para a sociedade e, em hipótese alguma, poderá favorecer pessoas de direito privado, ou seja, não pode favorecer o Instituto Lula.

Diante desse fato, como os imóveis na região da Nova Luz foram desapropriados por utilidade pública, o bem necessita de destinação pública e não poderia ser entregue mediante concessão para um Instituto privado, que oferece contrapartidas sociais pífias, que não demonstra interesse público que justificariam uma concessão desse porte.

Adicionalmente, as próprias secretarias municipais, em seus pareceres, não reconhecem a valia do serviço público que poderia vir a ser prestado por dito instituto.

Além de um argumento legal deveras consistente, devemos considerar também a falta de moral, a pretensiosidade e a usurpação da história que estão por trás da criação de um Instituto que se propõe nascer como “Memorial da Democracia,” sendo que privilegiará a mitificação de uma só pessoa, o senhor Luiz Inácio da Silva.

O cidadão paulistano, que pode se orgulhar de tantos e tantos museus e institutos, mantidos ora por instituições públicas, ora pela iniciativa privada, não deveria ter que pagar, e por extensão, endossar, a criação de uma entidade semelhante, que tem o direito de expor sua verdade distorcida, se este for o caso, mas, de maneira alguma pode receber uma concessão deste teor para fazê-lo.

Assim, reiteramos nossa manifestação contrária a esta aprovação que fere os interesses dos cidadãos de nossa cidade.


Comissão Executiva Municipal
PSDB-SP

terça-feira, 24 de abril de 2012

Facebook do Carlinhos Cachoeira

Retirado de: Kibe Loco - a verdade é ácida e o kibe é cru



Bomba! Inédito! Exclusivo! Da série “Perfis do Facebook que gostaríamos de bisbilhotar”, Carlinhos Cachoeira…


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Crise no STF

Por Caio Lafayette

A discussão pública entre o ex-Presidente do STF Cezar Peluso e o Ministro Joaquim Barbosa talvez ainda não tenha tido a repercussão merecida - e entendo isso perfeitamente por saber que poucas pessoas entendem de fato a importância do Supremo - mas já foi o suficiente para levar a credibilidade da Corte rumo ao declínio.

E daí?

Pra começar respondendo, nada como nivelar os conhecimentos sobre as atribuições do Supremo Tribunal Federal. 


O STF é a mais alta instância do Poder Judiciário do Brasil e acumula competências típicas de Suprema Corte (tribunal de última instância) e Tribunal Constitucional (que julga questões de constitucionalidade independentemente de litígios concretos). Sua função institucional fundamental é de servir como guardião da Constituição. Nele, só devem ser apreciadas aquelas ações em que o interesse da nação esteja em jogo e somente a ele compete processar e julgar, originariamente, nas infrações penais comuns, seus próprios ministros, o presidente da República, o vice-presidente, os membros do Congresso Nacional e o procurador-geral da República; e nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade os ministros de Estado, os comandantes de Exército, Marinha e Aeronáutica (ressalvado o disposto no art. 52, I), os membros dos Tribunais Superiores e os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente. 

Pois bem, mas e daí?

E daí que um dos guardiões da Constituição e talvez maior representante naquele momento por ser o Presidente da Corte até então, Cezar Peluso disse que outro dos guardiões, o Ministro Joaquim Barbosa, era inseguro e dono de temperamento difícil. Interessante é que Peluso, por sua vez, também sempre foi tido como difícil, não pelo temperamento, mas pela postura. 

Então Joaquim Barbosa entrou em cena, e revidou com juros. Chamou Peluso de de ridículo, brega e caipira e ainda qualificou sua passagem pela presidência do STF como 'desastrosa'. Até aí, briga de egos. O problema foi a continuação: ele acusou Peluso de manipular resultados de votações. 


E isso é sério...


É sério pois, como dito anteriormente, no STF são apreciadas aquelas ações em que o interesse da nação está em jogo. É isso mesmo.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Vossa Majestade, Edmar Moreira

Em tempos de 'Cachoeira', como não lembrar do Castelo de Edmar Moreira?

Pois bem, texto que escrevi em Março de 2009, quando o escândalo do tal castelo estava na pauta.


VOSSA MAJESTADE, EDMAR MOREIRA
Por Caio Lafayette


Castelo Monalisa, do ex-deputado por Minas Gerais, Edmar Moreira


É com todo respeito e admiração que venho através desta humilde carta demonstrar toda minha admiração pela sua pessoa. Não é qualquer um que, nascido em um interior esquecido de Minas Gerais, atinge o cargo de corregedor da Câmara Federal. Mais difícil ainda é, poucos dias depois de assumir, ser ‘homem’ o suficiente para renunciar ao cargo em plena mesa da Câmara, como Vossa Majestade fez, afinal, os golpistas estavam forçando sua renúncia só por causa de sonegação fiscal…

Vossa Majestade, de fato, desde cedo mostrou ser um ‘revolucionário’. Quem mais, além de V. M., conseguiu ser expulso da corporação da Polícia, no período de ditadura, por abuso de autoridade? E já como Deputado, mesmo quando todos lutavam a favor do fim da CPMF, V. M. mostrou não ser um ‘maria-vai-com-as-outras’ e votou a favor da manutenção da taxa. Sem dúvida, um visionário.

Porém, Vossa Majestade, o motivo desta carta é demonstrar a imensa admiração pelo seu mais valioso bem: seu Castelo!

O castelo não se compara com a grandeza da índole e ética esbanjada por V.M. no transcorrer de sua vida, mas temos que admitir que é uma construção ‘faraônica’. São 8 milhões de metros quadrados de terreno, 32 suítes, sendo uma de 110 m² (área maior que a de um apartamento popular, às vezes habitado por famílias de até 10 pessoas), elevadores, uma capela (V.M. demonstra ser muito devoto a Deus e a seus princípios, incluindo os 10 mandamentos – não matar, não roubar, etc.).

Mais do que qualquer coisa, a causa da construção do castelo é nobre (assim como V.M.): realizar o desejo de sua esposa que, com ciúme do cunhado que comprou uma fazenda, fez um apelo para ter um castelo. Apelo este que causou comoção no bom do coração de Vossa Majestade que, com muito esforço, partiu em busca de realizar o sonho da sua esposa.

Para concluir, quero que saiba que não entendo o porquê de alguns dizerem que Vossa Majestade deveria ser preso por conta desse castelo. Na verdade, só pode ser inveja, afinal, esses que querem não são tão nobres quanto V.M., têm que declarar imposto, pagar aluguel, utilizar o SUS…

Parabéns, Vossa Majestade, Edmar Moreira

quarta-feira, 18 de abril de 2012

44 dias...

Ilustração de Luyse para a música
'Sentimental'.

"De tanto eu te falar
Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir"




"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa..."

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O que acontece com você Lusa?

Por Caio Lafayette

A Portuguesa, tradicional clube do futebol paulista, é um mistério. Se lá no Rio de Janeiro a máxima é "tem coisas que só acontecem com o Botafogo", a Lusa não fica muito atrás aqui em São Paulo.

Pra não ficar apenas no fato trágico de ontem (que falarei mais no decorrer do post), vale lembrar algumas curiosidade sobre o time do Canindé.


  • Em meados dos anos 90 a Portuguesa montou, com jogadores da  base, um dos maiores esquadrões de sua história e, já em tempos de futebol moderno, um dos elencos com maior potencial de venda que pude ver. Rodrigo Fabri, Zé Roberto, Zé Maria e outros que fizeram sucesso no exterior levaram o time ao vice-campeonato brasileiro e foram vendidos a peso de ouro. Desse dinheiro, nada se viu de retorno. A estrutura do clube continuou a mesma - ou piorou. Essa é a Lusa...
  • Já perto do fim dos anos 90, outro bom time, menos talentoso, mas que parecia mais vivo, mais 'cascudo'. Comandando pelo experiente Evair e pelo jovem Leandro, tinha cara de campeão. E foi até a Semi-final do Paulista. E foi melhor que seu oponente - o Corinthians. E foi muito melhor, eu diria. Mas tem coisas que só acontecem com a Portuguesa... Eis que surge o argentino de nome Javier Castrilli e, com uma atuação pra lá de desastrosa, prejudica - e muito a Lusa. No fim das contas o Corinthians perdeu a final para o São Paulo, mas quem devia estar na decisão era a Portuguesa.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Liberdade? Paraíso?



"Devia ser sábado, passava da meia-noite.
Ele sorriu para mim. E perguntou:
- Você vai para a Liberdade?
- Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou-se ao meu lado. E disse:
- Então eu irei com você."

Caio F. Abreu




quarta-feira, 11 de abril de 2012

Aula de Inglês

Texto de Rubem Braga


— Is this an elephant?

Minha tendência imediata foi responder que não; mas a gente não deve se deixar levar pelo primeiro impulso. Um rápido olhar que lancei à professora bastou para ver que ela falava com seriedade, e tinha o ar de quem propõe um grave problema. Em vista disso, examinei com a maior atenção o objeto que ela me apresentava.

Não tinha nenhuma tromba visível, de onde uma pessoa leviana poderia concluir às pressas que não se tratava de um elefante. Mas se tirarmos a tromba a um elefante, nem por isso deixa ele de ser um elefante; mesmo que morra em conseqüência da brutal operação, continua a ser um elefante; continua, pois um elefante morto é, em princípio, tão elefante como qualquer outro. Refletindo nisso, lembrei-me de averiguar se aquilo tinha quatro patas, quatro grossas patas, como costumam ter os elefantes. Não tinha. Tampouco consegui descobrir o pequeno rabo que caracteriza o grande animal e que, às vezes, como já notei em um circo, ele costuma abanar com uma graça infantil.

Terminadas as minhas observações, voltei-me para a professora e disse convincentemente:

— No, it's not!

Ela soltou um pequeno suspiro, satisfeita: a demora de minha resposta a havia deixado apreensiva. Imediatamente perguntou:

— Is it a book?





terça-feira, 10 de abril de 2012

Foo Fighters e o Rock. O Rock e o Foo Fighters

Por Caio Lafayette



Eu não estava lá, no Jockey Clube, este final de semana.
Eu não vi a apresentação do Foo Fighters 'in loco'.
Mas tive o prazer de estar com a TV ligada no Multishow. E eles, o Foo Fighters, me fizeram lembrar, por alguns momentos, que o Rock um dia existiu.





quinta-feira, 5 de abril de 2012

Porque Serra é Preparado

Texto de Floriano Pesaro, vereador, líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo.



Porque Serra é Preparado



Como todos sabem, estamos em um ano de eleições municipais. E, na semana passada, tive o prazer de acompanhar o pré-candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo José Serra em um encontro com diversas lideranças da Zona Oeste de nossa cidade.



É notável como a candidatura vem ganhando força. Boa notícia não só para São Paulo, mas para a própria democracia brasileira – que continuará encontrando em São Paulo uma resistência forte e organizada ao projeto petista.



Serra, sem dúvida nenhuma, é hoje o político brasileiro mais identificado com a cidade de São Paulo. Serra personifica a devoção ao trabalho, a solidariedade com o próximo e a determinação inquebrantável, que são marcas profundas do povo paulistano. E o povo de São Paulo vê refletidas em Serra essas suas qualidades. Não à toa. Nas últimas três eleições que disputou – para prefeito, governador e presidente – Serra obteve mais de 50% dos votos da cidade.



Em sua primeira gestão à frente da prefeitura de nossa cidade, Serra acabou com a taxa do lixo, criada por Marta Suplicy e isentou da taxa de iluminação pública os moradores de ruas não iluminadas; construiu 46 novas escolas, substituindo outras 44 em condições inadequadas.



quarta-feira, 4 de abril de 2012

O feitiço virou contra o feiticeiro

Por Caio Lafayette


Demóstenes Torres, na Campanha de 2010,  jacta-se de ter sido o Relator da Lei da Ficha Limpa e torna-se autoridade máxima em assuntos éticos no país.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Post 100

Na centésima postagem do blog, Charlie Brown e seus dilemas - que quase sempre refletem os nossos.





segunda-feira, 2 de abril de 2012

Notícia de Jornal

Mais um dos meus textos de cabeceira, pra começar a semana.



NOTÍCIA DE JORNAL

(Fernando Sabino)


Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.

Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.

Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.

O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.

Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa – não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.

Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da rádiopatrulha, por que haveria de ser daminha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.

E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.

E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.