quinta-feira, 31 de maio de 2012

Perfeição

Por Caio Lafayette


Eis que a MTV decide mudar a rotina de vida de algumas 'mil' pessoas em pleno meio de semana na São Paulo que nunca para com uma grata surpresa: um Tributo à Legião Urbana.

Fórmula fadada ao sucesso: MTV que, mesmo em baixa há algum tempo, foi a emissora que transmitiu os gostos e vontades dos jovens durante toda a década de 90 - e um pouco da década de '2000' - e Legião Urbana que, goste você ou não meu caro leitor, é a banda que mais marcou as gerações a partir dos anos 80 - permeando, inclusive, o auge da MTV.

Mas sucesso talvez não seja a palavra que melhor defina o tal Tributo. Não que ele não tenha sido alcançado - longe disso. Só que a palavra 'sucesso' jamais expressaria, por exemplo, o quão EMOCIONANTE foi o show.

Pois é...

Com a formação original, mais alguns músicos pra completar a banda e... Wagner Moura nos vocais! Ahn?! O Capitão Nascimento???? Ele mesmo, Wagner Moura - ou Zico, Cientista Zero, Capitão Nascimento, como preferir.

Mas ele não é ator? E ele sabe cantar?

Creio que neste momento se revela o grande segredo do sucesso, da emoção e do clima nostálgico que se criou: NÃO, ele não sabe cantar. Na verdade, seria injustiça dizer que o cara não sabe cantar. Ele só não canta bem.

E por que ele, então?

Wagner Moura no palco foi simplesmente uma representação daqueles que transformaram Renato Russo em mito e Legião Urbana na banda mais marcante da história do Rock Nacional: os fãs. E depois de tantos anos de exaltação das músicas e letras da banda, nada mais justo que homenagear, dessa vez, os fãs.

Pra mim isso resume, de maneira bem genérica, o que aconteceu na Terça-feira e Quarta-feira dessa semana. Uma homenagem justa aos fãs de Legião Urbana.

E mesmo com as falhas no som, o estado de choque de Wagner Moura nas primeiras músicas, o fato de estarmos no meio a uma semana corrida como tantas as outras, posso afirmar que as duas horas de show foram das mais marcantes na vida de cada um dos quase 15 mil fãs que passaram pelo Espaço das Américas nos últimos dois dias.

Pra terminar, deixo que Renato Russo fale por mim, e que Wagner Moura, na condição de fã, me represente no palco.


"Venha! Que o que vem é Perfeição!..."


terça-feira, 29 de maio de 2012

PSDB repudia atitude de Lula em relação ao STF

Nota assinada pelo presidente do partido, Sérgio Guerra (PSDB-PE), e pelo secretário-geral da legenda, Rodrigo de Castro (PSDB-MG), classifica de “necessária e urgente” a apuração integral, pelas instituições oficiais competentes e por organizações da sociedade civil, das ações de Lula junto ao órgão máximo da Justiça brasileira para interferir no processo de julgamento do mensalão. “Os fatos narrados atentam violentamente contra a independência e a moralidade que devem pautar a atividade pública, sobretudo em um Estado Democrático de Direito onde a autonomia dos Poderes constituídos é conquista inarredável e direito garantido da sociedade brasileira”, diz trecho do documento. Confira a íntegra:

“Em face da gravidade das revelações feitas pela imprensa sobre encontro mantido entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o PSDB vem a público declarar:

1 – Os fatos narrados atentam violentamente contra a independência e a moralidade que devem pautar a atividade pública, sobretudo em um Estado Democrático de Direito onde a autonomia dos Poderes constituídos é conquista inarredável e direito garantido da sociedade brasileira.

2 – É necessária e urgente a apuração integral pelas instituições oficiais competentes, bem como por organizações da sociedade civil, sobre as ações e iniciativas empreendidas pelo ex-presidente da República junto a ministros e representantes do Supremo Tribunal Federal (STF) com intuito de influenciar e interferir no processo de julgamento de prática criminosa denunciada durante seu governo, conhecida como “mensalão”.

3 – O PSDB e seus senadores e deputados federais apoiarão todas as iniciativas no âmbito do Congresso Nacional para uma investigação profunda e isenta sobre desvios de conduta, tráfico de influência ou prática de lobby por parte de agentes públicos.

Dessa forma, o PSDB vem reafirmar sua confiança na independência do Poder Judiciário e ressaltar a importância e o valor das decisões do STF na defesa intransigente da Constituição e dos direitos da sociedade brasileira.

Quer ainda somar sua voz à dos setores da sociedade civil que declaram indignação diante dos fatos ocorridos e vindos a público por intermédio da imprensa nacional, que, mais uma vez, prestou inestimável contribuição ao país.

Por fim, o PSDB manifesta perplexidade com o esforço que vem sendo feito pelo PT no sentido de evitar que os trabalhos da CPMI que investiga denúncias
envolvendo o contraventor Carlos Cachoeira alcancem pleno êxito, com independência e respeito à verdade dos fatos.

Brasília, 28 de maio de 2012.

Deputado Rodrigo de Castro (MG)
Secretário Geral do PSDB

Deputado Sérgio Guerra
Presidente Nacional do PSDB”

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A revolução não partirá do vão livre do Masp

Em semana com uma 'Cachoeira' de comentários sobre a ética na política, CP(M)I's, vetos a Códigos Florestais e demais temas, publico um texto de Matheus Pichonelli da Carta Capital, escrito em meados de Setembro de 2011, que trata da onda de protestos contra a corrupção que explodiram na época.

Há algum tempo quero publicar esse texto e acho que esse é um bom momento.

A reflexão deste é interessante e, digo até, necessária.

Leiam!


A REVOLUÇÃO NÃO PARTIRÁ DO VÃO LIVRE DO MASP

Matheus Pichonelli

Manhã fria e sem nuvens em São Paulo, e eles já se aglomeravam no vão livre do Masp, na avenida Paulista. Alguns cartazes (um deles citava a “justiça de Deus”), um certo barulho, alguns apitos, uma pitada de indignação e uma aparente desorientação representada pelo desavisado que errou de presidente ao erguer uma placa de “fora Lula”… São dezenas (talvez duas centenas), a maioria jovens, protestando, no Dia da Independência, contra a corrupção.

Na organização do evento, espalhada pelas redes sociais, os pontos de exclamação se proliferam como lanças afiadas. Não se sabe exatamente o alvo, mas estão ali, exigindo que não sejamos omissos. Nada contra as boas intenções, mas o discurso que antecede a exclamação, mesmo que dentro de míseros 140 caracteres, propaga antes a preguiça que a indignação.

Em São Paulo, os mesmos pontos de exclamação já foram mais simpáticos. Mais bem-humorados também. Outro dia o Facebook ajudou a levar a Higienópolis uma galera que queria dar as caras e mostrar que, diferentemente da população local, não tinha vergonha de ser “diferenciada”. Foi a maneira encontrada para avisar que a questão do transporte público era mais nobre que o eventual incômodo causado pela democratização do acesso ao bairro. Funcionou: a associação de senhoras e senhores que reivindicava o direito ao isolamento se calou, o governador se manifestou, e a questão passou a ser discutida com seriedade. Ponto para os manifestantes.

Questão pontuais, e mais que legítimas, também levaram manifestantes às ruas em São Paulo em tempos recentes. Na intenção de escancarar o repúdio à opressão masculina, ainda reinante em rodas de conversa e abordagens pelas ruas, mulheres organizaram a Marcha das Vadias pelo direito de usar saia sem serem agredidas. Ponto para elas.

Mesmo a mais polêmica das marchas, a da maconha, propunha-se a provocar uma discussão pública: seremos obrigados a tomar bala perdida em nossas casas por um combate ao tráfico que enxuga gelo e pode ser desatado de outros modos? Ponto para os manifestantes, que chamaram a atenção para a imprensa e os órgãos públicos para a discussão, gostem dela (e da fumaça) ou não.

Mas o que seria protestar contra a corrupção? A organização, por meio do Facebook, explica: é uma “guerra contra o mau político, contra a corrupção que assola nas esferas federal, estaduais e municipais, contra as obras superfaturadas, contra as licitações viciadas e fraudulentas, contra os desvios de verbas, contra o ‘retorno’ (comissão) cobrado por políticos e funcionários públicos para liberação de verbas públicas, e contra a degradação da nação está começando (sic)”. 


terça-feira, 22 de maio de 2012

Chute no ouvido

Tutty Vasques, como sempre, sintetizou muito bem o que de melhor aconteceu na 1ª rodada do Brasileirão 2012: a negação de Herrera à tradicional música do Fantástico. Muito bom!



CHUTE NO OUVIDO
Por Tutty Vasques


Ao abrir mão do sagrado direito de pedir música no ‘Fantástico’, prerrogativa assegurada a quem faz três gols no domingo, o atacante argentino Herrera, do Botafogo, merece aplausos pelo bom exemplo que deu aos colegas brasileiros.
Gosto musical de jogador de futebol não se discute, mas também não é coisa que mereça divulgação nem aqui nem na China.
Desde que a TV Globo lançou a brincadeira no ar, tem torcedor que prefere ver seu time ganhar por um placar mais apertado a golear e expor seu artilheiro ao ridículo de pedir um pagodinho xexelento – quando não um sertanejo de quinta categoria ou um gospel abaixo da crítica –, no três em um do Tadeu Schmidt.
Não à toa, Herrera foi o grande destaque da abertura do Brasileirão: nos livrou de terminar o domingo passado ao som do que há de mais sofrível no tango da atualidade.
O pior é que certos gols de placa, dependendo da trilha sonora do replay na televisão, nem parecem nada demais!
A Globo devia dar aos goleadores da rodada o direito de pedir outras coisas que não música. Pêra, uva ou maçã com a Glenda Kozlowski, por exemplo, quem sabe, né não?


segunda-feira, 21 de maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Visita à Casa do Povo

Aproveito minha ida ontem à Assembléia Legislativa de São Paulo para reproduzir um texto meu, escrito em 02 de Junho de 2009 - lá se vão quase três anos - após visita à mesma casa. Algumas observações feitas naquela época talvez até tenham mudado, mas vale a pena que fiquem registradas.


VISITA À CASA DO POVO
Por Caio Lafayette

Ontem fui na Assembléia Legislativa de São Paulo em companhia do meu amigo Gabriel Freri (não é o mesmo que escreve no blog). E tenho algumas coisas interessantes a comentar.

A começar que o lugar é muito longe. Sofri, mas cheguei apenas 6 minutos atrasados – 9h06m. Mal sabia que a moda é se atrasar, mas esse assunto tratarei mais pra frente.
O objetivo da visita: participar da abertura da Semana do Meio Ambiente, evento que durará a semana toda, com palestras e apresentações visando a conscientização quanto ao assunto. Marcada para as 9h, percebi que eu e o Gabriel éramos um dos poucos a chegar próximo do horário – como eu disse, nos atrasamos em 6 minutos. Começamos a passear pela Casa e a primeira grande percepção: é muito fácil colocar uma bomba na Assembléia. Não que eu queira isso, que fique bem claro. Não tenho competência técnica para fazer uma bomba, nem dinheiro para mandar fazer. Além do que, não é da minha índole. Mas o fato é que andei pela Casa, tomei café, entrei em elevadores, corredores, salas, sem ninguém, ao menos, me perguntar quem eu era ou o que fazia ali.

Pontualmente às 10h – mesmo tendo sido marcado às 9h – começou a abertura do evento que me levou até ali. O incrível número de 15 pessoas tomavam um auditório projetado para duzentas. A mesa diretora tinha quase o mesmo número de pessoas que a platéia. Autoridades, deputados, presidentes de Ong’s. E então a segunda grande percepção: cada um que falava, elogiava imensamente os companheiros da mesa. Mas elogiava em exagero. ‘Rasgação de seda’ total. Chegava a ser chato. Será que para ser autoridade tem que ser falso daquele jeito?

Depois de uma apresentação de ballet, decidimos ir passear mais pela Assembléia. Não colocamos nenhuma bomba, apesar de não terem faltado oportunidades. Logo, a terceira grande percepção: nos murais, ficam expostos uma série de atividades que acontecem paralelamente nos auditórios. São temas diversos, todos de interesse dos cidadãos. A entrada é livre. A participação é aceita. E então achamos uma discussão sobre a Urna Eletrônica.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

segunda-feira, 14 de maio de 2012

José Serra no Estadão

Entrevista publicada ontem no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO com o pré-candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB José Serra.


A cinco semanas da convenção que vai oficializar sua candidatura à Prefeitura de São Paulo pelo PSDB, o economista José Serra, de 70 anos, ainda seca as feridas de sua última disputa nas urnas, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT) na eleição presidencial. Ele reconhece o peso do ex-presidente Lula no processo e assume a frustração: "Eu entrei efetivamente com a expectativa de vencer e perdi".

O tucano ainda dispara uma infinidade de dados sobre "problemas nacionais", mas passou a coletar números sobre a capital paulista e diz estar pronto para sua décima disputa em 26 anos. "Eu não sou dependente químico de eleição, mas eu gosto de campanha." Na quinta-feira, Serra recebeu o Estado em sua casa para uma entrevista exclusiva, na qual defende a gestão de Gilberto Kassab (PSD), e diz que sua campanha de 2010 influencia decisões do governo Dilma. "Cópia, se bem feita, é uma virtude." Segundo ele, voltar a disputar a Presidência em 2014 não está nos planos.


Depois de ser prefeito, governador, senador e ministro, por que tentar voltar à Prefeitura agora?
Criou-se uma necessidade política, no âmbito do partido e de aliados, de ter uma opção forte para a Prefeitura. E por gosto, porque é algo que me agrada bastante. São Paulo é uma cidade com receitas de município e problemas nacionais. É sempre um grande desafio.

Que motivação política foi essa?
É importante ter uma opção com grande chance de vitória e impedir uma descontinuidade dramática nos rumos da cidade. Levo em conta que, nos últimos oito anos, nós arrumamos São Paulo do ponto de vista fiscal. É claro que os problemas continuam, mas o fato é que é muito importante manter São Paulo no rumo, e numa articulação estreita com outra prefeitura, que é o governo do Estado.

A solução para o trânsito de São Paulo está apenas no transporte sobre trilhos?
O problema da mobilidade na cidade jamais será equacionado, o que não significa que a gente não possa melhorar. São Paulo tem que ter uma teia de aranha de trilhos por baixo da cidade. Isso não desmerece a importância de obras viárias e corredores de ônibus, mas sempre tendo em mente que o ônibus tem, em última análise, que servir ao transporte de trilhos.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Marisa vem aí...

Mesmo com o preço bastante salgado, o post serve apenas para comemorar o anúncio dos 10 shows que Marisa Monte fará em São Paulo entre o final de Junho e o começo de Julho - http://www.marisamonte.com.br/pt/agenda/ 


"O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado

Tudo se transformou
Agora você chegou
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar

Assim"

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Muito além da barbárie

Na iminência da liberdade do Goleiro Bruno, que ficou mais conhecido pelo caso do sumiço de Elisa Samúdio do por méritos em sua profissão, relembro o ótimo texto de Arnaldo Jabor, escrito quando o caso ocorreu, em meados de 2010. Vale e muito a reflexão.


MUITO ALÉM DA BARBÁRIE
Arnaldo Jabor

O carro corre, vejo a paisagem passar, os morros lá longe, as vaquinhas, meu primo me prometeu 3 mil contos, tenho de segurar ela por trás e bater…pô… com esta música no rádio, tchan, tchan e esta criança chorando, eu estou com medo também, mas o Bruno disse que “di-menor” não tem bronca, tudo numa boa…é só um tempinho na Febem.

Lá vai: toma porrada na cabeça, sua vaca…. “Você perdeu, Eliza…”
Segura ela, garoto babaca, e você pára de chorar, bagaceira, e faz teu filho parar também, senão eu largo esse menino na estrada ou não me chamo Macarrão… A gente tentando te ajudar e você criando caso…o Bruno é sangue bom…quando eu vejo o riso dele com os dentes brancos, eu me derreto…ele voando, voando até a bola, santo Deus, a bola obedece o homem, por isso fiz a tatuagem com uma declaração de amizade eterna nas costas, cala a boca, menino filho da égua, eu vou botar um esparadrapo na boca dele…Você também, priminho mané, pára de tremer…Você veio não veio? O Bruno não disse que vai te dar uma grana, hein, seu merdinha…Agora amarelou?

Porra, 14 horas de estrada por causa duma desgraçada que cuspiu o remédio do aborto que eu dei…vou encher ela de porrada quando chegar no sítio, ela não me obedece, não quero filho nenhum nem vou dar merda nenhuma pra ela, a Dayanne já me arranhou todo por causa dela, estou de saco cheio, mulher é fogo, só problema…Será que elas não me respeitam? Eu sou o goleiro da próxima Copa, porra, e essas escrotas não me ouvem, por isso eu esculachei aquelas vagabundas da Vila Mimosa, deixei caídas no chão e nêgo não falou nada…Eles respeitam o ídolo aqui…elas não, porra…



terça-feira, 8 de maio de 2012

Café com conhaque

Por Caio Lafayette


Em um tradicional café da cidade ela o aguardava.

Livro aberto e apoiado na mesa. ‘Não leve a vida tão a sério’, típica literatura de auto-ajuda, que nunca foi a preferida dela, mas não custava tentar. Há algum tempo buscava alternativas para, se não esquecer, ao menos confortar-se com seu passado. Terapia, amigos, balada. Parece que nada dava certo. Apelou pra auto-ajuda mesmo.

Vestia-se em um elegante sobretudo bege e uma boina preta, muito bem protegida do frio incomum que assolava a cidade de São Paulo em pleno Fevereiro.

Especialista em café’s, tinha marcado naquele local por adorar o Machiatto – nada mais que um café expresso com espuma de leite. Ele não era fã. Sempre preferiu conhaque. Tinha, aliás, em sua kitchenet na Zona Sul uma coleção deles. Dividia os 30m² com uma cama, uma TV velha e sua coleção de conhaques.

Bem menos elegante que ela, ele estava atrasado. O terno barato e mal passado só era o traje por ser obrigado a usá-lo em seu serviço. Se pudesse escolher estaria de calça jeans e blusa de moletom. Não teve escolha. Nem do traje, nem do transporte. O Metrô atrasava ainda mais o encontro. À medida que o tempo passava, a impaciência aumentava. E pior era pensar que ela poderia desistir, pagar seu Machiatto e ir embora. Será?

Já se passavam 20 minutos do horário combinado, mas ela parecia estar tranquila. Saboreava seu café, buscava ajuda na literatura e protegia-se do frio. Pensou em mandar um SMS para saber onde ele estava. Preferiu não. Voltou a se concentrar no livro.

Ele entrou e ela estava ali, onde haviam combinado. Pode parecer óbvio, mas 40 minutos depois do horário marcado já não seria nenhuma surpresa se ela tivesse desistido e deixado o local. Mas não deixou.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sai Sarkozy, entra Hollande

Reportagens retiradas do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO para tratar do principal assunto do final de semana.


O EX-PRESIDENTE, NICOLAS SARKOZY

Derrotado nas eleições de domingo, Nicolas Sarkozy deixa a Presidência da França sem conseguir se distanciar da imagem de playboy que adotou no começo do mandato, que acabou desagradando igualmente partes da direita e da esquerda francesas.

Ele foi eleito prometendo uma "ruptura" com o estilo tradicional de um presidente na França. Essa "nova" imagem foi marcada inicialmente pelas férias em um iate de um grande empresário, pelo seu gosto notório por coisas luxuosas e pela exposição de sua vida pessoal em revistas de celebridades no início de seu mandato.

Mas a maior "ruptura" prometida ocorreu na forma como ele exerceu o poder: Sarkozy foi onipresente na vida política, acumulando as funções de chefe de Estado e atribuições de primeiro-ministro, o que lhe valeu o apelido de "hiperpresidente" e o fez ser comparado inúmeras vezes a Napoleão Bonaparte.

"Sarkozy exerceu a função presidencial de maneira inédita na França", diz o cientista político Stéphane Montclaire, da Universidade Sorbonne.

"O presidente francês é responsável pela política internacional e pela defesa. Ele deixa o restante para os ministros. Sarkozy achou que os franceses se acomodariam com (seu estilo de governar), mas a transição foi muito rápida. Foi um erro fatal", diz Montclaire.

Talvez por essa razão o primeiro-ministro, François Fillon, registre até hoje um índice de popularidade maior do que o do presidente.

"Sarkozy vai entrar para a história como o exemplo a não ser seguido", afirma o especialista.

Presidente dos ricos

Sarkozy celebrou sua vitória em 2007 no luxuoso restaurante Fouquet's, na Champs-Elysées, sob o olhar das câmeras de TV do mundo todo. O local acabou se tornando, ao longo de seu mandato, o símbolo dos "presidente dos ricos", como vinha sendo chamado por seus opositores.

Ele foi o primeiro presidente a se casar novamente - com a top model e cantora Carla Bruni - após um divórcio e o primeiro a se tornar pai durante o exercício da função.

Foi também pioneiro ao entrar no Palácio do Eliseu usando shorts e tênis após uma corrida, ao insultar um cidadão comum em um evento com frases vulgares e ao nomear personalidades da oposição para cargos de governo, o que provocou críticas em seu próprio campo.

Seu estilo tempestuoso desagradou parte do eleitorado tradicional da própria direita francesa, para quem esse tipo de comportamento não corresponde à imagem de um chefe de Estado.

A oposição se aproveitou disso e usou a imagem de Sarkozy como munição. Durante a campanha, o candidato socialista François Hollande prometeu que seria um "presidente normal".

Francês como os outros

Derrotado, Sarkozy, disse que voltará "a ser um francês como os outros", o que deverá ser um desafio a partir de 15 de maio, quando deixará o cargo, para um homem que certamente não agiu como um francês "como os outros".

Sarkozy obteve recordes que preferia não ter obtido: foi o presidente com o mais baixo índice de popularidade da chamada 5ª República, que começou com o general Charles de Gaulle em 1958, e foi o primeiro chefe de Estado a não liderar o primeiro turno de uma eleição presidencial.

Mas se no campo interno Sarkozy foi alvo de críticas, sua atuação internacional, como nos conflitos na Geórgia (2008) ou na Líbia e na crise na zona do euro, foi elogiada.

Sarkozy foi um dos líderes europeus mais em evidência na mídia internacional dos últimos tempos.

Apesar de sua baixa popularidade, sua derrota não foi esmagadora. Ele recebeu 48,38% dos votos, segundo o Ministério do Interior, resultado melhor do que o apontado nas pequisas eleitorais.

Sarkozy havia prometido deixar a vida política em caso de derrota.

No discurso aos militantes de seu partido, na noite de domingo, ele foi, no entanto, vago a respeito de seu futuro.
Mas, segundo a imprensa francesa, Sarkozy teria dito à sua equipe que encerrá suas funções políticas e não irá conduzir o partido às eleições legislativas, em junho. 


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Juízo

Texto de Caio Lafayette e ilustração de Luiz Carlos Bergamasco


'Matrona' - por Luiz Carlos Bergamasco

Juízo às vezes passa longe dele. Conhece mais pelas palavras de sua mãe quando pequeno do pelo seu significado de fato. Mas também não é um monstro, um brucutu.

Certa ocasião estava a namorar uma garota linda, meiga, cheirosa e de família - seja lá o que signifique isso hoje em dia. Moça pra casar. Mas veio uma festa do priminho dela e um rabo-de-saia o fez mudar o rumo das coisas. Nada de tão catastrófico se o rabo-de-saia em questão não fosse a prima da moça. Resultado: pela primeira vez foi taxado de sem juízo.

O romance acabou, mas a vida continuou. Ele tinha plena consciência de que não fez por mal. E confessou não entender o motivo pelo qual foi chamado de sem juízo. Lembrou que sua mãe o taxava da mesma coisa quando pirralho. Ficou com a sensação de que as pessoas mais velhas usam essa expressão para designar atitudes que elas não entendem.

Um pouco mais pra frente, já recuperado da festa passada, engatou um ‘affaire’ com uma menina de longe. Bem longe. Ia visitá-la aos finais de semana e voltava na segunda-feira direto para o trabalho. Mas parece que as coisas não davam certo pra ele. Dividido entre sua namoradinha e sua liberdade, no momento crucial do relacionamento – o noivado – largou tudo e preferiu ir com os amigos para uma casa de diversão masculina. A moça havia reservado mesas no melhor restaurante da cidade longínqua e convidado toda a família. Ligava desesperada para um celular que só caía na caixa-postal. Ele não deu notícia. E quando resolveu fazer isso, estava tão bêbado que não conseguia explicar onde estava e o porquê de não ter ido ao jantar tão esperado. Resultado: todos o taxaram de sem juízo pela segunda vez.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Rádio Milênio

Abro espaço hoje no blog para divulgar o projeto 'Rádio Milênio' que conta com a participação de um grande amigo, Rafael Tavares.

Rafael Tavares da Silva, 25 anos, cursa atualmente o último ano de Jornalismo na Faculdade São Judas, é Promotor na rádio Web São Judas e Promotor e Locutor da Rádio Web Milênio. Milita no Movimento Humanista, atua na organização de eventos voltados à Cultura em bairros da Zona Leste de São Paulo e ainda escreve no blog revolucaodiaria.blogspot.com .


Conheça, então, a 'Rádio Milênio' - Por Rafael Tavares

A historia do rádio mostra que ele é um dos veículos de comunicação mais democráticos que existe. Qualquer um pode ligar para a rádio e ser atendido; o repórter pode entrar no ar em meio a um trânsito pelo telefone; os ouvintes podem contribuir com a programação contando o que esta acontecendo, inclusive furos de reportagens. Entre as modalidades desse veículo estão as rádios comunitárias que se focam nos problemas locais, criando um vínculo com os moradores, expondo seus problemas expostos - como buracos em ruas, aumento de crimes na região, reclamações dos serviços públicos de transporte, água e luz - e gerando outros benefícios, como divulgar eventos locais e comunicar-se com a comunidade.


A rádio comunitária Milênio tem o objetivo de servir de microfone para as pessoas da Zona Leste de São Paulo e regiões próximas como Ferraz de Vasconcelos e Itaquaquecetuba. O tempo para conseguirmos a concessão foi de 10 anos, devido a burocracias do Governo Federal. Mas hoje ,com a concessão em mãos, passamos por problemas técnicos e financeiros. Assim, a equipe da rádio decidiu inaugurar a rádio web Milênio para arrecadar fundos, estabelecendo desde já uma parceira comunitária, destacar os acontecimentos da região e formar um público.

A Web Rádio terá programas didáticos voltados à literatura, música independente, história, ecologia, ações culturais e programas jornalísticos.

No momento, estamos atrás de parceiros que nos ajudem a divulgar o projeto.

quarta-feira, 2 de maio de 2012