terça-feira, 31 de julho de 2012

Breve código de etiqueta do boêmio

Texto de Xico Sá

1) É de bom-tom sempre guardar o nome dos garçons, afinal de contas é no ombro deles que vais chorar, ao som de “Nervos de Aço”, a inevitável, acachapante e humaníssima dor de corno.

2) Na saúde e na doença, a culpa será sempre do tira-gosto, ah, aquela calabresa, aquele torresmo, aquela azeitona me fez mal à beça... Jamais a culpa será da cachaça ou do uísque.

3) Boemia é como futebol, é ritmo de jogo, seqüência; se você a larga por uns dias, ela te pega na volta, mesmo que peças,suplicante, a tua nova inscrição.

4) A divisão do tempo da prosa, na mesa de um bar, deve obedecer ao seguinte critério: 50% sobre mulheres, 40% sobre futebol e 10% sobre as ressacas monstruosas, a nostalgia precoce das quedas. E que venham as próximas.

5) Procures sentar sempre nas primeiras mesas do botequim, se possível na calçada, pois todos os dias, alguma mulher irada sai de casa, revoltada com o consorte, e diz assim: “Hoje eu vou dar para o primeiro que encontrar”. Se bem colocado, este primeiro serás tu, bravo boêmio.



6) Direito máximo do consumidor boêmio: desde que o freguês não se incomode com água e sabão nos pés, poderá ficar no recinto até a descida do portão de ferro.

7) É livre o “pindura”, data vênia, para fregueses com mais de cinco anos de casa, como reza a lei do usucapião.

8) Meu bar/meu mar... É permitido nadar no seco.

9) Andem sempre com o endereço e os seus nomes completos pendurados na correntinha do pescoço.

10) No país da impunidade, a saideira é como a lei, existe para ser desobedecida. Seu garçom faça o favor!!! Mais uma!!!

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Batman - O Cavaleiro das trevas ressurge

Por Caio Lafayette


Tive o prazer de assistir a conclusão dessa trilogia épica no primeiro final de semana em cartaz. Tomei cuidado, nesse tempo, pra ler o mínimo do que foi dito pela crítica e não ouvir opiniões alheias. Assim que terminei o filme, li tudo o que falaram. E, pra ser sincero, quase tudo que li é verdadeiro. 


sexta-feira, 27 de julho de 2012

As 50 coisas que aprendi com o Castelo Rá-Tim-Bum

Voltemos um pouco à infância! Sensacional! 


1 – Nem tudo na vida se resolve com magia;

2 – Para se fazer uma limonada é preciso espremer os limões;

3 – A coroa, o manto e o cetro são coisas de Rainha;

4 – Uma criança pode ter 300 anos e nunca ter ido à escola; 



5 – O mundo seria muito diferente se as cobras pudessem ter pernas, pés, braços e mãos;

6 – Jiló é o pior sabor de pizza que existe;

7 – ‘Zula’ é uma forma muito mais bonita de ‘Avatar’;

8- Para apreciar com segurança um eclipse solar é necessário utilizar um pedaço de filme fotográfico;

9 – É moleza fazer um castelo parar no fundo do mar;

10 – O Capitão Baleia é mais ‘foda’ que James Bond;

11 – Lareiras são excelentes escolas de idioma. E ligeiramente mais baratas;

12 – ‘Inu’ é cachorro em japonês;

13 – Mostarda, maionese e chantili NÃO são adubos para planta;

14 – Nomes secretos são formados por “nome da pessoa + sufixo ‘valdo’“;

15 – Prédio com 100 andares são MUITO altos;

16 – Pessoas com nome de legume são malvadas; 


terça-feira, 24 de julho de 2012

Mensalão: Saiba como será o rito de julgamento do processo

Reportagem do estadão.com.br 



Previsto para ser um dos maiores julgamentos da história do Supremo Tribunal Federal (STF), o caso do mensalão deve bater o recorde de sessões da Corte. O início está estipulado para o dia 2 de agosto.

As primeiras estimativas do presidente do STF, Carlos Ayres Britto, previam 120 horas de julgamento. Serão pelo menos 24 sessões ordinárias, ou oito semanas de julgamento, apenas para o mensalão. Em 120 anos, os julgamentos mais longos da história do Supremo duraram, no máximo, sete sessões.

O rito traçado pelos ministros do Supremo define que, nas duas primeiras semanas de agosto, haverá dez sessões diárias de segunda a sexta-feira para que a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro relator Joaquim Barbosa e os advogados dos 38 réus façam as suas alegações.

O primeiro a falar será o relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, que fará a leitura da síntese do seu relatório, resumida em 3 páginas. O processo original contém mais de mil páginas. Barbosa divulgou antecipadamente o conteúdo em formato digital a todos os ministros da Supremo, ao procurador-geral da República e aos réus. A iniciativa é inédita e o processo foi o primeiro do STF a ser inteiramente digitalizado.

Barbosa será seguido pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que terá até cinco horas para apresentar os argumentos da acusação. Depois, os advogados (que podem ser mais de um por réu) terão 1 hora cada para sua explanação. Como são 38 réus, estima-se que, no mínimo, 38 horas com os advogados na tribuna.

A partir da terceira semana de agosto tem início a segunda fase do julgamento, com o início das discussões em plenário e com a manifestação dos votos dos ministros. As sessões serão realizadas três vezes por semana (as segundas, quartas e quintas), partir das 14h, e não há previsão de quantas serão necessárias.

O relator será o primeiro a votar. Depois, vota o revisor, ministro Ricardo Lewandowski. Em seguida, a votação segue por ordem inversa de antiguidade, da ministra Rosa Weber, a mais nova na Corte, até o ministro decano, Celso de Mello. O presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, será o último a votar. 


Ordem da votação:

1º Joaquim Barbosa

2º Ricardo Lewandowski

3º Rosa Weber

4º Luiz Fux

5º Dias Toffolli

6º Cármen Lúcia

7º Cezar Peluso

8º Gilmar Mendes

9º Marco Aurélio Mello

10º Celso de Mello

11º Carlos Ayres Britto 

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O doido e a doida

Ele não é nem Chico nem Caetano, como já tentaram comparar. Mas vale a pena conhecê-lo. Li essa matéria na Revista BRAVO! e divido com vocês, leitores do blog, um pouco sobre o mais cultuado nome da MPB no último ano: Criolo.


O Doido e a Doida

por Armando Antenore, em Julho de 2011

Mãe e filho, os dois fizeram o colegial juntos numa escola pública de São Paulo. Vinte anos depois, ela dirige um café filosófico na periferia e ele é o rapper Criolo, autor de um dos melhores discos de 2011.



– Tive uma ideia! Por que você não se matricula também?

– Eu?! Ficou maluco, Klebinho?

– Maluco nada! O que custa tentar?

– Bobagem... A moça não vai nem me ouvir.

Ouviu.

O episódio, raro, se deu em janeiro de 1990. O garoto de 14 anos e a mãe, de 39, chegaram cedo à Escola Estadual Professora Esther Garcia, no Grajaú, distrito pobre e muito populoso da zona sul de São Paulo.

– Queria uma vaga para o Kleber..., arriscou a cearense Maria Vilani Cavalcante Gomes, dona de casa que dividia a criação dos cinco filhos com o marido, Cleon, metalúrgico igualmente oriundo de Fortaleza.

Enquanto a secretária preenchia os papéis da matrícula, o menino puxou da cartola a insólita sugestão. Desde pequeno, escutava falar que Maria não pudera estudar quando criança e se alfabetizara praticamente sozinha. Sabia, ainda, que a mãe adorava ler e que, adulta, se esforçou para terminar o Curso de Madureza Ginasial, precursor dos atuais supletivos.

– Vamos fazer o colegial juntos!, insistiu o rapazinho.

A secretária, tão espantada quanto Maria, acabou acolhendo a ideia e a levou à direção da escola, que não impôs nenhum obstáculo. Mãe e filho completaram, assim, o 2o grau. Frequentavam as aulas noturnas, compartilhando sempre a mesma classe. Em dezembro de 1992, se formaram – com baile, canudo e beca.

Hoje, “séculos depois”, como ambos costumam dizer, não restam dúvidas de que aqueles três anos se tornaram um divisor de águas para a dupla. Maria pegou gosto pelos estudos e logo ingressou no ensino superior. Optou por filosofia. Tirou o diploma, transformou-se em professora e, mais tarde, resolveu entrar na faculdade de pedagogia. Novamente, cumpriu todos os créditos. Não bastasse, enfrentou duas pós-graduações: a primeira, em língua, literatura e semiótica; a outra, em filosofia clínica, título que lhe permite atuar como uma espécie de psicoterapeuta. Paralelamente às atividades escolares, fundou uma ONG no Grajaú, o Centro de Arte e Promoção Social (Caps), onde segue trabalhando. A instituição patrocina rodas de poesia, feiras de sustentabilidade e, algo inusual em bairros da periferia, um café filosófico cujos participantes analisam, há dois meses, um livro célebre do francês Michel Foucault: A Ordem do Discurso.

À semelhança da mãe, Kleber se aproximou do universo acadêmico. O flerte, no entanto, não vingou. Ele passou por faculdades de artes e de pedagogia sem nunca as concluir. Preferiu apostar em uma carreira menos ortodoxa e muitíssimo errática: a de rapper. Lançou-se nos palcos um pouco antes do colegial. De início, em cena, se apresentava como Kleber mesmo. Depois, virou Criolo Doido e, mais recentemente, apenas Criolo – pseudônimo que, de abril para cá, se espalhou pelas redes sociais e invadiu as páginas de cultura dos maiores jornais brasileiros. Tudo por causa do álbum Nó na Orelha e da música que lhe serve de carro-chefe, Não Existe Amor em SP. Sob a máscara de Criolo, Kleber assina e interpreta as dez composições de seu segundo disco. Só uma das faixas, Mariô, tem um coautor, Kiko Dinucci. Colocado na internet, o trabalho – que diversos críticos já apontam como um dos melhores de 2011 – ultrapassou a marca dos 55 mil downloads gratuitos em cerca de 40 dias. Trata-se, lógico, de um desempenho significativo para uma produção independente, mas nada parecido com o de Oração, balada que arrancou do anonimato A Banda Mais Bonita da Cidade. O grupo de Curitiba, igualmente sem o aval de nenhuma gravadora, postou o vídeo da canção no YouTube em maio. Após três semanas, o clipe de seis minutos somava quase 5 milhões de visitas. Uma avalanche.

Comparações à parte, o fato é que Criolo nunca se destacara tanto. Em 2006, quando estreou no mercado fonográfico com o disco Ainda Há Tempo, não atingiu nem um milésimo da projeção que conquistou agora. Junto à nata do hip-hop, porém, coleciona elogios desde então por força de uma iniciativa realmente louvável, a Rinha dos MCs. Ele e um velho amigo, Cassiano Sena, o DJ Dandan, criaram a festa itinerante que até hoje promove batalhas de freestyle (improvisação) entre rappers. As competições trouxeram à tona pelo menos um grande talento, o jovem paulistano Emicida.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Homicídio de jovens cresce 346% em 30 anos

Total também inclui crianças; acidentes de trânsito, principalmente com motos, preocupam na faixa de 14 a 18 anos

Texto de Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo


De um lado, avanços em pesquisas e mais investimentos em saúde nos últimos 30 anos diminuíram os riscos de crianças e adolescentes morrerem de doenças e causas naturais no País. De outro, o Brasil ficou mais violento para essa faixa da população no mesmo período.

Entre 1980 e 2010, o total de mortes de pessoas entre 0 e 19 anos por doenças e causas naturais passou de 387 casos em cada 100 mil pessoas para 88,5 por 100 mil, queda de 77%. Por outro lado, cresceu o total de crianças e de adolescente que morrem pelas chamadas causas externas, que incluem homicídios, suicídios, acidentes de trânsito e de outros tipos. As vítimas de causas externas, que somavam 27,9 casos por 100 mil habitantes em 1980, alcançaram 31,9 casos por 100 mil em 2010, aumento de 14,3%.

Em 30 anos, 55 crianças e adolescentes morreram diariamente por homicídios, suicídios e acidentes, total suficiente para colocar o Brasil nos primeiros lugares no ranking de países mais violentos para crianças e jovens no mundo. É o quarto onde mais se mata e o 12.° onde mais se morre por acidentes de trânsito.

A piora no quadro de mortes por causas externas foi puxada pelos homicídios, que cresceram 346,4% em 30 anos. Em 1980, morreram assassinadas 3,1 crianças e adolescentes em cada 100 mil, total que alcançou 13,8 casos por 100 mil em 2010. Também aumentou o total de suicídios (38%) e de acidentes de trânsito (7%).

Os dados são do Mapa da Violência 2012 - Crianças e Adolescentes do Brasil, estudo feito pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos e pela Flacso Brasil. "Esses dados ajudam a revelar certos aspectos do Brasil que às vezes passam despercebidos. O fato de no Brasil se matar 130 vezes mais crianças e adolescentes do que no Egito revela que algo está errado", diz o pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, que coordenou a pesquisa. 



segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Pesadelo do Pop

Por Caio Lafayette


“Eu canto assim porque eu fumo maconha.”

Frases como essa, que inicia a música ‘Queimando tudo’, caracterizam muito bem o Planet Hemp, umas das bandas de rock mais importantes do cenário nacional nos anos 90.

Com 3 discos de estúdio, mais um ‘Ao Vivo MTV’, o Planet Hemp teve em sua formação dois dos mais talentosos artistas dos últimos anos: BNegão e, principalmente, Marcelo D2.



“Se você tem amor pelo que tem no peito
D2! Mas mantenha o respeito.”


E assim começou a história de uma banda que, em seu primeiro disco, chamou a atenção não somente dos inúmeros fãs que conquistou, mas também das autoridades. ‘Usuário’ é, sem dúvida, um dos melhores discos da história da música Nacional, com uma mistura de Rock, Hardcore e Rap, e letras que beiravam a apologia ao uso de drogas.


Com o lançamento do segundo CD, ‘Os Cães Ladram, mas a Caravana não Para’, o incômodo por parte de setores mais conservadores já era tanto que o resultado foi a prisão dos integrantes da banda em um show em Brasília. Houve comoção geral entre fãs, artistas, jornalistas e até mesmo parte das autoridades policiais e judiciais, que achavam a ação exagerada.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Dia Mundial do Rock

Por Caio Lafayette

No Dia Mundial do Rock...


O maior clássico Nacional...



O maior clássico do Rock...



O último respiro do Rock Nacional...



O último respiro do Rock Internacional...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Depois das primaveras

Em tempos de pós-revoluções, que ficaram conhecidas como 'Primaveras Árabes', vale entender a quantas anda o processo de 'democratização'.



Depois das primaveras

Texto de Gilles Lapouge / Tradução de Anna Capovilla



No ano passado, três países da África do Norte - Tunísia, Egito e Líbia - viveram a chamada Primavera Árabe: nos três casos, a população nas ruas derrubou velhas tiranias podres. Mas, uma vez derrubadas as casas, seria preciso reconstruí-las. E a reconstrução seguiu caminhos bastante diferentes, dependendo dos países.



A Tunísia está aparentemente calma. Ela é dirigida por islâmicos, parte dos quais de tendência moderada, e outros salafistas, que gostariam de instaurar no país, tão agradável e tão aberto para a felicidade, a justiça implacável da sharia.



Na Líbia, que votou domingo, ao contrário, o mundo teve uma extraordinária surpresa. Esta pequena nação, próspera graças ao petróleo, sofreu durante 40 anos sob o punho de ferro de um indivíduo alucinado, Muamar Kadafi. Com a ajuda da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o país conseguiu derrubar e matar Kadafi.







terça-feira, 10 de julho de 2012

Spider

Ao ídolo brasileiro da atualidade...

...com todos os méritos!


Charge de Mário Alberto feita para o 'Lancenet'

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Eu não sou candidato

Por Caio Lafayette


Antes do início oficial das campanhas eleitorais deste me sinto no dever de dizer a todos os meus amigos: Eu não sou candidato!

Fico triste com o fato de ter que dar essa notícia; porém, não me sinto frustrado.

Não me sinto frustrado por saber que essa não foi uma escolha minha. Pelo contrário. Tentei até o último minuto confirmar a minha candidatura, não necessariamente por motivações pessoais – afinal, sou concursado público e não dependo da política pra sobreviver – mas por me considerar um nome viável, com lastro suficiente para ajudar em uma mudança positiva para a nossa cidade.

Não foi possível. Problemas internos do partido ao qual eu milito – e não deixarei de militar por conta de problemas pontuais e por acreditar que este tem a melhor proposta para o país – não me permitiram a candidatura. 


Mas como disse meu amigo Raul Christiano, um dos fundadores do PSDB, ‘há outras formas de participar da política além dos mandatos’. E deixar de participar eu jamais deixarei. Jamais deixarei por acreditar que ainda é possível mudar o país pra melhor, usar os bons exemplos e se espelhar neles, conhecer os maus exemplos e fugir deles. Mais do que tudo isso, não deixarei de participar por crer que a representatividade se faz além de um mandato; ela se faz com liderança, coerência, ética e participação. E desses conceitos eu não abro mão.

Agradeço a todos aqueles que confiaram em mim e ainda confiam e dizer que a luta continua. Nada muda do ponto de vista do meu empenho em estar do lado de todos vocês.

E continua mesmo...

Na condição de Coordenador de Mobilização das Jovens Candidaturas, cargo ao qual fui nomeado pela Executiva Estadual do meu partido, viajarei todo o Estado de São Paulo tentando ajudar e incentivar uma renovação nas Câmaras Municipais. Não pouparei esforços para que o discurso de renovação, muitas vezes propagado – inclusive em Ferraz de Vasconcelos – deixe de ser um conceito e passe a ser uma realidade.

Além disso, política se faz para além dos nossos muros. E tenho muitos amigos com competência comprovada para assumir mandatos em cidades próximas a nossa: Claudete Canada, em Poá, Moisés Araújo, em Itaquaquecetuba, Celso Casagrande, em Suzano, Felipe Lima, em Franco da Rocha. A esses, também, me dedicarei intensamente nos próximos 3 meses.

Dito isso, termino o texto com uma frase do inesquecível Mário Covas:



"Não me venham falar em adversidade. A vida me ensinou que, diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer."

terça-feira, 3 de julho de 2012

Un montón de locos

Texto de MARTÍN CAPARRÓS, escritor argentino, especial para o Caderno Aliás - O Estado de S.Paulo


"Entender o Boca e os boquenses é entender o Corinthians e os corintianos. E também o nosso amor por esse jogo feito essencialmente de intenções fracassadas."

As coisas que me importam são as que às vezes - tão poucas vezes - conseguem desafiar o tempo. Esperar aquele telefonema, desesperar, perceber que não se passaram dez minutos. Viajar e preencher cada momento de tantas coisas que os dias são semanas. Tomar nos braços e descobrir que nesse abraço meia hora se passou. Escrever e escrever e observar de repente que o sol já se pôs. Ver como Mouche avança pela ponta direita e saber que ele tem muita vontade de quebrar para dentro para enganar seu marcador, mas que é pouco provável que o consiga e além disso pelo meio o acompanha Román e Clemente sobe sozinho para a ponta direita, mas como Pablito vai conseguir fazer essa mudança de direção com a perna trocada e ainda com um brasileiro que já o está cercando e o goleiro está um pouco adiantado mas que não lhe passe pela cabeça chutar no gol para tentar surpreendê-lo e ele já fintou o zagueiro e dispara para o meio, onde raios se meteu o Careca Silva, ver que aparece em diagonal vindo da direita mas bem marcado e que Mouche a passe para Román antes que o abafem que não a segure por favor que a passe e pode ser, os brasileiros voltam correndo mas não conseguem fechar, ver que já a passou e Román a para, pisa sobre ela, não é possível que ele perca todo esse tempo hijo de puta, não está vendo que vão armar a defesa e nos ferram, vai sua besta vai que já está com um brasileiro em cima e ver que Clemente segue pela esquerda e já está aberto demais mas pelo menos está levando um lateral, em uma dessas Riquelme pode devolvê-la a Mouche para que ele chegue no fundo e centre, ver que ele a pede, deve estar gritando para ele mas não, olha como o Careca entra, já está na área, vai Román, vai que pode dar, passe para ele e pronto, o viu, sim, o viu e ver que a rola 20 centímetros para a direita para que seu marcador não feche a passagem, levanta a cabeça, não é possível que faça tudo tão devagar, tão limpo, tão preciso, vai hijo de puta, faz o passe e ver que já a está chutando e a bola vai para o lado onde está o Careca e o goleiro permaneceu na linha e o zagueiro não vai chegar para fechar e o tipo que começa a subir, que parece que chega, e a encaixa bem em uma dessas, por favor, vai, animal, por favor, que raios te custa uma cabeçada?

E o assustador é todo o tempo que ainda falta para essa bola se chocar com a cabeça do Careca Silva, e, depois, para que entre ou não entre no gol do Corinthians. Quando vir a cena na TV vai me parecer um segundo, mas eu sei que não é verdade. O futebol, para mim, está entre as três ou quatro coisas que conseguem esticar o tempo: que o tempo não desapareça como se não houvesse existido. O futebol pode ser uma besteira, mas me alonga o tempo. E o futebol - para mim - não seria o futebol se não existisse o Boca.

O tempo da partida, é óbvio, começa muito antes. Dias antes, ao menos. Mas no domingo vem aquele nervosismo, a excitação, o formigamento no estômago à medida que a hora se aproxima: a sensação de que algo que te importa está prestes a suceder e você o espera como se esperam poucas coisas. É preciso então enganar o tempo, fazer com que ele corra, tentar esquecê-lo. Até que um senhor odioso soe o apito.

- Vamos Boca carajo.




segunda-feira, 2 de julho de 2012

Desafios São Paulo

Ontem o Jornal Estadão publicou um ótimo caderno chamado DESAFIOS SÃO PAULO.

Trata-se de um apanhado de reportagens que mostram o quão difícil é administrar a maior metrópole do País e, mais do que isso, o que irá enfrentar o novo Prefeito, que será escolhido por 8,6 milhões de eleitores em 7 de Outubro deste ano.

Os temas parecem percorrer há anos os noticiários - como problemas - e horários eleitorais - como soluções: transporte público, educação, segurança, saúde e outros.

Sugiro que procurem o Caderno. Vale a pena a leitura pra quem está interessado nas eleições deste ano e a consideram mais que uma disputa partidária, mas uma chance de escolhermos as melhores propostas para a nossa São Paulo.



Segue texto de Ignácio de Loyola Brandão, que fecha o especial deste Domingo.


Não sei se verei a São Paulo de meus sonhos

Cheguei com 21 anos e já estou há 54 em São Paulo. Desde meus primeiros dias, vivo um problema que existe até hoje e compartilho com todo mundo. Não dirijo. Ando de táxi, ônibus, metrô e caminho muito. Sou pedestre e sofro como pedestre. Desloco-me e sofro com os transportes urbanos.

Como pedestre conheço a tragédia das calçadas. Até que agora há um movimento para se pavimentar melhor, mas é um esforço pequeno, em alguns bairros. Quem caminha torce o pé em buracos, tropeça em desníveis de todos os tipos, precisa olhar para baixo o tempo inteiro. Não há calçadas uniformes, planas, planejadas, cuidadas. É um sobe e desce continuo, há degraus inesperados, cada dono constrói seu trecho de calçada segundo sua fantasia. Que nunca combina com o do vizinho. Há gosto, bom gosto e muito mau gosto, breguice, kitsch.

Há nesta cidade um milhão de tipos de pisos. Cada um faz como quer ou como pode. Há pisos de pedras, paralelepípedos, lajotas cerâmicas, tijolos, cimento cru, concreto, pedras portuguesas, até já vi dormentes. Isso quando tem calçada. Não garanto que a variedade contribua para uma cidade criativa e original, divertida. Ao contrario, é um mix desordenado de excrescências. Tem quem faça um jardim na calçada, o que é bonitinho, mas reduz a área de circulação. As nossas calçadas já são as menores do mundo. E aqueles que no jardim colocam plantas cheias de espinhos, para dar uma certa "segurança"?

Tenho inveja das cidades civilizadas em que as calçadas sofrem a ação severa da municipalidade que principalmente dá o tom: calçadas são para se andar. Para os pedestres circularem com segurança, desenvoltura, prazer. Lembro-me das calçadas de Berlim, larguíssimas, sendo que a maioria contém uma ciclovia. Ai de você se andar pela ciclovia! Pode ser atropelado por uma bicicleta e ainda será processado. Em Berlim as calçadas são lisas como mesa de bilhar. Claro, boas mesas de bilhar, não essas de bibocas da nossa periferia. Calçadas lisas e limpas, dá gosto andar pela cidade. Que é profundamente arborizada.