terça-feira, 25 de setembro de 2012

Não somos a Europa!

Por Caio Lafayette


Ainda sem apresentar um Plano de Governo, há menos de 15 dias das eleições, o candidato do PRB Celso Russomano vai caindo em contradição a cada dia e divulgando propostas descabidas.

Prometeu baixar as tarifas dos táxis; reuniu-se com taxistas pra dizer que não foi bem compreendido. Prometeu rever todos os contratos da Prefeitura; correu atrás dos empresários e disse que manterá os acordos.

Agora ele afirma que implantará uma nova política tarifária para os ônibus de São Paulo, seguindo modelo utilizado em algumas grandes cidades da Europa como Madri, Roma, Copenhagen e Londres. A ideia consiste em uma cobrança de acordo com a distância percorrida pelo usuário, ou seja, quem anda mais, paga mais e quem anda menos, paga menos.

Como todas as suas propostas, que vêm sendo jogadas ao vento sem um mínimo de coerência, agrada ao público, mas se caracteriza como pura demagogia e, principalmente, desconhecimento da cidade a qual ele se candidata.

O motivo é simples: a dinâmica da nossa cidade – e de toda a Região Metropolitana de São Paulo – é distinta do exemplo utilizado na Europa. Hoje, o que chamamos de ‘centro expandido’ é o maior atrator de viagens e, também, também onde estão as pessoas com a maior renda. Em contrapartida, nas regiões mais distantes concentram-se as moradias de pessoas com menor renda, que precisam se deslocar ao centro, diariamente, em busca de emprego e estudo.


quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Religião na política

Texto publicado no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO em 19/09/2012


A contaminação das campanhas eleitorais no País pela disputa religiosa é um fenômeno crescente e preocupante que conspira contra o fundamento constitucional do Estado laico. Em São Paulo e em outras importantes cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro, esse lamentável fenômeno se agrava nos últimos tempos, e por aqui explode no atual pleito municipal, especialmente em função de uma questão que não tem nada a ver com eleições: o acirramento da disputa entre a Igreja Católica e as confissões evangélicas, à frente a Igreja Universal do Reino de Deus.

Dias atrás o conflito entre católicos e seguidores da igreja do bispo Edir Macedo reacendeu-se por causa da divulgação, pelas redes sociais, de texto publicado em maio de 2011 no blog do pastor da Universal Marcos Pereira, presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB) e atual coordenador da campanha de Celso Russomanno à Prefeitura da capital. O texto continha duras críticas à Igreja Católica por conta da edição, pelo MEC, do chamado "kit gay", manual de orientação didática acusado pelo lobby evangélico no Congresso Nacional de fazer apologia do homossexualismo. A reação foi tão violenta que o então ministro da Educação, Fernando Haddad, mandou suspender a publicação. 


O reavivamento dessa polêmica, movido certamente por interesses eleitorais, provocou vigoroso contra-ataque da Igreja Católica: no último domingo a Arquidiocese de São Paulo divulgou longa e dura nota assinada pelo cardeal arcebispo dom Odilo Scherer, lida durante as missas, sob o título Política, com ofensas à Igreja, não!. Afirma o documento que a Arquidiocese, em obediência aos cânones da Igreja Católica e às determinações da Justiça Eleitoral, orienta seus fiéis "para que os espaços e os momentos de celebrações religiosas não sejam utilizados para a propaganda eleitoral partidária, nem para pedir votos para candidatos", embora reconheça que "também deu orientações e critérios sobre a participação dos fiéis na campanha eleitoral e na vida política da cidade e sobre a escolha de candidatos idôneos, embora sem citar nomes ou partidos". Em seguida, afirma que a Igreja Católica foi "atacada e injuriada, de maneira injustificada e gratuita, justamente num artigo do chefe da campanha de um candidato à Prefeitura de São Paulo". 


terça-feira, 18 de setembro de 2012

Tecnologia da desinformação

Antes de ler o texto, sugiro que conheça o vídeo 'A inocência dos muçulmanos' e a polêmica que este vem causando.



Tecnologia da desinformação
Texto de Nathan Gardels, editor chefe da Global Viewpoint Network e coautor do filme ‘American Idol after Iraq: competing for hearts and minds in the globalmedia age’/Tradução de Terezinha Martino


Protestos contra vídeo sobre Maomé revelam que a fé do Oriente e os valores do Ocidente estão em conflito em uma praça pública global.


Os fatos dos últimos dias no Oriente Médio são apenas um alerta para futuros distúrbios à medida que a democratização da mídia no Ocidente se depara com o despertar político no mundo árabe.

Os hoje marginalizados jovens do Facebook podem ter iniciado a Primavera Árabe, que desencadeou – alguns diriam “libertou” – vozes contrárias ao Ocidente e que durante muito tempo foram caladas por autocratas brutais. Mas agora é a vez do YouTube agitar a região. O trailer de um filme chamado A Inocência dos Muçulmanos colocou a região em chamas à medida que o filme se propaga na internet.

Bem-vindo ao nosso novo mundo, onde ninguém pode ser controlado – nem o Ocidente controla sua mídia social, tampouco os dirigentes árabes têm controle dos seus cidadãos libertados. Uma combinação inflamável.


“Esta praça pública global é o novo espaço de poder onde 
imagens competem e ideias são contestadas”.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A tal decisão

Texto que escrevi para atividade em sala na 'Oficina de Criação Literária - Empatia & Ficção', que estou participando na Casa Mário de Andrade.

As características do personagem que deveriam formar a base do texto são:

  • Homem
  • 25 a 30 anos
  • Formado em Publicidade e Propaganda
  • Bancado pelo pai, um advogado
  • Mãe conservadora
  • Cleptomaníaco
  • Bissexual
Eis o texto.


A TAL DECISÃO
Por Caio Lafayette

Tadeu, como o pai. Cardetti como a mãe, de família tradicional e tradicionalmente conservadora.

E desta vez o desafio era maior.

Formar-se na faculdade de Publicidade e Propaganda foi fácil. O pai, também Tadeu, um advogado bem sucedido, não hesitou em pagar a melhor faculdade para o filho. Tentou insistir no Direito, mas cedeu ao desejo jovial pautado pelo consumo e pela criatividade.

Os impulsos para roubar objetos desnecessários – o que caracteriza sintomas de cleptomania - foram se arrefecendo com o tempo. Diagnosticado desde os 12, Tadeu, o filho, passou por inúmeros psicólogos e psiquiatras. Não foi tarefa das mais fáceis, como a faculdade paga pelo pai, mas hoje, quase aos 30, já faz parte do passado.

Difícil também foi a ‘primeira vez’. Quase traumática. E não é brincadeira. A menina, 5 anos mais velha, praticamente abusou de Tadeu. Ele, sem reação, deixou que acontecesse, talvez por medo de sofrer com brincadeiras dos colegas de escola caso não deixasse. Ou, talvez, porque estivesse gostando. Não se sabe. O fato é que, depois da primeira vez, passaram-se longos 5 anos para aceitar uma segunda.

E depois que se rendeu à segunda, o grande desafio foi apresentar à mãe sua namorada, Lindaura. Uma Cardetti não aceitaria fácil uma nova integrante para a família. Não sem uma entrevista e uma investigação minuciosa sobre a vida da postulante ao cargo. E assim foi. Lindaura logo se encheu daquilo e percebeu que não queria ser uma Cardetti.

Mas desta vez o desafio era maior.

E olha que após a faculdade de Publicidade muitas cobranças recaíram sobre os ombros do jovem Tadeu. Ao invés de se inserir no mercado de trabalho, preferiu viver de esporádicos free-lancers e depender dos pais. Comprou briga com os irmãos, todos seguindo carreiras bem sucedidas. Comprou briga com a mãe, que não conseguia explicar aos parentes porque aquele Cardetti não tinha construído patrimônios nem virado empresário. Comprou briga com o pai, que achava um desperdício ter gastado tanto dinheiro com a formação do filho.

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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mensalão em nosso Cotidiano

MENSALÃO É CULTURA...

Esta charge do Pater foi feita originalmente para o A TRIBUNA

...É TAMBÉM FUTEBOL


Esta charge do M.Aurélio foi feita originalmente para o ZERO HORA

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Resposta a Marta Suplicy

Por Aloysio Ferreira Nunes - Senador eleito em 2010 com a maior votação da história do País.



Às 9h51 do primeiro dia de trabalho na Prefeitura, José Serra puxou no computador o extrato da conta corrente do município e verificou que só havia R$ 16.986,46 para todas as despesas de administração da maior cidade da América Latina.

Sabíamos que a situação era ruim. Estávamos errados, era péssima. Confira o extrato: http://bit.ly/Q0SZuT. 



Veja também no extrato: há 55.264.519,18 bloqueados. Sabe por quê? A gestão Marta Suplicy, irresponsavelmente, deixou de pagar a parcela da divida com a União vencida em dezembro de 2004.

A equipe de Serra chegou à Prefeitura no escuro. O Secretário de Finanças da Marta tomou chá de sumiço e recusou-se a conversar com o grupo de transição do novo governo.

No penúltimo dia da gestão Marta, a Prefeitura emitiu ordens de pagamento de mais de R$ 10 milhões a diversos credores. Detalhe: não havia recursos suficientes para honrar esses pagamentos. É o conhecido cheque sem fundo.

Contrariamente ao que afirma a senadora, Serra não inventou credores da Prefeitura. A administração petista deixou dividas de cerca de R$ 8 bilhões, dos quais R$ 2, 1 bilhões são relativos à divida com cerca de 13 mil fornecedores da Prefeitura.

Esse pessoal ficou na mão e foi fazer fila no Edifício Matarazzo para receber o que lhes era devido.

Chama-se empenho a parte do orçamento reservada para honrar compromissos financeiros da administração. Sem conseguir fechar as contas de 2004, a prefeita Marta determinou o cancelamento dos empenhos para pagamento de serviços já realizados por uma multidão de pequenos fornecedores, tungados pela administração petista: mais gente fazendo fila na porta da prefeitura.

Os cerca de R$ 300 milhões citados por Marta referiam-se a recursos transferidos pelo Governo Federal destinados apenas a áreas de objeto dos convênios: Saúde Educação e Transporte, entre outros. Eram recursos “carimbados”.

Exemplo: os R$ 40 milhões referentes ao convênio para obras na Jacu-Pêssego. Esses recursos não poderiam ter sido usados para pagamento de despesas em outras áreas.

Tem razão a ex-prefeita quando afirma que havia saldo financeiro no final do primeiro semestre. Qualquer prefeito sabe que o grosso da arrecadação municipal ocorre no primeiro semestre por conta de tributos como IPTU e IPVA. Depois, diminui.

Marta desconheceu essa regrinha básica e gastou em 2004 mais do que deveria, afinal a eleição aconteceu no segundo semestre. Nos últimos meses, a fonte secou, contas não fecharam e ela perdeu a eleição.

A análise dos técnicos do Tribunal de Contas do Município de São Paulo não deixa dúvidas quanto às irregularidades da gestão financeira da administração petista. Veja as conclusões do relatório anual das contas de 2004 assinado não por um tucano, mas por dez técnicos daquele tribunal: http://bit.ly/TjnX3z.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Russomanno é um novo Collor?

Texto de Gilberto Dimenstein


Há inegáveis traços que fazem Celso Russomanno lembrar Fernando Collor.






  1. Ambos cresceram entre o eleitorado montados num partido inexpressivo, quase sem representação no Congresso;
  2. Boa parte da popularidade veio do uso da mídia eletrônica, especialmente a televisão;
  3. Tanto Collor quanto Russomanno aproveitaram um cansaço com as caras e os partidos tradicionais na política e, assim, venderam a ideia de que eram o novo;
  4. Eles souberam manipular símbolos associados à moralidade que os ligaram ao eleitorado: Collor, os marajás; Russomanno, o consumidor.
  5. Assim como na campanha de Collor, aparecem denúncias mostrando uma dissonância, no campo da moralidade, entre o que se fala e o que se faz.
  6. Para dizer que era o "novo", Collor dizia que estava sozinho, mas tinha o apoio dos usineiros alagoanos; Russomanno se mostra também como alguém longe dos esquemas de poder, mas sua candidatura é amparada pela poderosa Igreja Universal do Reino de Deus.
  7. E, por fim, ambos tinham muita proximidade com Paulo Maluf.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Comunismo Norte-coreano




“(...) pra quem não sabe ou se esqueceu, neste exato momento o despotismo comunista norte-coreano mantém encerrados em campos de concentração, sob regime de trabalhos forçados, torturas e execuções sumárias, cerca de 200 mil ‘inimigos do povo, incluindo dezenas de milhares de crianças, muitas delas nascidas nesses campos.

Por Marcelo Consetino

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O passado dos candidatos desvendado

Por Caio Lafayette

O portal do Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO lançou, em seu site, um acervo que conta a trajetória da maioria dos candidatos à prefeitura de SP.

Uma ótima ferramenta para o eleitor comparar as promessas, contradições, temas delicados, disputas, vitórias, bravatas e quase tudo o mais que aconteceu na vida pública de cada concorrente..

Destaco a trajetória de José Sera (PSDB)  . De longe a mais marcante entre os candidatos.


Líder Estudantil, José Serra é condenado à reclusão em meio a Ditadura Militar, em 1966.

Em 1998, Serra assume para ser o melhor Ministro Saúde que o Brasil já teve, reconhecido mundialmente.
Em 2005, Prefeito da cidade de São Paulo, o Jornal destaca as raízes paulistanas de José Serra.
Serra assume o maior Estado do País e termina seu Governo com altas taxas de aceitação.

A ferramenta é bastante interessante e você pode encontrar por lá muito mais informações. Aproveite-a na hora de decidir o seu voto.