terça-feira, 28 de maio de 2013

Senador Aloysio Nunes apresenta projeto contra tarifas e taxas elevadas dos cartões de crédito

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) defendeu nesta segunda-feira (27) projeto de lei complementar de sua autoria destinado a regulamentar o mercado de cartões de crédito e débito, argumentando que comerciantes e consumidores são submetidos a tarifas e taxas muito elevadas. O parlamentar considerou inconstitucional a medida provisória que dá ao Banco Central a competência para a regulação desses meios de pagamento.



Aloysio Nunes acredita que o caminho mais seguro seria a aprovação de uma lei complementar com essa finalidade especifica, que garantisse ao consumidor direitos de maior transparência nas operações e igualmente coibisse abusos.

De acordo com o projeto, que o senador apresentou em 15 de maio, o consumidor terá direito a desconto na compra à vista, permitindo que conheça os custos adicionais do pagamento eletrônico. Além disso, toda administradora de cartões que oferecer recompensas aos usuários (por exemplo, milhas em empresas aéreas) deverá oferecer, como alternativa, a possibilidade de desconto na fatura. O projeto também estabelece um teto de valor a partir do qual a tarifa de operação do cartão de débito passa a ser fixa.

Aloysio Nunes sublinhou os efeitos positivos do uso de cartões de crédito e débito, que, em sua avaliação, reduziram os custos administrativos das empresas e a necessidade de circulação de dinheiro em espécie e permitiram a expansão do comércio eletrônico. Porém – afirmou – é preciso estabelecer regras que permitam que os ganhos de produtividade dos cartões sejam transferidos para os comerciantes e os consumidores. Ele criticou as elevadas taxas cobradas dos comerciantes, no Brasil, sobre as transações eletrônicas e considerou exagerados os juros sobre o crédito rotativo dos cartões.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Veja 21 datas para entender os conflitos do Oriente Médio


01/01/1896 
Surgimento do movimento sionista 
Em 1896, o jornalista judeu Theodor Herzl, autor do livro "O Estado Judeu", criou o movimento sionista. O objetivo era estabelecer um lar nacional para os judeus na Palestina, que seria sua Canãa, a terra escolhida por Deus para seu povo 


01/01/1916
Acordo Sykes-Picoy 
França e Grã-Bretanha fazem pacto para dividir os territórios sírios e otomanos, espólios da 1ª Guerra Mundial. A França ficou com Líbano e parte da Síria. A Grã-Bretanha passou a ter o controle sobre parte da Síria, Palestina e Transjordânia 


01/01/1917
Declaração Balfour 
O ministro das relações exteriores britânico, James Balfour, trazia ao conhecimento do mundo declaração oficial da Grã-Bretanha que afirmava “que via com bons olhos a criação de um lar nacional judeu na Palestina”, mas que o povo árabe morador da região deveria ser considerado 
01/01/1937 — 01/01/1938 
Comissão Peel 

O governo britânico, vendo problemas entre a população árabe e judia, propõe a partilha do território. A Comissão Peel faz a primeira proposta, que divide o território em dois Estados e deixa Jerusalém sob tutela britânica 


01/01/1947
Organização das Nações Unidas 
A Grã-Bretanha declarou-se incapaz de conter os choques sectários e oferecer uma solução política que fosse aceita por judeus e árabes palestinos. O país passa para a ONU o problema da divisão do território 


01/01/1948
Criação de Israel 
É votada a criação de Israel na ONU. A votação, comandada pelo diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, partiu o território em dois Estados, um judeu e um árabe, e o critério foi a distribuição geográfica da população das duas comunidades 


15/05/1948 — 01/01/1949
Guerra de independência 
O país recém-criado tem de entrar em guerra contra cinco nações vizinhas: Egito, Síria, Líbano, Iraque e Jordânia. Israel vence a batalha e muda as fronteiras propostas na partilha aceita pela ONU 


01/01/1967
Guerra dos Seis Dias 
Na lógica da Guerra Fria, Israel, apoiado pelos EUA, enfrenta os países vizinhos, com apoio da União Soviética. Na Guerra dos Seis Dias, o Estado judeu toma o controle de territórios na Cisjordânia, na Faixa de Gaza e nas Colinas de Golã. As novas “conquistas” de Israel não são aceitas até hoje pela comunidade internacional 


06/10/1973
Guerra do Yom Kippur 
Procurando recuperar os territórios tomados por Israel na Guerra dos Seis Dias, o Egito e a Síria atacaram o país de surpresa no feriado judaico do Yom Kippur, ou Dia do Perdão. O conflito marca o primeiro acordo entre um país árabe, o Egito, e Israel 


01/01/1978
Acordo de Camp David 
Após a Guerra do Yon Kippur, Egito e Israel dão início a negociações bilaterais. As conversas culminarão no histórico acordo de paz assinado em Camp David, sob mediação dos EUA. O Egito recuperou a península do Sinai e, em troca, é o primeiro país árabe a reconhecer Israel 


01/01/1979
Invasão soviética no Afeganistão 
É o momento em que aparece a imagem de Bin Laden. Acontece a Revolução Iraniana, com a derrubada do xá pelo aiatolá Khomeini 


01/01/1980 — 01/01/1988
Guerra do Irã-Iraque 
A guerra entre vizinhos toma proporções de Guerra Fria quando o Irã recebe o apoio da URSS e o Iraque, o apoio dos EUA. O conflito dura oito anos 


01/01/1990 — 01/01/1991
Guerra do Golfo 
O Iraque invade o Kuait, que teve apoio dos EUA. A Guerra do Golfo jogou a favor da paz no Oriente Médio ao neutralizar o poder de Saddam Hussein, principal porta-voz do nacionalismo árabe e da retórica anti-Israel 


01/01/1991 
Desintegração da URSS 

Em 1991, sob o impacto do fim da Guerra Fria e da Guerra do Golfo, é inaugurada em Madri a Conferência de Paz para o Oriente Médio, com os EUA como potência mundial hegemônica 


01/01/1993
Acordo de Oslo 
Assinado em Washington por Yasser Arafat, representante palestino, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, o acordo marca a primeira vez que palestinos e israelenses reconhecem o direito recíproco à existência. O acordo prevê a entrega paulatina de territórios aos palestinos 


01/01/1995
Assassinato de Yitzhak Rabin 
Após progresso em 1994, com a assinatura da segunda parte do acordo de Oslo, o processo de paz para. Em 1995, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, é assassinado por um fanático judeu indignado com a entrega de terras aos palestinos 


01/01/2000
Recomeço da negociação 
Após cinco anos em que o processo de paz esteve parado, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, volta a negociar com o líder palestino Yasser Arafat e faz uma nova proposta territorial em Camp David (EUA). O líder palestino rejeita a proposta, que poderia dar fim aos conflitos na região 


11/09/2001 
Ataque às Torres Gêmeas 

O ataque às Torres Gêmeas, realizado pelo grupo terrorista Al Qaeda, muda a rota da política internacional do mundo e impacta profundamente o Oriente Médio. A região se transformou em foco central da Guerra do Terror, campanha militar de alcance global desencadeada pelo presidente norte-americano conservador George W. Bush 


01/01/2003
Invasão do Iraque 
Sob a "Doutrina Bush", acontece a Invasão do Iraque. O presidente americano George W. Bush justificou a invasão com a suposta existência de armas de destruição em massa pelo regime de Saddam Hussein, um dos mais violentos do Oriente Médio. O risco era de que o armamento chegasse a grupos terroristas como a Al Qaeda, responsável pelos atentados em Nova York 


01/01/2005
Desocupação da Faixa de Gaza 
O primeiro-ministro Ariel Sharon decide desocupar unilateralmente os territórios da Faixa de Gaza. Os palestinos veem com desconfiança o gesto de Sharon e alertam para a intenção de asfixiar os palestinos da região pelo isolamento. Em 2007, com a vitória eleitoral do grupo Hamas na região enseja o bloqueio ao território 


01/01/2011
Retirada dos EUA do Iraque 
Dez anos após os ataques terroristas nos EUA, o governo norte-americano consegue encontrar e matar Osama Bin Laden, acusado de ter orquestrado a ação. Os EUA começam a retirar suas tropas do Iraque


DICA DE LEITURA:
O Conflito Israel - Palestina - Para Começar a Entender...
Autor: El - Alami, Dawoud; Cohnsherbok, Dan
Editora: Palindromo


quarta-feira, 22 de maio de 2013

De A a Z: crianças colombianas criam dicionário surpreendente

Um dicionário produzido por crianças colombianas está fazendo sucesso nas redes sociais. Todos os verbetes estão reunidos no livro "Casa das Estrelas: Um Universo Contado pelas Crianças", que foi lançado no final de abril durante a Feira Internacional do Livro de Bogotá. Ao todo, são cerca de 500 definições, para um total de 133 palavras diferentes. Elas foram compiladas durante um período entre oito e dez anos, enquanto o professor e escritor Javier Naranjo lecionava em diversas escolas do estado de Antioquía.

Para a publicação, Naranjo corrigiu apenas os errinhos gramaticais das definições escolhidas, mas não excluiu nenhuma das palavras por "questões ideológicas". Por isso, o livro, que foi publicado pela primeira vez na Colômbia em 1999 e reeditado no início desse ano, mantém a voz das crianças, com suas formas de explicar as coisas do mundo.


Confira algumas definições curiosas:

· Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos);

· Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos);

· Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos);

· Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos);

· Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos);

· Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos);

· Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos);

· Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos);

· Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos);

· Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos);

· Guerra: Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos);

· Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos);

· Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos);

· Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos);

· Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos);

· Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos);

· Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos);

· Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos);

· Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos);

· Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos);

· Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos);


Fonte: livro Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças, de Javier Naranjo

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Aécio Neves, novo presidente do PSDB nacional


O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi aclamado, neste sábado (18/05), presidente nacional do PSDB, durante convenção do partido em Brasília. Eleito com mais de 97% dos votos dos delegados tucanos, o senador discursou para uma plateia lotada de militantes e simpatizantes.

Leia aqui a íntegra do pronunciamento feito pelo presidente do PSDB, senador Aécio Neves.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Constatações da ainda inacabada votação da MP dos Portos

Por Caio Lafayette


Para entender: O setor portuário é um dos principais gargalos da infraestrutura brasileira. Com o avanço do comércio exterior, a oferta de serviços cresceu bem abaixo da demanda, comprometendo a competitividade do produto brasileiro. Ao publicar a MP 595, o governo esperava criar uma regulamentação forte para atrair investimento privado na expansão do setor.





1. Coalizão tem limite

De que adianta uma base aliada que em toda votação importante barra os apelos do Executivo até que receba benefícios? Até quando se oferecerá mais e mais emendas, Ministérios e direção em Estatais para manter uma base extremamente desleal? Quando será que o Governo vai inverter esse jogo e, ao invés de dar mais, começar a tirar?

Nossa democracia sobrevive, apesar da desconfiança dos cientistas políticos, a partir de um sistema de ‘coalizão’. Mas as últimas votações têm mostrado que essa tal ‘coalizão’ tem limite. E o pior: já chegamos nele.


2. Falta de habilidade do Governo 


Como pode um Governo fazer tantas concessões para a base aliada e não conseguir aprovar um documento de tamanha importância para a infraestrutura do país? Como pode uma Ministra encarregada das Relações Institucionais ser a Ideli Salvatti, conhecida pela falta de habilidade quando tratamos de relações pessoais e políticas? De que adianta Dilma ter competência administrativa – como dizem seus correligionários – se não tem competência política, logo não consegue implementar seus projetos? 

No fim das contas, aprovou-se de última hora o texto na Câmara dos Deputados. Mas um texto que perdeu completamente a sua essência. 


3. Desrespeito às instituições

Oferecer liberação de verba para garantir voto na Câmara tem nome e já foi julgado pelo STF: Mensalão. Tem, também, consequência: enfraquece os poderes, logo, a democracia.

E após compravada a falta de habilidade política do atual Governo, ainda temos que assistir mais um espetáculo de desrespeito às instituições: já foi com o Ministério Público, com a Câmara dos Deputados e com o STF. Agora, querem passar por cima do Regimento do Senado para aprovar o texto ainda hoje.


4. Falta de espírito público reinante na Câmara dos Deputados

Como pode Deputado eleito pela vontade popular atuar, descaradamente, contra os interesses públicos em uma votação de tamanha importância para o país? Como pode Deputado condicionar voto de causa como essa a benefícios particulares? Como pode a gente votar tão mal?

O bom texto original apresentado pelo Governo passou sem os principais itens, pois alguns deles atingiam padrinhos e apadrinhados daqueles que colocamos lá na Câmara.


E agora? 


Se o Senado passar por cima do seu Regimento e APROVAR as emendas da Câmara, será RUIM pois o texto atual não resolve o problema dos Portos. 

Se o Senado passar por cima do seu Regimento e NÃO APROVAR as emendas da Câmara, será RUIM pois os problemas com os Portos continuam. 


Em suma, vamos mudar de assunto...

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Qual será a zebra do Enem?

Texto escrito por Tutty Vasques

Abertas junto com as inscrições para o Enem 2013, as apostas sobre o tipo de lambança que desta vez transformará o exame em escândalo não têm ainda prognóstico favorito.

A tradição do erro crasso no sistema nacional de avaliação da qualidade do ensino médio não criou, como se sabe, uma rotina de trapalhadas oficiais na aplicação da prova.


A cada ano, uma novidade desastrosa rouba a cena do concurso de acesso à Universidade no noticiário sobre Educação.

O Enem 2013 não vai ser igual àquele que passou pelo vexame de pontuar até redação com receita de macarrão instantâneo ou hino de clube de futebol.

O MEC também já tomou providências para evitar outros micos do passado, tipo roubo de provas na gráfica, vazamento de conteúdo, erros de impressão e sequenciamento de questões, exposição na internet de informações pessoais de inscritos…

Resta saber o que mais falta acontecer ao Enem! Quem tiver bola de cristal pode ficar rico nas casas de apostas. Algum palpite?

terça-feira, 14 de maio de 2013

Bandeira Branca

Por Luis Fernando Verissimo


Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira, até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro baile de Carnaval.

Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte. Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o tempo todo de mãos dadas.

Só no terceiro Carnaval se falaram.
- Como é teu nome? 
- Janice. E o teu? 
- Píndaro. 
- O quê?! 
- Píndaro. 
- Que nome! 


Ele de legionário romano, ela de índia americana.




Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia. 

-Ah.

Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse “até o Carnaval que vem” e saiu correndo.

No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal! Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da despedida, ele pediu:

- Me dá alguma coisa.
- O quê? 
- Qualquer coisa. 
- O leque. 

O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão. 

No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera? 

- Você vomitou a alma – disse a mãe.

Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.

Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube – e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.

- Sei lá. Bávara tropical – disse ela, rindo.

Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.

- E aquela bailarina espanhola?
- Nem me fala. E o toureiro? 
- Aposentado. 

A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse “Píndaro?!” e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma. Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida, começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi “pelo menos o meu tirolês era autêntico” e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão. Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo “não vale, você cresceu mais do que eu” e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando a cabeça no seu ombro.

Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse “quase não reconheci você sem fantasias”. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora “preciso te dizer uma coisa”, e ela dissera “no Carnaval que vem, no Carnaval que vem” e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro Estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara…

- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? – perguntou ela.
- Esqueci – mentiu ele. 

Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil… E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu…



*conto publicado na coletânea Histórias Brasileiras de Verão (ed. Objetiva, 1999)

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Diz quem é maior que o amor?

"Me abraça forte agora que é chegada a nossa hora."


O ÚLTIMO ABRAÇO - Fotografia publicada em 08 de Maio de 2013, mostra duas vítimas abraçadas nos escombros do prédio que ruiu, em Bangladesh. A tragédia matou mais de 800 pessoas.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Projeto TETO

Conheça o Projeto TETO e participe da construção de Maio


Nos dias 25 e 26 de Maio serão construídas, junto com 55 famílias, novas moradias de emergência em 4 comunidades diferentes: Tekoa Pyau, Vilma Flor, Pedra Branca (São Paulo) e Dois Palitos (Embu das Artes).

Confira mais informações e esclareça suas dúvidas abaixo.

- O que é a Construção?
A Construção é um evento no qual voluntários universitários trabalham em conjunto com moradores de assentamentos precários da Grande São Paulo para construírem moradias de emergência. As casas são feitas de painéis pré-fabricados de madeira, tem 18 metros quadrados e serão construídas em dois dias. Nos dias 25 e 26, serão construídas moradias com famílias que vivem em dois municípios da Grande São Paulo: São Paulo e Embu. 


- Se as casas são construídas em dois dias, porque a construção é do dia 24 ao dia 26? 
Porque no dia 24 os inscritos se reunirão à noite, às 20h, em local a ser definido, para partirem juntos para a construção. Assim, acordarão cedo no dia 25 para começarão a construir e terminar tudo no dia 26. 

- Existe algum custo para participar como voluntário? 
Sim, cada voluntário deve contribuir com uma doação para ajudar a custear a construção. Os voluntários inscritos receberão informações para realizar um pagamento antecipado, no valor de R$25 (vinte e cinco reais), e deverão simplesmente enviar o comprovante de pagamento para o seguinte e-mail: inscricoes.brasil@teto.org.br. A inscrição do voluntário só será validada a partir do pagamento da taxa de inscrição. Para se inscrever, clique AQUI.
Após a inscrição, caso necessite de isenção no pagamento, você receberá um formulário para preencher e justificar sua solicitação. 

- Preciso participar de alguma reunião prévia? Vi umas datas de reuniões de apresentação no site, elas são obrigatórias? 
Não. Essas reuniões são para apresentar o projeto para voluntários que desejam trabalhar em projetos do escritório. Para construir não é pré-requisito ter participado das reuniões. 


- Posso participar de apenas um dia da Construção? Posso ir e voltar para minha casa durante a ação?
Não. O processo de construção é também uma ação formativa. Após toda a jornada de trabalho, os voluntários se reúnem na escola para discutir o que foi vivenciado durante o dia, trocar experiências e debater sobre a realidade que encontraram. Além disso, com todos concentrados em um mesmo lugar também demonstra-se compromisso com a ação e facilita uma série de questões logísticas, uma vez que assim o dia começa mais cedo. 


- Posso chegar depois? Posso ir embora antes?
Não. A atividade dura três dias e ela não será bem aproveitada se não for vivenciada por inteiro. Além disso, por se tratar de centenas de voluntários, não é possível realizar um controle das equipes se houverem muitas pessoas chegando e saindo em momentos diversos. 

- Posso ficar na mesma escola do meu amigo (a), irmão (ã), namorado (a), etc.? 
Por serem muitos voluntários e por questões logísticas, a separação ocorre de forma aleatória. Muitos voluntários participarão de uma atividade do TETO pela primeira vez. Você tem a chance de conhecer novas pessoas que estarão lá pelos mesmos ideais que você. 


- Existe restrição de idade? Não sou universitário, posso participar?
O foco é o trabalho com jovens com idade entre 18 e 30 anos. Voluntários nesta faixa etária poderão participar da construção. Para participar desta atividade o voluntário precisa ter já 18 anos completos. Para quem está acima desta faixa etária há outras maneiras de colaborar. http://www.techo.org/paises/brasil/participe/ 

- Como são escolhidas as comunidades em que trabalhamos? 
Busca-se trabalhar com comunidades (conjunto de oito ou mais famílias) que vivem em um alto grau de precariedade com casas feitas de restos de madeira, papelão, lonas, etc. e sem acesso a um dos três serviços básicos (água, luz e saneamento básico). 


- O que levar para a construção?

  • Coisas de dormir: colchonetes, saco de dormir, cobertor, etc. 
  • Roupas confortáveis e que possam sujar (e eventualmente estragar); capa de chuva, bota, galochas ou tênis fechado confortáveis e impermeáveis. É obrigatório o uso de calça jeans!
  • Um lanchinho para sexta-feira à noite. 
  • Barrinhas de cereal (se quiserem, para quando der fome entre as refeições principais). 
  • Talheres e prato.
  • Lenços umedecidos (nãohá banho nas escolas devido à constante falta de água nas comunidades) 
  • Repelente e protetor solar, bonés e chapéus. 
  • Remédios de uso cotidiano. 
  • É necessário estar com as vacinas em dia, principalmente a de tétano. 

O que preciso levar para construir?

  • Capa de Chuva 
  • Luvas (obrigatório)
  • Calça jeans (obrigatório) 
  • Trena – se tiver uma com 8 metros ou mais, melhor. Se só tiver uma trena menor, também serve
  • Outras ferramentas que tiver, como chave de fenda/phillips
  • Martelo
Apenas luvas e calça jeans são obrigatórios. Os outros itens, caso os tenha, é interessante levar para a construção. 


- Como vai funcionar o transporte, alojamento e alimentação?
Durante toda a duração da atividade, você terá transporte, alojamento e alimentação garantidos. No dia 24 à noite, os voluntários se encontrarão em um local a ser definido. Será realizado o cadastramento dos voluntários, a abertura da construção e por volta das 22h30 parte em ônibus contratados para as comunidades. Aloja-se em escolas públicas próximas às comunidades atendidas. Na escola, serão servidos o café da manhã e o jantar. O almoço será feito nas comunidades, pelas famílias, com comida fornecida pelo TETO. 


- Não tenho experiência de construção. Haverá alguma capacitação?
Sim, na própria construção é realizada uma breve capacitação para os voluntários. Além disso, cada equipe de construção contará com dois líderes experientes que serão responsáveis por ensinar os voluntários a construir. 


- Onde e quando nos encontraremos para ir para a comunidade?
Na noite da sexta-feira, dia 24 de maio, às 20h, em local a ser definido. Ao final da construção, no domingo à noite, os ônibus nos deixarão de volta em um local próximo a uma estação de metrô (local exato a se definir). 


- Não vou poder participar da Construção. Posso ajudar de alguma outra maneira? Sim, você pode participar como voluntário de outras atividades realizadas pelo TETO e/ou ajudando o projeto com doações. Para conhecer outras maneiras de colaborar com o TETO entre em http://www.techo.org/paises/brasil/participe/

Veja mais em: 
CONSTRUÇÃO DE MAIO

terça-feira, 7 de maio de 2013

Governantes e governados

Texto de João Ubaldo Ribeiro, sempre na medida.



Essa capadoçagem burra, arrogante e irresponsável, tentada no Congresso Nacional, para intimidar e desfigurar o Poder Judiciário, mostra de novo como somos atrasados. Antigamente, éramos um país subdesenvolvido e atrasado. Fomos promovidos a emergente - embora volta e meia me venha a impressão de que se trata de um eufemismo modernoso para designar a mesma coisa - e continuamos atrasados. Nosso atraso é muito mais que econômico ou social, antes é um estado de alma, uma segunda natureza, uma maneira de ver o mundo, um jeito de ser, uma cultura. Temos pouco ou nenhum espírito cívico, somos individualistas, emporcalhamos as cidades, votamos levianamente, urinamos nas ruas e defecamos nas praias, fazemos a barulheira que nos convém a qualquer hora do dia ou da noite, matamos e morremos no trânsito, queixamo-nos da falta de educação alheia e não notamos a nossa, soltamos assassinos a torto e a direito, falsificamos carteiras, atestados e diplomas, furamos filas e, quase todo dia, para realçar esse panorama, assistimos a mais um espetáculo ignóbil, arquitetado e protagonizado por governantes.


Que coisa mais desgraciosa e primitiva, esse festival de fanfarronadas e bravatas, essa demonstração de ignorância mesclada com inconsequência, essa insolência despudorada, autoritária, prepotente e pretensiosa. Então a ideia era submeter decisões do Supremo Tribunal Federal à aprovação do Congresso, ou seja, na situação atual, à aprovação do Executivo. E gente que é a favor disso ainda tem o desplante de lançar contra os adversários acusações de golpismo. Golpismo é isso, é atacar o equilíbrio dos poderes da República, para entregar à camarilha governista o controle exclusivo sobre o destino do País. Até quem só sabe sobre Montesquieu o que leu numa orelha de livro lembra que o raciocínio por trás da independência dos poderes é prevenir o despotismo. Se eu faço a lei, eu mesmo a executo e ainda julgo os conflitos, claro que o caminho para a tirania está aberto, porque posso fazer qualquer coisa, inclusive substituir por outra a lei que num dado momento me incomode.

Hoje, muito tempo depois de Montesquieu, sistemas como o vigente nos Estados Unidos, cujas instituições políticas plagiamos na estruturação da nossa república, dependem de um equilíbrio delicado e sutil, o qual pressupõe uma formação cívica e cultural que nosso atraso nos impede de plagiar também. Uma barbaridade desse porte é praticamente impossível acontecer por lá. E isso se evidencia até no comportamento e nas atitudes de todos. Nenhum deputado americano iria blaterar contra a Suprema Corte e investir contra a integridade do Estado dessa forma. E nenhum dos magistrados sai, como aqui, dando entrevistas em toda parte e tornando-se figurinhas fáceis, cuja proximidade induz uma familiaridade incompatível com a natureza e a magnitude dos cargos que ocupam, intérpretes supremos da Constituição, última instância do Estado, capaz de selar em definitivo o destino de um cidadão ou até da sociedade. Quem já presenciou a abertura de uma sessão da Suprema Corte, em Washington, há de ter-se impressionado com a solenidade majestosa do ato e com a aura quase sacerdotal dos juízes. Aqui, do jeito que as coisas vão, chega a parecer possível que, um dia destes, a equipe de um show de televisão interrompa uma sessão do Supremo para entrevistar os ministros, com uma comediante fazendo perguntas como "que é que você usa por baixo da toga?" e Sua Excelência, olhando para o decote dela e depois piscando para a câmera, dê uma gargalhadinha e responda "passa lá em casa, que eu te mostro".

Soberana, entre as nossas manifestações de atraso, é a importância que damos à televisão. Não conheço outro país onde visitas apareçam exclusivamente para ver televisão na companhia dos visitados, ou onde se liga a televisão na sala e ninguém mais conversa. Hoje está melhor, mas, antigamente, o sujeito era convidado para dar uma entrevista e todos os funcionários da estação ou da produção o tratavam como se ele estivesse recebendo uma dádiva celestial. Do faxineiro à recepcionista, todos eram importantíssimos e eu mesmo já me estranhei com alguns, um par de vezes. A televisão é tudo a que se pode ambicionar, todas as moças querem ser atrizes de novelas, a fama é aparecer na televisão, quem aparece na televisão está feito na vida. Briga-se por tempo na televisão, ameaça-se o regime por causa de tempo na televisão e avacalha-se a imagem das instituições através dos que parecem sempre ansiosos por aparecer na televisão. Em relação aos ministros do Supremo, creio que todos os dias pelo menos uns dois deles se exibem em entrevistas. Houve a questão do mensalão, mas a moda e o costume já pegaram e qualquer processo no Supremo que venha a ter grande repercussão vai gerar novas entrevistas, pois ministro também é filho de Deus e, se não houvesse seguido a carreira jurídica, teria sido personalidade da televisão.

Quanto aos governados, as chances de aparecer na televisão são escassas e talvez o mais recomendável seja não ambicioná-las, porque isso pode significar que teremos sido assaltados ou atropelados, ou vovó esticou as canelas depois de quatro dias numa maca na recepção de um hospital vinculado ao SUS, ou já viramos presunto. Temos os nossos representantes, que podem representar-nos também aparecendo na televisão, são o nosso retrato. Continuam a caber-nos as duas certezas que Benjamin Franklin via na vida: death and taxes, morte e impostos. Nossas oportunidades de morte são amplas e diversificadas, de bala perdida a dengue. Em relação aos impostos, estamos a caminho do campeonato mundial. E, finalmente, contamos com o consolo de saber que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. Ou seja, pensando bem, não temos de quem nos queixar.