quarta-feira, 19 de junho de 2013

Carta aos brasileiros

Posição oficial da JPSDB-SP sobre a onda de manifestações atuais.



"Sociedade civil,

Nosso país passa por um momento histórico, momento em que a juventude brasileira assumiu suas responsabilidades perante os desafios das causas públicas. Relembramos, tendo em vista os atuais acontecimentos, episódios históricos de grandes mudanças, protagonizados, entre outros, por Franco Montoro e Mario Covas.

Defendemos que todo e qualquer cidadão tenha assegurado seu livre direito de manifestação.

Quanto mais tentarem partidarizar o processo, mais longe estarão de entendê-lo.

Continuaremos participando dos movimentos sociais acima de tudo como cidadãos brasileiros, independente de instituições partidárias.

Repudiamos todo tipo de excesso, de ambas as partes. Não temos compromisso com o erro.

A juventude brasileira mostrou ao país que está pronta para iniciar um novo processo de aperfeiçoamento da democracia. E nós estamos determinados e não fugiremos do desafio."


Secretariado Estadual de Juventude do PSDB-SP

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Recordação

Texto de Antônio Prata publicado na FOLHA DE SÃO PAULO, indicado pela amiga Gláucia Pádua.

"Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado", ele disse, me olhando pelo retrovisor. Fiquei sem reação: tinha pegado o táxi na Nove de Julho, o trânsito estava ruim, levamos meia hora para percorrer a Faria Lima e chegar à rua dos Pinheiros, tudo no mais asséptico silêncio, aí, então, ele me encara pelo espelhinho e, como se fosse a continuação de uma longa conversa, solta essa: "Hoje a gente ia fazer 25 anos de casado".

Meu espanto, contudo, não durou muito, pois ele logo emendou: "Nunca vou esquecer: 1º de junho de 1988. A gente se conheceu num barzinho, lá em Santos, e dali pra frente nunca ficou um dia sem se falar! Até que cinco anos atrás... Fazer o que, né? Se Deus quis assim...".




Houve um breve silêncio, enquanto ultrapassávamos um caminhão de lixo e consegui encaixar um "Sinto muito". "Obrigado. No começo foi complicado, agora tô me acostumando. Mas sabe que que é mais difícil? Não ter foto dela." "Cê não tem nenhuma?" "Não, tenho foto, sim, eu até fiz um álbum, mas não tem foto dela fazendo as coisas dela, entendeu? Que nem: tem ela no casamento da nossa mais velha, toda arrumada. Mas ela não era daquele jeito, com penteado, com vestido. Sabe o jeito que eu mais lembro dela? De avental. Só que toda vez que tinha almoço lá em casa, festa e alguém aparecia com uma câmera na cozinha, ela tirava correndo o avental, ia arrumar o cabelo, até ficar de um jeito que não era ela. Tenho pensado muito nisso aí, das fotos, falo com os passageiros e tal e descobri que é assim, é do ser humano, mesmo. A pessoa, olha só, a pessoa trabalha todo dia numa firma, vamos dizer, todo dia ela vai lá e nunca tira uma foto da portaria, do bebedor, do banheiro, desses lugares que ela fica o tempo inteiro. Aí, num fim de semana ela vai pra uma praia qualquer, leva a câmera, o celular e tchuf, tchuf, tchuf. Não faz sentido, pra que que a pessoa quer gravar as coisas que não são da vida dela e as coisas que são, não? Tá acompanhando? Não tenho uma foto da minha esposa no sofá, assistindo novela, mas tem uma dela no jet ski do meu cunhado, lá na Guarapiranga. Entro aqui na Joaquim?" "Isso."

"Ano passado me deu uma agonia, uma saudade, peguei o álbum, só tinha aqueles retratos de casório, de viagem, do jet ski, sabe o que eu fiz? Fui pra Santos. Sei lá, quis voltar naquele bar." "E aí?!" "Aí que o bar tinha fechado em 94, mas o proprietário, um senhor de idade, ainda morava no imóvel. Eu expliquei a minha história, ele falou: Entra'. Foi lá num armário, trouxe uma caixa de sapatos e disse: É tudo foto do bar, pode escolher uma, leva de recordação'."

Paramos num farol. Ele tirou a carteira do bolso, pegou a foto e me deu: umas 50 pessoas pelas mesas, mais umas tantas no balcão. "Olha a data aí no cantinho, embaixo." "1º de junho de 1988?" "Pois é. Quando eu peguei essa foto e vi a data, nem acreditei, corri o olho pelas mesas, vendo se achava nós aí no meio, mas não. Todo dia eu olho essa foto e fico danado, pensando: será que a gente ainda vai chegar ou será que a gente já foi embora? Vou morrer com essa dúvida. De qualquer forma, taí o testemunho: foi nesse lugar, nesse dia, tá fazendo 25 anos, hoje. Ali do lado da banca, tá bom pra você?"

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Ao Telefone, o final(?)

Já publicado em meu antigo blog, mas pela primeira vez em sequência a série AO TELEFONE.

Para entender melhor, ler antes AO TELEFONEAO TELEFONE² e AO TELEFONO³


AO TELEFONE, O FINAL(?)

Por Caio Lafayette
(Para ler ao som de Paradeiro – Arnaldo Antunes e Marisa Monte)

(pi…pi…pi…)
-Alô?
-Alô!
-Tudo bem?
-Ótimo! Espero que se lembre que hoje é dia 20.
-É, lembro. Masssss...
-Mas o quê?
-Tenho uma péssima notícia “baby”. Não vou poder ir.
-POR QUÊ?
-Ai, nem me fale. Eu digo que tenho que sair daquele emprego e você não acredita.
- Nunca disse que não acredito. O que o foi dessa vez?
- O novo chefe. Quer que eu vá numa reunião em Maceió, amanhã, e meu vôo sai daqui hoje, às 19h.
-Merda! Podemos marcar pra outro dia, então…
-Na verdade não! Preciso te falar algumas coisas, e não pode passar de hoje.
-Lá vem você. Já não basta toda nossa história nesse dia?
-Pois é. Acho até que não tem mais nada a ver falar, mas tenho que falar.
- Você está me deixando com medo…
-É mesmo pra ter…
(silêncio…)
-Fala…

"...haverá paradeiro para o nosso desejo dentro ou fora de nós?..."
-Lembra do Rodrigo?
-Qual Rodrigo? Existem tantos.
-O Rodrigo, que você adorava, dizia que era o cara mais inteligente que conhecia e ‘blá-blá-blá’?
-O que tem ele?
-Calma! Foi por causa dele que terminei com você!
-O quê?
-É! É isso. Não conseguia mais segurar. Precisava te falar. Sei que não há o menor sentido, mas tinha que te falar!
-Mas vocês…
-Sim, nós saímos e eu me apaixonei.
-Mas por quê?
-Por que “baby”? Você ainda pergunta “por quê”?
-É claro!
-Você estava acomodado. Estava comigo por costume, nada mais. Só trabalhava, pelo menos era a desculpa pra nunca estar comigo. Eu estava sensível, e ele veio e...
-Mas vocês…
-Não, não deu em nada se é isso que quer saber. Saí com ele, transei com ele, me apaixonei por ele. Terminei com você e uma semana depois…
-Já estava com ele?
-Na verdade, já estava sem ele!
-Eu não acredito!
-Desculpa, sei que é horrível ouvir isso “baby”, mas eu precisava te contar...
-Eu não sei se choro ou se caio na gargalhada…
-Sorria. Afinal, era pra ser. Você também devia estar com outra, ou outras. Nem queira me enganar.
-Eu não estava!
-Duvido.
-É sério. Não queira jogar sobre minhas costas um erro seu.
-E a Tamires?
-Você ainda lembra disso? Esquece a Tamires. Quem dava em cima de mim era sua amiga, a tal da Carol.
-Ahn?
-Pois é, ela mesma, mas eu fui homem o suficiente de não cair nos encantos dela.
-Vagabunda!
-Opa! Calma! Pelo menos ela não ficou comigo. E o Rodrigo?
(silêncio…)
-Me desculpa?
-É claro que não! (grrrrrr)! Quer dizer, não tem do que desculpar, é passado.
-Sei que não vai ser fácil pra digerir, mas vai ser melhor.
-Melhor não sei, mas sobreviverei, assim como sobrevivi quando terminamos.
-Sobreviveu bem, aliás. Já namorou quantas vezes depois que terminamos? Cinco?
-Ter tido tantas namoradas não é sinal nem prova de que estou bem...
(silêncio…)
-Ééééé…e eu que não namorei mais?
-Mas e o ‘filhodaputa’ do Rodrigo?
-Já disse, enjoei em uma semana.
-Jogou tudo pro alto pra isso?
-Talvez eu precisasse.
-Pensando friamente, talvez até eu precisasse…
(silêncio…)
-“Baby”?
-Oi?
-Éééé…
-Acho que já deu por hoje, não é? Aliás, acho que já deu pra nós. Vamos desligar esse telefone e parar com essas conversas estúpidas que estamos mantendo?
-Éééé…vamos.
-Toda vez que nos falamos acabamos nos magoando.
-Eu sei…
-Você já falou o que você tinha pra falar e agora podemos seguir nossa vida, tranquilos.
-Eu não disse o que eu tinha pra falar!
-Como não? Ainda tem mais?
-Na verdade, o que eu tinha que falar eu não falei.
-E quando vai começar?
(silêncio…)
-Bom, tenho que desligar. Não terminei de arrumar as malas ainda. Logo estou embarcando pra Maceió.
-‘Peraí’! Marcamos de nos ver hoje porque você tinha algo pra me falar, você cancela, diz que fui corno de um amigo meu e depois quer desligar sem falar qual era o verdadeiro motivo do tal encontro?
-Calma “baby”!
-Calma?
(silêncio…)
-Vou ter que realmente desligar.
-Faça isso e não me ligue mais!
-Ei!
-Fala.
-Eu te amo!
*piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ao Telefone³

Já publicado em meu antigo blog, mas pela primeira vez em sequência a série AO TELEFONE.

Para entender melhor, ler antes AO TELEFONE e AO TELEFONE²


AO TELEFONE³

Por Caio Lafayette
(Para ler ao som de A Sua – Marisa Monte)

(pi…pi…pi…)
- Alô?
- Alô!
- Por favor, a…
- É ela!
- Pelo jeito dessa vez reconheceu minha voz.
- Fala!
- Tá tudo bem?
- Vai me dizer que me ligou pra jogar conversa fora de novo? Fala logo.
- Meu Deus, quanta ignorância! Liguei pra me desculpar. Aquele dia não pude ir até o Center 3, mas mandei o Carlos. Ele conseguiu te ajudar?
- Pra falar a verdade, foi ótimo você não ter ido. Só não precisava ter mandado aquele ‘traste’. O cara passou a noite toda me cantando, até que cansei e fui embora.
- O quê?
- Isso mesmo. Mas também, já devia ter imaginado. Pra ser seu amigo não podia ser coisa boa...
- Não acredito que o Carlos fez isso! (grrrrrr)
- Calma ‘baby’, ficou com ciúme? Não fiz nada com ele não, pode ficar tranquilo.
- Não é ciúme, quer dizer, sei lá! Não, não é. É que ele foi prestar um serviço, tem que ser profissional. Eu vou matar o Carlos.



"...Eu só quero que você saiba Que estou pensando em você..."
- Faz isso não. Ele até é bonitinho. Talvez eu deixe ele cuidar do meu caso... só me fiz de difícil.
- Esqueça! Ele não vai cuidar do seu caso. Cuidarei eu mesmo.
- Não preciso mais. Resolvi minhas coisas lá. Fui promovida, meu chefe agora é outro. Acho que as coisas vão melhorar. Quanto ao Carlos, você poderia passar meu telefone pra ele, não é mesmo?
- (grrr) É uma boa ideia. Aí podemos sair juntos, você com ele e eu com a Tamires, que tal?
(silêncio…)
- Não quero mais falar dessa menina.
- Que estranho né?! Você pode me provocar e eu não posso.
- Sempre adorei te ver irritado.
- Engraçado. Você irritada também fica divertida.
- Sem graça!
(silêncio…)
- Bom, se está tudo certo já lá no seu serviço, acho que não precisa mais de mim, fica com De…
- Espera ‘baby’!
(silêncio…)
- Sim…
- Acho que precisamos conversar, sabe?
- Éeeee, na verdade, não sei…
- Sabe, mas finge não saber.
- O que poderíamos ter pra conversar depois de tanto tempo?
- Esse é o problema. Tudo aquilo que não conversamos até agora…
(silêncio…)
- (hunfes…) Não sei se é uma boa idéia…
- Eu tenho certeza de que é uma péssima idéia, mas precisamos.
- Ao telefone?
- Não, não! Ou sim…não sei se podemos nos ver.
- Eu não sei se queremos!
- Querer é uma palavra muito forte. Enfim... tenho pensado muito em nó…quer dizer, em como tudo acabou.
- É, confesso que isso também, vez ou outra, atormenta a minha cabeça.
- Acho que não nos livraremos disso até conversarmos. Colocar um ponto final, sabe?
- Já colocamos um ponto final!
- Ou terá sido um ponto e vírgula?
(silêncio…)
- (hunfes…) Bom.. quando estiver preparada pra essa conversa, me avisa.
- Eu estou. A árvore de natal do Ibirapuera já esta sendo montada. Acho que dia 20, às 21 horas, lá em frente, será que dá?
- Na verdade, acho que dessa vez quem está ‘apelando’ é você…
(silêncio…)
- Você sabe que adoro aquele lugar.
- Claro que sei.
-(hunfes…) E então, combinado?
- Acho que sim.
(silêncio…)
- Acho melhor a gente desligar, então…
- É, acho que sim…nos vemos dia 20…um beij…
- ‘BABY’!?
- Oi…
- Éeee…nada! Até dia 20. Um beijo.
- Beij…
*piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ao Telefone²

Já publicado em meu antigo blog, mas pela primeira vez em sequência a série AO TELEFONE.

Para entender melhor, ler antes AO TELEFONE

AO TELEFONE²
Por Caio Lafayette
(Para ler ao som de ‘O Amor Não Sabe Esperar – Paralamas do Sucesso e Marisa Monte’)

(pi…pi…pi…)
- Alô?
- Éééé…Oi, tudo bem?
- Tudo ótimo! A que devo a honra de sua ligação?
- Sem gracinhas, por favor!
- Bom, eu te ligar e você ser ‘grossa’ até vai, afinal, eu precisava de um favor seu que, aliás, nem foi cumprido conforme combinado. Mas você que está me ligando, então, menos!

"...não telefone, não mande carta, não mande alguém me avisarnão vá pra longe, não me desaponte, o amor não sabe esperar..." 

- (hunfes…) Pra começar, não pude te esperar aquele dia. Acabou surgindo um compromisso inadiável. Mas entreguei a pasta, não entreguei?

- Sim, mas…
- Mas nada! Te salvei de mais uma. Agradeça a Deus minha bondade.
- Ok! Farei isso hoje quando deitar a cabeça no meu travesseiro.
- Deixa de ser irônico. 
- Por que tudo que eu falo você acha irônico ou taxa de ‘gracinha’? 
- Não liguei pra discutir com você… 
- Foi só pra ouvir minha voz então? 
- Voz por voz, você sabe que eu prefiro a do Humberto Gessinger…aliás, não só a voz… 
(silêncio…) 
- Éééé…você ainda sabe me provocar né?!?! Sempre morri de ciúme do seu amor platônico por esse cara! 
- Para de ‘bobeira’. Já ‘tô’ em outra… 
(silêncio…) 
- Já entendi. Ligou pra ficar fazendo ‘ciuminho’. Então tá. Sabe pra que eu queria a pasta? Pra ligar pra Tamires. Liguei, me encontrei com ela – ela nem me deu bolo, olha só! – jantamos no Fonte Nueva e trepamos a noite toda. Noite sensacional! 
(silêncio…) 
- Nem ligo! (hunfes..) 
- É, não tem porque ligar mesmo. Não somos mais nada um do outro há quase um ano, não é ‘baby’? 
- E você não perde esse costume de me chamar de ‘baby’ não é mesmo? Aposto que chama todas assim pra não trocar o nome. Coitada da tal da Tamires. Tenho dó dela. 
- Se tivesse visto como foi boa a noite que passamos juntos acho que não teria tanta dó assim… 
- Aí…tá bom…vamos direto ao assunto. Estou precisando de um favor seu. 
- Huuuuum! Que interessante… 
- É sério! Briguei com meu chefe. Está tudo muito ruim lá na empresa. Nem pagar direito estão pagando. Quero sair de lá. Mas quero receber tudo que eu tenho direito. Não conheço nenhum advogado tão bom quanto você nesses casos – tudo bem que acho que é o único advogado que conheço – mas isso não vem ao caso. 
- Obrigado pelo ‘bom advogado’. Até mesmo pelo ‘único’, pois isso afasta a possibilidade de ter me traído com um colega de profissão. Mas vamos ao que interessa… 
- Peraí…antes disso, fique claro que eu nunca te traí. 
- Isso é o que você diz. 
- Pode acreditar ‘baby’. 
- Ok! Mas então você quer que eu cuide do caso pra você? 
- Na verdade, gostaria que me esclarecesse as coisas e me indicasse alguém pra cuidar do caso. Bonito, rico e inteligente de preferência. (risos…) 
- Nesse caso, o ‘único’ da região sou eu mesmo. (risos…) 
- Bom. É sério. Como podemos fazer isso? Começo a te contar tudo agora ou já tem algumas perguntas que são de praxe? 
- Na verdade, cada caso é um caso. Preciso conhecê-lo melhor. Só assim pra te indicar alguém que valha a pena. Acho que precisaremos nos encontrar. 
- Minha vida anda tão corrida. Não dá pra ser por e-mail? 
- Advogar um caso em benefício da ex-noiva por e-mail é o cúmulo ‘né’ ‘baby’? 
- Você tenta de tudo pra me ver né?! 
- Mas é você quem está me ligando pra pedir um favor… 
- Isso não significa que queira te ver. Faz assim. A gente resolve as coisas por e-mail. E no tempo que poderia me ver, você encontra a Tamires. O que acha? 
(silêncio…) 
- É mentira. Eu não queria a pasta por causa de Tamires nenhuma. Você sabe disso. Não saí com ninguém. 
- Mas pode sair. O número dela está aí com você… 
- É! Acho que é isso que vou fazer. Parar de gastar meu tempo falando com você ao telefone e ligar pra ela. 
- Espera ‘baby’! (silêncio…) Ainda não combinamos. Não agüento mais aquele lugar. Preciso da sua ajuda. 
- (hunfes…) Bom. Então escreva tudo sobre o caso e me envie. Ainda tem meu e-mail? 
- Tenho, mas você não disse que seria melhor pessoalmente? 
- Até disse. Mas você se desesperou assim que soube da possibilidade de me ver. Isso ou é muito amor, ou muito ódio. 
- Eu não te odeio! 
- Então… 
- Para por aí! (silêncio…).Éééé…Quanto vai custar? 
- Não cobraria de você. 
- Faço questão de pagar. Estou contratando um serviço. 
- Faço questão de não cobrar, mas acertamos isso pessoalmente. 
- Então, quando? 
- Hoje mesmo, pode ser? 
- Acho que pode. 
- Às 20 horas no Fonte Nueva? 
- Não ‘baby’. A conversa é de negócios. Nada de Fonte Nueva. Não queira apelar. Às 20 horas no Center 3, na Av. Paulista. 
- Pode ser… 
- Até lá! 
- Até! Beij… 
*piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

terça-feira, 4 de junho de 2013

Ao Telefone

Já publicado em meu antigo blog, mas pela primeira vez em sequência a série AO TELEFONE.
AO TELEFONE

Por Caio Lafayette
(Para ler ao som de Eu Espero – Luiza Possi)

(pi…pi…pi…) 
- Alô? 
- Alô! 
- Quem fala? 
- Não reconhece mais minha voz? 
- Ééééé!! Fala…(hunfes…) 
- Não precisa ‘bufar’! O tempo passa e você continua a mesma né?!?! 
- Não! Claro que não sou a mesma! Tô muito melhor do que pode imaginar. Massss…me ligou só pra dizer que continuo a mesma? Se foi pra isso já podemos desligar! 
- Não, calma! Preciso falar contigo! 
- Fala… 

"...Vai sim, vai ser sempre assim: a sua falta vai me incomodar..." 


- Você poderia ser menos ‘seca’…talvez a conversa fluísse melhor…
- Já disse que é pra falar…tô ocupada!
- Ok! Lembra de uma pasta que eu deixei na sua casa e quando você foi me devolver eu disse que não precisava mais?
- Não me lembro. 
- Uma que, inclusive, você abriu e achou um telefone de uma tal de Tamires e fez um escândalo que acordou toda a vizinhança… 
- Ridículo! Não acordei ninguém. E nem deveria lembrar, mas lembrei. O que tem ela? 
- Estou precisando dela. 
- Mas você não disse que não ia mais precisar? Faz mais de um ano isso, eu sei lá onde está! 
- Sim…eu sei que disse que não ia mais precisar. Mas estou precisando! 
- Ah! Precisa falar com a Tamires, é? 
- Ei…vamos parar com isso. É muito importante. Preciso da pasta…e você não é mais minha noiva! 
- Graças a Deus não sou sua mais noiva. E pode ligar pr’aquela vagabunda. Eu nem ligo! 
- Você, de fato, continua a mesma… 
- Era só isso? Já podemos desligar? 
- Nãããão! Preciso muito da pasta! 
- Eu já disse que não sei onde está. Posso até procurar pra você. Mas só terei tempo no final de semana. Se achar, te ligo. 
- Não ‘baby’! (silêncio) - Éééé…não posso esperar até sábado. 
- ‘Baby’?!?! Você não é mais meu noivo! Não te dou mais a liberdade pra me chamar assim! 
- Desculpa…foi... espontâneo… 
- Como tudo que você costuma fazer… 
- Desculpa, poxa vida! Não queria ser inconveniente! 
- Mas foi! Enfim, não quero estender o assunto. O problema é a pasta, então vou procurá-la. Afinal, te conheço, e pra estar desesperado desse jeito deve ter se enfiado em encrenca. Você não tem jeito mesmo... agora podemos desligar? 
- Você quem sabe! 
(silêncio) 
- Ééééé…você que me ligou… 
- Sim, pois preciso da pasta! 
- É! Eu já entendi isso! 
- E como eu faço? Passo aí pra pegar? 
(silêncio) 
- Pode ser! Na verdade, quase não tenho ficado em casa. Pega aqui na vizinha, a Dona Ana. Ela ainda deve lembrar de você. 
- Tudo bem! Eu passo! Hoje de noite, pode ser? 
- Parece que está marcando um encontro, credo! Quando queria sair comigo que me enchia de perguntas. Passa a hora que for melhor pra você. 
- Mas você não disse que ainda tem que procurar a pasta? 
- Éééééé…tenho, mas se não achar logo também não vou revirar a casa atrás dela. Quem mandou largar na minha casa? 
- Se fosse só isso que tivesse deixado aí tava bom…- O que você quis dizer com isso? 
- Nada! Calma! 
- Tudo que deixou aqui ou joguei fora ou doei pra instituições de caridade ‘baby... 
(silêncio) 
- Pode continuar. Não vou brigar com você por ter me chamado de ‘baby’. 
- Ai, como odeio! Pra que você ainda me liga? 
- Pois preciso da pasta…e não te ligava há mais de 6 meses… 
- Tá vendo, fica me ligando à toa… 
- Da outra vez que eu liguei eu só queria saber o nº do seu CPF pra cancelar a assinatura da revista. Não tem como te apagar da minha vida também. 
- Pois deveria ter feito isso! Eu já apaguei você da minha! 
- Realmente apagou! Percebi pelas suas fotos no Facebook… 
- Ai, como você é irônico! Continua o mesmo! 
- O mesmo? Que nada, estou muito melhor. 
- Besta! Vamos fazer assim, passa aqui em casa mesmo, às 19h, que te entrego a pasta. Mas só se você me prometer não ligar pr’aquela vagabunda da Tamires. 
- Pode deixar, não vou ligar. É que preciso mesmo da pasta. Podíamos aproveitar e sair pra tomar alguma coisa? 
- Deixa isso pra depois ‘baby’. Por enquanto, pegue apenas a sua pasta. 
- Então tá bom! 
- Fica com Deus! 
- Você tam... 
*piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Haitianos constroem o caminho da Copa

Reportagem interessante que li no ESTADO DE SÃO PAULO, publicada em 26 de Maio de 2013.

Vale ler e refletir. E ainda relacionar o conteúdo da reportagem às novas notícias sobre a relação Brasil-Haiti (ruins, nesse outro caso), ainda mais recentes: Haitianos revivem no Acre a miséria de um país


Haitianos constroem o caminho da Copa
Universitários, professores e poliglotas atuam nas obras do complexo viário do Itaquerão
Eles vieram da destruição para construir São Paulo e, de certa forma, reconstruir as próprias vidas. São professores, universitários e até atletas que falam duas, três, quatro línguas e trabalham como operários, concretando lajes e chumbando armações de ferro por salários de R$ 1,2 mil, em média. Estão a milhares de quilômetros de seu país, o Haiti, na América Central, e a poucos passos da arena que vai simbolizar a alma esportiva da capital na Copa do Mundo de 2014, o estádio do Corinthians, o Itaquerão, na zona leste.

Desde o fim do ano passado, o consórcio que toca as obras do novo complexo viário no entorno da futura arena têm empregado mão de obra haitiana. Ávidos para reerguer lares e famílias, destroçados pelo terremoto que atingiu o país caribenho em janeiro de 2010, matando mais de 200 mil pessoas, esses trabalhadores - e também trabalhadoras - buscam no Brasil as oportunidades que ainda não encontraram em sua terra natal.

Sergo Pierre, de 35 anos, deixou para trás a mãe, três irmãos e a faculdade de Direito - já havia cursado três anos e sete meses da graduação - para tentar a vida em São Paulo, sem ideia do que o esperava. "Não conhecia ninguém aqui, mas sempre ouvi falar da cidade, uma das maiores do mundo."

Há um ano, veio atrás do que a metrópole poderia oferecer. Primeiro, ganhou a vida numa cooperativa. Depois, como encanador. Faz cinco meses que trabalha como pedreiro, com carteira assinada e os devidos direitos trabalhistas, na construção de viadutos, túnel e alças de acesso que começam a mudar as feições de Itaquera.


No total, são 1,1 mil empregados - 50 vindos do Haiti, entre eles duas mulheres - empenhados no projeto de R$ 257 milhões, previsto para ser entregue em março de 2014, três meses antes do Mundial.

O grupo de estrangeiros, porém, cresce pouco a pouco. Por isso, cada vez mais uma das línguas que se ouvem perto do Itaquerão é o crioulo. E o francês, obviamente. É que esses são os dois idiomas oficiais daquele país, onde também se aprende inglês e espanhol na escola. Quem conta é Gamisson Francisque, de 25 anos, que já arranha o português. "Eu estudava Engenharia Mecânica, estava no terceiro ano quando vim. Ainda quero retomar os meus estudos", diz.

Assim como ele, seus colegas de trator, alicate e betoneira também sonham em voltar para as atividades originais. O caso mais emblemático é o de Samuel Alcine, de 23 anos. Hoje, o jovem, ex-jogador da seleção de futebol do Haiti, opera uma britadeira. "É complicado acompanhar a construção do estádio do Corinthians tão de perto e não sonhar jogar ali um dia", afirma Alcine.

A distância. A saudade, uma palavra tão portuguesa, rapidamente se incorporou ao vocabulário dos estrangeiros. Luckner Honorat, de 34 anos, que era professor em seu país, sente falta da família. Sua mãe morreu em dezembro. Logo depois, ele optou pelo Brasil. Pierre, por sua vez, tem de dividir a saudade entre o Haiti e a França, onde trabalha sua mulher, a quem não vê há cerca de três anos.

A administradora da obra, Cassia Waleska Pereira, de 49 anos, tenta, de alguma forma, amenizar a nostalgia dos trabalhadores. Ela é uma espécie de mãe para os haitianos que chegam ao Consórcio Viário Zona Leste. Desde a primeira "turma", formada há cinco meses, é responsável por assegurar que os novos profissionais, todos com carteira assinada, se entrosem à equipe. "O que a gente sente é que eles precisam de trabalho nem que for só para comer."

Segundo ela, existe uma dificuldade para a contratação de mão de obra nacional. Por isso, a absorção de haitianos.

Com o tempo, o envolvimento foi se tornando maior e ela já vai a festas dos funcionários - a maioria deles mora em apartamentos compartilhados na região central. O carinho se tornou recíproco. O dia de seu aniversário, 20 de março, coincidiu com o do nascimento da filha de um dos haitianos, o carpinteiro Kedner Jean Baptiste, de 25 anos, que decidiu batizar a rebenta com o nome de Cássia.