quarta-feira, 23 de julho de 2014

O fechamento da Santa Casa de SP


"A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, considerada o maior hospital filantrópico da América Latina, suspendeu nesta terça-feira (22) o atendimento de emergência no pronto-socorro. 

O hospital alegou que não tem mais dinheiro para comprar materiais e medicamentos" 


Por Caio Lafayette

A notícia é recente, de ontem, mas, ao contrário do que alguns veicularam, não é surpresa.

Não é de hoje que a tabela do SUS não passa por correção de valores. Para se ter uma ideia, o repasse feito pelo Ministério da Saúde para casos de parto normal é de R$ 443, sendo que o custo mínimo para esse tipo de parto é de R$ 900. Outro exemplo se dá na diária da UTI: o SUS paga R$ 478; ela custa R$ 1.000.

Há 12 anos, o Governo Federal participava com 60% do total do SUS no Brasil. Nos últimos anos essa participação caiu para menos de 45%.

Para tentar minimizar o déficit, o Governo do Estado de São Paulo investiu, entre 2011 e 2013, R$ 1,8 bilhão nas santas casas, e prevê o investimento de mais R$ 1 bilhão no ano de 2014. Somente à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, serão repassados R$ 168 milhões este ano, totalizando R$ 345 milhões desde 2011.

Além disso, as santas casas e os hospitais filantrópicos contam com o programa Saúde SP, uma linha de crédito especial para quitação de dívidas e aquisição de equipamentos hospitalares, em parceria com a Desenvolve SP.

Fica, então, a preocupação com relação ao tratamento que o Ministério da Saúde dará ao caso. Não adiantam mais médicos apenas, sejam eles do país que forem. O que a saúde no Brasil precisa é de gestão. E atualizar a tabela do SUS se faz item prioritário, ou então, veremos mais hospitais sendo fechados.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

A pior das perdas


Sobre a morte de João Ubaldo Ribeiro, postagem nenhuma seria suficiente pra homenageá-lo da forma que eu gostaria.

Aprendi a gostar da política - e não falo de política partidária - com os textos de João Ubaldo, em seus livros e jornais.

Por falar em jornais. aprendi a lê-los pra poder acompanhar seus textos aos domingos, no Estadão.

Tentei escrever como ele tantas e tantas vezes e descobri o óbvio: jamais seria capaz.

Me encantei com a forma com que ele conseguia tratar dos problemas mais complexos da nossa sociedade de forma atual e inserindo tais problemas em um contexto literário, com personagens incríveis, bem construídos e inesquecíveis.

Por nada ser suficiente, a forma menos pior que encontrei de homenageá-lo é publicar mais um de seus textos. No caso, o último escrito, que seria publicado este Domingo, no Estadão. E que bom seria se todos os dias tivéssemos um de seus textos para ler, por toda a eternidade...


O correto uso do papel higiênico
Por João Ubaldo Ribeiro

O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente. Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3.28%, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de tevê.

Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores. Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória. Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.

Agora me contam que, não sei se em algum Estado ou no País todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabete e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito. Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção? O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas. O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares. Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o Estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.

Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico. Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo. E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente. Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma – chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote –, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica. Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.

Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social. Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros. Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide. Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A pátria de chuteiras - Nelson Rodrigues


O homem brasileiro e a sociedade

"O ser humano pensa demais e é pena, pois a vida é, justamente, uma luta corporal contra o tempo. Repito: - o ser humano vive pouco porque pensa muito."



"Em 50, não foi apenas um time que fracassou no Maracanã. Foi o homem brasileiro, como em Canudos. Em 58, quem venceu? O Brasil. Quando Bellini apanhou o caneco de ouro, era o novo homem brasileiro que se proclamava."

"Amigos, vamos reconhecer com sóbria e exata autocrítica: - não há, presentemente, no mundo, uma figura humana tão complexa, tão rica, tão potencializada como o brasileiro. Era o óbvio, que nem todos enxergam: - o maior homem da época é o do Brasil."

"Repito: o brasileiro é uma nova experiência humana. O homem do Brasil entra na história com um elemento inédito, revolucionário e criador: a molecagem."

"O brasileiro reage ao bem que lhe fazem com uma gratidão amarga e ressentida."

"Admiramos mais os defeitos ingleses do que as virtudes brasileiras."

"E se uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de 'complexo de vira-latas'. Estou a imaginar o espanto do leitor: - 'O que vem a ser isso?' Eu explico. 
Por 'complexo de vira-latas' entende eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol."

"Em 58, na véspera de Brasil x Rússia, entrei na redação. Tiro o paletó, arregaço as mangas e pergunto a um companheiro: - 'Quem ganha amanhã?'Vira-se pra mim, mascando um pau de fósforo. Responde: - 'Ganha a Rússia, porque o brasileiro não tem caráter.'
Eis a opinião dos brasileiros sobre os outros brasileiros: - não temos caráter. Se ele fosse mais compassivo, diria: - 'O brasileiro é um mau-caráter.' Vocês entenderam? O mau-caráter tem caráter, mau embora, mas tem. Ao passo que, segundo meu colega, o brasileiro não tem nenhum."

"No fundo, no fundo, somos assim. O homem brasileiro não acredita em sim mesmo."




Os campeões e o futebol

"E mesmo fora do futebol, o europeu faz uma imitação da vida, enquanto que o brasileiro vive de verdade e ferozmente. Ninguém compreenderá que foi a nossa qualidade humana que nos deu esta Copa tão alta, tão erguida, de fronte de ouro. E mais: - foi o mistério de nossos botecos, e a graça de nossas esquinas, e o soluço dos nossos cachaças, e a euforia dos nossos cafajestes."


"Eu quero terminar dizendo: - quando, após a partida de anteontem, o capitão inglês ergueu as mãos ambas a Jules Rimet, o urubu de Edgard Allan Poe declarava aos jornalistas credenciados: - 'Nunca mais, nunca mais!' E, de fato, como as outras Copas vão ser disputadas em terreno neutro, nunca mais a Inglaterra vai conseguir impor seu futebol sem imaginação, sem arte, sem originalidade. E o cronista que foi nos dois pés e voltou e voltou de quatro que se cuide. O mesmo urubu de Edgard Allan Poe diria que não levantará nunca mais, nunca mais, nunca mais."

"O campeões do mundo deviam ser incompráveis."

"Do mesmo modo, nenhum clube se lembraria de vender um presidente, embora o presidente seja uma figura infinitamente menos essencial que um campeão do mundo. Eis o ponto nevrálgico da questão: - clube não é boteco para vender tudo. Ele possui coisas que não venderia nem por todo o ouro da Terra."

"O campeão não é apenas um jogador de futebol. É um herói: nenhum clube, nenhum povo tem o direito de vender seus heróis. Nem o herói tem o direito de vender a si mesmo."

"Deslumbrante país seria este, maior que a Rússia, maior que os Estados Unidos, se fôssemos 75 milhões de Garrinchas."

"Mas para fazer seu futebol impessoal e coletivista, o caro Chirol terá de preliminarmente mudar o homem. Para isso, terá de pedir à diretoria do clube uns vinte séculos ou mais. Note-se, porém: - antes dele, Cristo tentou a mesma coisa e fracassou. Os pulhas estão aí, impunes e bem sucedidos."

"No futebol, a apoteose está sempre a um milímetro da vaia."

"Os idiotas da objetividade querem colocar a partida em seus termos táticos e técnicos."

"Se me perguntarem o que deverá fazer a seleção para ganhar a Copa, direi, singelamente: - 'Não nos ler.'"

"A seleção é a pátria em calções e chuteiras."

segunda-feira, 14 de julho de 2014

A Copa do Mundo em 10 momentos

1 – O ANÚNCIO

Em Outubro/2007 veio o anúncio que tanto se esperava, mas já se sabia: o Brasil sediaria a Copa do Mundo de 2014. Tanta certeza se dava por conta do rodízio que a Fifa decidiu adotar, levando o campeonato mundial a todos os continentes, sendo 2014 a vez da América, cujo único candidato a sede era o Brasil.

Junto com o anúncio, veio a promessa subentendida de grandes investimentos em infraestrutura, turismo, telecomunicações, além dos estádios, claro. Das 18 pré-candidatas a cidades-sede, ficaram 12. O número foi exagerado, as distâncias enormes e algumas das cidades muito mal escolhidas. Assim começou a Copa no Brasil.


2 –AS CRÍTICAS E A DESORGANIZAÇÃO


A caminhada até a abertura do mundial foi marcada por críticas e desentendimentos entre a Fifa, o Governo Federal e seu Comitê Organizador.

Jerome Valcke, Secretário Geral da Fifa, se tornou figura constante nos noticiários do país, quase sempre criticando a organização e os atrasos nos estádios. E olha que sua preocupação estava, principalmente, com a questão esportiva. Do ponto de vista de infraestrutura, quase nada foi feito e não é exagero afirmar que o legado deixado pela Copa do Mundo é quase zero.


3 – A ABERTURA E O PRESSÁGIO DAS FALHAS DE ARBITRAGEM


Críticas à parte, o espetáculo começou no dia 12 de Junho. No jogo inaugural, vitória do Brasil, como deveria ser. Mas houve muita polêmica com relação ao pênalti marcado em Fred pelo juiz da partida. Realmente, não houve pênalti. Mas o erro na abertura só veio para nos avisar o quão ruim seria a arbitragem durante todo o mundial. Juízes erraram quase sempre, permitiram jogadas violentas sem mostrar cartões – será que por orientação da Fifa? - anularam gols legais, validaram gols ilegais... um verdadeiro desastre, coroado pelo Senhor Nicola Rizzoli, na final, com péssima atuação.


4 – O NAUFRÁGIO DA CAMPEÃ


A imagem da atual campeã Espanha sucumbindo no primeiro jogo frente a uma até então desacreditada Holanda será um dos retratos mais lembrados desta Copa. A derrota representou muito mais que não somar pontos na estréia. Foi a pior derrota de uma campeã em seu primeiro jogo após o título, significou, no mínimo, uma reflexão sobre a efetividade do estilo de jogo adotado pelos espanhóis há anos – o Tiki-Taka, manchou a imagem de alguns ídolos nacionais, como é o caso do goleiro Casillas, e culminou em uma eliminação precoce, já na segunda partida, contra o forte Chile.

Também ficarão na memória belo gol de Van Persie, de cabeça – pra mim, o mais bonito da Copa – e a primeira das tantas boas atuações de Robben – pra mim, o melhor jogados do campeonato.


5 – A SURPRESA CHAMADA COSTA RICA



Ela caiu em um grupo com três campeãs mundiais, fato inédito graças ao esdrúxulo critério da escolha de cabeças-de-chave adotado pela Fifa. Muito se falou que os classificados do tal grupo da morte, com Itália, Uruguai e Inglaterra, poderia ser definido no saldo de gols e quem fizesse mais gols na Costa Rica poderia se beneficiar. Pois o time da América Central bateu os bi-campeões uruguaios na estréia, os tetra-campeões italianos na segunda partida e empataram com a campeão Inglaterra no último jogo. Passaram pelos gregos nas Oitavas de Final e só caíram nas quartas, contra a Holanda, nos pênaltis.

Destaque para o goleiro Navas – pra mim, o melhor da Copa.


6 – LUIS SUÁREZ


O grupo da morte teve uma Costa Rica surpreendente, um jogaço entre Uruguai e Inglaterra, mas também teve a mordida de Suárez em Chiellini. O jogo ainda estava zero a zero quando ocorreu o fato. O juiz não viu – ou viu e não o puniu. No fim, Uruguai venceu, se classificou e eliminou os italianos. Mas foi o fim da linha para o melhor jogador do time – e um dos melhores do mundo. Por reincidência, a Fifa puniu o atacante Uruguai com 9 jogos pela seleção de seu país e 4 meses longe dos gramados. Considero a punição exagerada.

De toda maneira, a imagem ficará marcada na história das Copas.


7 – A COLÔMBIA SUL-AMERICANA


A Colômbia foi Colômbia. Ou foi Brasil? Vestiu amarelo, jogou bonito, encantou e teve o segundo melhor jogador da Copa, que usava a 10 nas costas: James Rodriguez. Representou da melhor maneira um futebol sul-americano com grande destaque em todo o mundial. O Chile foi forte como poucas vezes se viu; Brasil e Argentina foram semi-finalistas; o Uruguai passou pelo grupo da morte e depois perdeu para a própria Colômbia.

O bom técnico José Pékerman conseguiu aliar o já conhecido futebol técnico e alegre dos colombianos a uma disciplina tática incomum às seleções daquele país. O resultado foi um 5º lugar inédito.


8 – MINEIRAZO


Um time que estreou fazendo um gol contra, passou pela primeira fase com certa dificuldade, não teve preparo psicológico para enfrentar um Chile tradicionalmente freguês. Um capitão que chorou na hora da decisão, uma emoção descontrolada na hora de cantar o hino, um centroavante inexistente. Um Hulk apenas esforçado. Um único craque que foi tirado da Copa por uma entrada imprudente de um colombiano. Ligação direta entre defesa e ataque. Um time sem padrão tático.

Ainda assim, um semifinalista.

Melhor que não fosse. Foram sete gols sofridos contra a Alemanha. Quatro deles em apenas seis minutos. Reflexo de uma convocação muito mal feita, falta de opções pra formar uma equipe sem seu principal jogador – Neymar – e do descontrole psicológico demonstrado desde o início do mundial.

O Brasil deixou a Copa em seu país de forma melancólica, deixando o sentimento de necessidade de mudança, não apenas da seleção, mas do futebol brasileiro.


9 – ARGENTINA EM CASA


“Brasil, decime que se siente / quedar afuera del mundial. / Te juro que aunque pasen los años, / nunca nos vamos a olvidar.”

Se antes havia a confusão em todo o mundo sobre qual a capital do Brasil, agora todos devem achar que é mesmo Buenos Aires.

Muito mais confortáveis que o próprio anfitrião, a torcida argentina fez do Brasil sua casa e apoiou sua seleção até a final, o que não ocorria desde 1990.

O time argentino quase saiu do Brasil campeão vencendo por pouco ou até mesmo empatando, sem grande brilho das principais estrelas – inclusive Messi, escolhido injustamente o melhor da Copa – e com um sistema defensivo coletivo, sólido, que garantiu o sucesso da equipe.

Faltou a taça. Mas os ‘hermanos’ fizeram a festa no Brasil.


10 – É TETRA!


Foi feliz do começo ao fim. Assim podemos resumir a Alemanha da Copa 2014.

Chegou apontada como uma das favoritas e, sem dúvida, apresentando o melhor futebol dentre as 32 participantes do mundial. Interagiu com o povo brasileiro, tanto na estadia na Bahia quanto nas redes sociais. Conquistou a simpatia de todos, mesmo após a goleada em cima da seleção brasileira. Foi perfeita taticamente, compacta, decisiva. Mostrou equilíbrio no elenco, com as melhores opções de banco e bons jogadores em todas as posições.

Acima de tudo isso, se preparou para ser vencedora. Após a crise pela qual passou nos anos 90 – futebolisticamente falando – a Federação Alemã investiu pesado na formação de atletas, em reforçar ainda mais a liga nacional. Formou uma geração que seria lembrada mesmo sem o título. Mas nada mais justo que alcançar o tetra. A seleção mais regular da história das copas ainda estava atrás de Brasil e Itália em títulos. Agora não mais. Apenas o Brasil segue à frente. Talvez, por apenas quatro anos, afinal, muitos dos agora atuais campeões deverão estar na Rússia em 2018.

Em suma, a ‘Copa das Copas’ teve média de gols alta, grandes partidas, futebol ofensivo com o equilíbrio defensivo, zebras, tradição, goleiros incríveis, técnicos mudando jogo e a Alemanha campeã com muitos méritos.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Não é você que está deixando de pagar, são todos que estão pagando

"Inspeção veicular será retomada em SP sem taxa"



A Inspeção Veicular foi tema recorrente na campanha para a Prefeitura de Sâo Paulo, em 2012. E o vencedor da disputa, Fernando Haddad, prometeu acabar com a taxa cobrada para a inspeção e começa a tirar do papel a promessa.

Mas... isso é bom?

O discurso é bastante atraente: acabar com a taxa da inspeção veicular. Onde já se viu, pagamos tanto imposto, não é mesmo?

Acho que não é bem assim.

O não pagamento da taxa de inspeção veicular por parte daqueles que possuem um bem - no caso, o carro - significa que todos os paulistanos, inclusive aqueles que não têm um automóvel, estão arcando com a tal vistoria.

Isso significa:

1- um privilégio aos que utilizam o transporte individual em detrimento ao transporte público;

2- parte do orçamento da Prefeitura, que poderia ser utilizado na execução de políticas públicas para toda ou maior parte da população, será destinado ao uso de parte dela - aqueles que possuem um automóvel;

3- não é mais o dono do bem que paga à empresa pela inspeção, é a Prefeitura, com o nosso dinheiro. Você acha mesmo que isso vai dar certo?

A desmilitarização da Polícia Militar



O 'Entre Aspas' 08/04/2014, na Globo News, discutiu a desmilitarização das Polícias Militares brasileira.

O programa foi curto - uma pena, mas valeu a pena por tratar do tema sem o peso ideológico com que muitas vezes é tratado, dando prioridade à análise do conceito 'desmilitarização' e de possíveis soluções para os problemas da segurança pública que não são exclusividade de nenhum Estado, mas de todo o país.

Assisti-lo deveria ser obrigatório tanto aos adeptos do 'bandido bom é bandido morto' quanto àqueles que acham que a polícia é o maior problema da humanidade.

Segue o link: http://globotv.globo.com/globo-news/entre-aspas/v/entre-aspas-discute-a-desmilitarizacao-das-policias-militares-brasileira/3269039/

Pensadora Contemporânea

Sobre a questão polêmica que trata Valesca Popozuda como grande pensadora contemporânea...



...fico com a resposta do professor: "A partir do momento em que você vê várias pessoas famosas dando beijinho no ombro em referência à música de Valesca Popozuda, isso mostra que ela acabou construindo um conceito".

Ainda, perguntado se foi irônico ou se considera a cantora uma grande pensadora contemporânea, o professor afirma que a considera uma pensadora: “se ela interfere na sociedade e influencia a sociedade com o que ela pensa, sim (a considero uma pensadora)”.

No mais, fica a mensagem da imagem pra vocês.

Por que não me ufano?

Por Caio Lafayette

Porque bom mesmo é só aquilo que gostamos. Insistimos em falar mal do BBB e mantemos a TV ligada. Porque somem aviões. Padres se penduram em balões. Santas aparecem em janelas.

Porque não entendemos o que significa Estado laico. Confundimos o ser humano com o cidadão. Não sabemos o que é democracia. Achamos que ‘de direita’ é quem defende o regime militar e que ‘de esquerda’ é comunista que come criancinhas.

Porque nivelamos tudo por baixo. Porque furamos fila e criticamos o corrupto. Porque achamos lindo o ‘jeitinho brasileiro’. Porque tentamos resolver antigas desigualdades com mais desigualdades. Porque somos parte de muitas maiorias e tantas outras minorias, mas nunca pensamos em nos fazer iguais. Porque temos nojo de pobre, odiamos ricos e achamos a classe média burra.

Porque é moda incendiar ônibus. Matamos quem torce pra outro time. Porque percebemos que não estamos preparados para sediar uma Copa do Mundo agora, em 2014, quando o anúncio foi feito em 2007. Porque queremos hospitais e não estádios, mas votamos igualzinho a cada dois anos.


Porque política virou profissão. E os parlamentos cemitérios de sub-celebridades. Porque o Deputado Federal mais votado da história do nosso país é o Tiririca. O Paulo Maluf é sempre reeleito. Porque o Sarney era, até bem pouco tempo atrás, Presidente do Senado. E foi substituído pelo Renan Calheiros. E o Senador do meu Estado, aquele gente boa que canta Racionais MC’s, votou em Calheiros. Achamos o Lula legal só porque a mãe dele nasceu analfabeta e a Dilma só porque ela diz que por trás das crianças há um cachorro oculto.

E vocês ainda perguntam por que não me ufano?